João D’Alva passa com distinção

Praça de Toiros Dr. Ortigão Costa, Azambuja. Pelo décimo sétimo dia do mês de maio iniciou-se a primeira eliminatória do ciclo de novilhadas de promoção aos novos toureiros.

Na arte de marialva o cartel era composto, pelo praticante António Mendonça e pelo amador Lourenço Malheiro, ambos discípulos do cavaleiro vilafranquense Paulo Jorge Santos.

Na arte de Montes os novilheiros praticantes, João D’Alva, aluno da escola taurina da Fundação El Juli em Madrid e Filipe Martinho, aluno da escola de toureio da Moita.

António Mendonça, acabou por tourear o segundo da ordem, dado que o novilho de David Ribeiro Telles saiu à praça diminuído e acabou por ser lidado o hastado do Eng. Jorge de Carvalho. Novilho de boa nota, que se arrancava de longe e proporcionou ao praticante momentos de emoção, mas também de apuro. Nos compridos acabou por deixar a ferragem sem notas de destaque. Nos curtos o melhor que se viu da sua atuação foi o primeiro curto, no centro da arena, depois de citar praça-a-praça, dando primazia na investida ao oponente e após uma ligeira batida ao piton contrário, cravar e sair-lhe airosamente da cara.

Lourenço Malheiro, lidou o novilho de Fontembro que permitiu ao amador alardes de tourería. Apesar de pouco toureado apresentou argumentos para se poder contar com ele num futuro próximo. Dando importância ao que estava a fazer desde início, bem montado num castanho com o ferro de Pablo Hermoso, cravou um comprido superior, a citar o novilho de largo, recebendo a investida do oponente, sem enganos, ao estribo e com a farpa bem elevada, cravar de alto abaixo, como mandam os cânones. Com a ferragem curta mais incerto, nota de destaque para o ferro cravado em terceiro lugar depois de dois adornos descarados.

As pegas pelos Amadores de Azambuja, David Gomes à segunda e Fábio Tomás à primeira foram solitas numa tarde sem problemas de maior para o grupo local.

Para a lide do terceiro da tarde de Paulo Caetano, saiu João D’Alva, que se encontra para lá da raia a absorver ensinamentos na escola de El Juli. João, mais toureado, esteve em novilheiro toda a tarde. Recebeu o nobre e dulce novilho com duas largas cambiadas de rodillas, para depois se colocar de pé e quebrar a cintura com uma série de verónicas, com a mão baixa e rematar com meia. Filipe Martinho saiu ao quite e fê-lo por gaoneras, ao que João não se deixou atrás e replicou também pelo lance inventado pelo mexicano Rodolfo Gaona. Troca o tércio e João pegou nos palitroques, toca a banda, o novilheiro brinda-nos com três pares de bandarilhas com arte e poder. A D’Alva saiu-lhe o novilho com as melhores condições da novilhada e ele não se fez rogado. Sempre muito bem colocado nos cites, fazendo a muleta a arrastar na arena, da praça que leva o nome do empresário azambujense, a rematar as séries ora com câmbios de mão, ora com passes de peito com um sabor imenso. Toureio sério, de muitos quilates, daquele que nos faz acreditar no futuro. Espero não me enganar!

No final da lide o representante da ganadaria, o novilheiro João Diogo Fera, chamado à praça para agradecer a ovação generalizada que se ouvia das bancadas.

A Filipe Martinho saiu a fava da tarde, o novilho de Voltalegre, bonito de hechuras, ao contrário do provérbio popular, “Quem feio ama, bonito lhe parece”, saiu manso e distraído e não permitiu o luzimento ao novilheiro da escola da Moita. Filipe andou disposto a tourear o que podia, ou conseguia, mas em “Fonte que não tem água, ninguém tem onde beber”.

Passaram para a Final o cavaleiro amador Lourenço Malheiro e o novilheiro João D’Alva.

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