Joaquim Grave responde a críticas sobre troféu Bravura

Joaquim Grave responde às críticas de ter ganho o troféu Bravura, no 60° concurso de ganadarias, em Évora, no domingo. O troféu Apresentação foi entregue a Branco Núncio. 

Comunicado nas Redes Sociais:

“Sobre algumas reacções à cerca do vencedor do prémio de bravura gostaria de dizer o seguinte: quando se apresenta qualquer produto em público devemos aceitar todas as opiniões sejam elas favoráveis ou não. Houve quem não concordasse com o prémio de bravura para Murteira Grave; nada mais natural, acho mesmo saudável que se emitam opiniões discordantes, sempre que não caiam na grosseria ou vulgaridade; convém no entanto, que sejam fundamentadas porque como vemos na maior parte dos escribas, limitam-se ao “foi melhor, foi mais bravo” o que me parece manifestamente pouco esclarecedor.

Quem me conhece sabe que não me canso de repetir que não gosto do adjectivo melhor ou pior em tauromaquia. Prefiro o diferente. Quando vejo escrito melhor, pergunto-me: mas melhor em quê? Não há 2 toiros iguais, não há nenhum aparelho (bravómetro) para medir a bravura.

As comparações devem detalhar variadíssimos rasgos de comportamento, por ex.: como arranca, quando arranca, como galopa, como mete a cara, como se empurra no centro da sorte, como humilha, que recorrido tem, como termina (há como é importante!) a investida, a transmissão dessa investida, a duração, o ritmo, etc, etc, etc.
Terminada a corrida as minhas filhas perguntaram-me: pai, quem vai ganhar? Respondi-lhes que dos 4 primeiros toiros qualquer um podia ganhar.

Foi o que senti, imediatamente após a corrida e ainda agora penso assim. Foram, de facto, 4 toiros bravos e tão diferentes! É um dos fascínios das corridas de toiros. De certeza que as diferentes sensibilidades dos aficionados se dividiram entre os quatro.

O 1º toiro do Veiga Teixeira foi um grande toiro, bravo e com transmissão. Quando terminou disse para comigo, já vai ser difícil suplantar este toiro. Fiquei satisfeito por ter saído como o meu amigo Toy Teixeira gosta, com mobilidade e “mucho carbón” e a colocar dificuldades ao toureiro.

Com o único senão de andar com a cara por cima humilhando pouco. Que alegria o ganadero deve ter sentido quando um toiro sai transmitindo essa emoção. Nota 8 sem favor!

O 2º toiro da ganadaria Castro foi o mais enclassado da corrida. Teve uma bravura formal e foi a mais. Toiro muito bonito, talvez de uma “beleza” não muito compreendida em Portugal.

Teve mobilidade e um estupendo tranco de galope. Atenção à nova geração dos ganaderos Castro, é gente que gosta muito e muito interessada e parece-me em franca ascensão esta ganadaria. Teve o senão na pega, foi pouco franco e recuou, mas foi o toiro que mais gostei juntamente com o 4º. Para o Castro, nota 8 sem favor!

O 4º toiro da ganadaria Passanha era lindo! Podia ter ganho os dois prémios que não me admirava. Atenção, não retiro uma grama ao peso específico do prémio de apresentação do toiro Núncio (na foto com Joaquim Grave) que era uma estampa também. Aqui entram as sensibilidades mais uma vez.

Mas voltando ao Passanha, um toiro forte mas bem proporcionado, com uma cabeça magnífica, uns cornos em coroa e “acodados” como um verdadeiro murube! Em comportamento foi bravo e transmitiu! teve o galope enclassado tão típico deste encaste. Esta ganadaria sofreu, quanto a mim injustamente, criticas de só ter toiros sonsos e “bobalicones”. Não concordo em absoluto, a ganadaria Passanha é uma ganadaria extraordinária e de referencia. O Diogo já mostrou ser um extraordinário aficionado que trabalha bem e com paixão.

Atenção senhores empresários, a ganadaria Pasanha é uma das ganadarias dos triunfos. Para o Passanha também nota 8 sem favor.

Ao haver 4 candidatos ao prémio de bravura, inevitavelmente teria que haver 3 descontentes no final. Ganhou o Murteira Grave como podia ter ganho qualquer um dos outros.

Os meus colegas são ganaderos experientes e sabem que às vezes pensamos que devíamos ganhar e não acontece e outras ganhamos sem ser de forma unânime. Agora há uma coisa que devemos respeitar que é a opinião do júri; são aficionados reconhecidos e julgo que honestos.

Decidiram conforme a sua sensibilidade.
Quero aproveitar este espaço para homenagear os meus colegas ganaderos que para Évora enviaram os toiros bravos que descrevi. Daqui partilho o prémio que recebi com todos eles, todos 3 o mereciam e por isso estão de parabéns, e faço votos para que não esmoreçam nunca o seu magnífico trabalho, para que todos juntos possamos continuar a criar o tão maravilhoso animal que é o toiro bravo e mostrar à sociedade o carinho e o cuidado que lhes entregamos para, em público, mostrarem as qualidades eternas de coragem, nobreza e força que, infelizmente, vão rareando nos humanos”.

Joaquim Grave

#murteiragrave

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