Grande triunfo da festa em Abiul

Grande tarde de toiros, aquela que se viveu ontem, 05.06.2017, na bem cuidada praça de toiros de Abiul.

A festa dos toiros vive de ingredientes chave, que fazem com que o espectáculo transmita emoção para quem assiste, entre esses ingredientes o principal é o toiro.
Ontem em Abiul houve toiros, mas principalmente houve calor e emoção, fruto do comportamento de um público fantástico que preencheu três quartos da lotação da praça, que acolhe e acarinha cavaleiros e forcados como nenhum outro, mas que também demonstra com veemência o seu desagrado, quando entendem que os artistas não tiveram o seu melhor.

Para enfrentar um curro de Prudêncio com peso, idade e trapio, estiveram em Praça os Cavaleiros Andy Cartagena, Manuel Telles Bastos e Marcos Bastinhas e os Forcados Amadores de Évora e Aposento da Moita

Os toiros de Prudêncio estavam seríssimos, irrepreensivelmente apresentados, cumpriram na generalidade com destaque para os lidados em quinto e sexto lugar, justificando mesmo a chamada do ganadeiro à praça pela prestação do lidado em quinto lugar.

Iniciou a função o Rejoneador Andy Cartagena que cedo disse ao vinha, praticando um toureio vistoso e variado que facilmente chegou às bancadas. Destaque na sua primeira actuação para os curtos apontados em 1.º e 3.º lugar, rematou com dois violinos que chegaram com força às bancadas.

No seu segundo as coisas subiram de tom, e Andy Cartagena meteu o público no bolso.
Não praticou o toureio que eu gosto e valorizo, foi uma actuação mais e jeito de artes circenses, mas gostos não se discutem, e o que é certo é que o público pagante ficou rendido aos números apresentados por Andy Cartagena.
Começou com a lide a parar bem o toiro e a dobrar-se com classe, deixando dois compridos regulares.
Nos curtos destaque para o colocado em segundo lugar entrando pelo toiro a dentro, rematado com piruetas arriscadas que fizeram furor na bancada.
Rematou a sua actuação com dois violinos, sacando para esse efeito um cavalo que na preparação das sortes ou no remate destas, faz mais de meia praça em levada, o que levou o público ao êxtase, aplaudindo de pé o labor do Rejoneador Espanhol, obrigando o mesmo da dar duas voltas à praça, a segunda acompanhado do cavalo com que rematou a faena.

Num estilo totalmente diferente andou Manuel Telles Bastos, ante dois toiros de comportamentos distintos, foi protagonista duma primeira lide em que após a colocação de três ferros compridos em sortes algo aliviadas, partiu para uma série de 4 curtos de verdade, sendo de destacar a execução do terceiro.

Na lide do bravo lidado em quinto lugar, Manuel Telles Bastos andou algo perdido de inicio, não se acoplando às investidas do toiro.
Melhorou bastante na segunda parte da lide, terminado em crescendo após a colocação de 4 ferros curtos em que as abordagens resultaram frontais e as reuniões emotivas.

Para terminar a terna, saiu à arena Marcos Bastinhas que teve uma passagem bastante positiva por Abiul.
Em ambas as lides praticou um toureio alegre e comunicativo como é seu apanágio, pena o uso excessivo das duas mãos na condução da montada, aquando da preparação das sortes.

No seu primeiro toiro, o menos colaborador da corrida, Marcos teve de aplicar-se a fundo para conseguir deixar a ferragem da ordem, destaque para os curtos colocados em primeiro e segundo lugar.

A sua segunda lide teve outra história, frente a um toiro com bastante mobilidade, iniciou a faena dobrando-se bem a receber o toiro e deixando dois bons compridos.
Nos curtos, deu primazia às sortes cambiadas, tendo resultado emotivo o colocado em primeiro lugar, algo desajustados os restantes, no entanto a brega e os remates das sortes foram do agrado do público que aplaudiu bastante o toureiro.
Rematou com um par de bandarilhas deixado no corredor, pondo a praça de pé e saindo sob forte ovação.
No capítulo das pegas, tarde de compromisso para os grupos de Évora e Aposento da Moita, que tinham pela frente um curro de toiros sérios com idade, peso e trapio.

Pelos Amadores de Évora abriu praça o seu Cabo João Pedro Oliveira, que esteve simplesmente perfeito.
Pega com início, meio e fim, com o forcado a citar, mandar, templar e fechar-se com enorme decisão, sendo bem ajudado pelos companheiros.

O segundo toiro da formação alentejana foi pegado pelo jovem João Madeira que efectivou a sorte numa valorosa segunda tentativa, depois de uma boa primeira tentativa em que o toiro tirou a cara já junto às tábuas, quando parecia que já estava pegado, desfeiteando o grupo.

Fechou a actuação dos alentejanos o forcado Dinis Caeiro, que pegou ao terceiro intento, depois de duas tentativas iniciais em que não suportou os derrotes do toiro.

Pelo Aposento da Moita foram solistas Miguel Fernandes que pegou à primeira tentativa, após uma reunião defeituosa, sendo no entanto bem ajudado pelo restante grupo.

O segundo toiro que calhou em sorte à formação da Moita do Ribatejo, foi pegado à primeira tentativa por Salvador Pinto Coelho após uma reunião deficiente, tendo resultado lesionado o primeiro ajuda que ficou inanimado na arena.

Fechou praça o forcado João Ventura à segunda tentativa com uma primeira ajuda primorosa, que foi decisiva no consumar da pega.

Tarde cheia de momentos de emoção, com os artistas a entregarem-se ao espectáculo, que agradou se sobremaneira ao público presente, que saiu satisfeito da praça.

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