Festival Taurino dos 85 Anos de Fundação dos Amadores de Vila Franca: Mário Rui

Mário Rui, mais um antigo forcado que envergou a jaqueta de ramagem dos Amadores de Vila Franca que apela para a presença dos aficionados no dia 9 de Abril.

 

6ª Parte – Épocas 1992 a 1998

Na temporada de 1992, o Grupo não acusou minimamente a mudança de Cabo. Se por um lado teve desafios difíceis a cumprir, por outro, o Cabo Jorge Faria tinha herdado um Grupo completamente renovado, cheio de gente jovem mas com grande valor e bastante experiência acumulada. As duas digressões aos Açores e a França foram marcadas pelo sucesso, com 10 dos 12 toiros pegados à 1ª tentativa. Facto marcante nesta temporada foi uma grande atuação na corrida comemorativa do Centenário da Praça de Toiros do Campo Pequeno, alternando com o Grupo de Santarém, frente a um difícil curro de Infante da Câmara. Na feira de Outubro em Vila Franca, na corrida de Terça-Feira Noturna, o Grupo comemorou 60 anos e fardam-se alguns forcados já retirados. Nesta corrida, despediu-se mais um grande forcado, José Dotti que nesse dia completou a sua centésima pega de caras.

A época de 1993 iniciou-se em Olivença e terminou em Almendralejo, num total de 23 corridas e 79 toiros pegados. Na praça de toiros do Campo Pequeno, o Grupo de Vila Franca teve uma grande atuação frente a seis toiros de António José Teixeira, tendo no final de dar volta à praça com o público a aplaudir de pé. Nessa época ainda regressaria mais 2 vezes ao Campo Pequeno, na “Corrida da Rádio” em Agosto e uma outra, em Setembro numa noite “histórica” em que o Grupo dividiu com o Grupo de Santarém um curro de toiros com uma presença imponente, de Pablo Romero, que resultou triunfal. Na corrida de Terça-Feira Noturna, a despedida de um histórico do Grupo de Forcados Amadores de Vila Franca de Xira, João Costa “Platanito”. Um momento verdadeiramente solene com a Banda do “Ateneu Artístico Vilafranquense”, de modo espontâneo, a tocar um passo-doble em honra a este “enorme” forcado enquanto “Platanito” com o seu caraterístico cite, consuma uma grande pega naquele que seria o toiro da sua despedida como forcado no ativo do Grupo de Vila Franca.

O ano de 1994 acabou por ser preenchido com poucas corridas, em relação ao número médio dos anos anteriores. Neste ano, o Grupo voltou à feira de Beziers em França e pegou 6 toiros de Lucien Tardieu. A época viria a terminar com uma corrida em Espanha, em Mondejar.

A época de 1995 foi uma das mais fracas em número de corridas das últimas décadas, com apenas 12 corridas no que foi um ano atípico. Ainda assim, a 1ª corrida dessa época em Vila Franca, no dia 2 de Abril, foi um marco histórico do Grupo que enfrentou em solitário um imponente curro de Infante da Câmara com toiros de 5 anos, muito peso e imenso “sentido”, cuja corrida já tinha sendo adiada por duas vezes desde o ano anterior (com os inerentes enjaulamentos e transporte dos toiros entre a Praça e o campo), alcançando um memorável triunfo numa tarde de grandes pegas. No final, todo o Grupo foi aplaudido numa triunfal volta à arena.

No ano de 1996, em Salvaterra de Magos, após uma boa exibição coletiva, o Grupo venceu o troféu para o melhor Grupo em Praça. Em 9 de Setembro, após uma boa exibição no Campo Pequeno 6 dias antes, o Grupo voltou à Moita do Ribatejo para pegar um curro de Maria Guiomar Cortes Moura juntamente com os Amadores de Alcochete. Ambos os Grupos foram massacrados nessa noite pela dureza dos toiros, com ambulâncias em permanente atividade entre a Praça e o Hospital a transportar forcados lesionados. No total, nessa noite, efetuaram-se cerca de 40 tentativas para pegar os 6 toiros. A lesão de Diogo Dotti acabava por afastar irremediavelmente das arenas, este extraordinário forcado.

Na época de 1997, o primeiro momento relevante ocorreu no mês de Junho, em mais uma “Corrida da Radio Renascença” em Santarém onde Mário Rui Alves numa grande pega venceu o troféu para a “Melhor Pega”. Na “Corrida de São Pedro” em Évora com toiros da ganadaria Luis Passanha, uma boa exibição do Grupo e mais um troféu, para o “Melhor Grupo em Praça”. Na quinta-feira seguinte, boa exibição em mais uma Corrida TV no Campo Pequeno. Entre 10 e 31 de Agosto, o Grupo entrou em 12 corridas sendo 4 delas em dias seguidos e com uma nova digressão a França com mais uma atuação em Beziers. Na corrida de Setúbal, Diogo Palha consegue à primeira tentativa uma pega que valeu o premio para a “Melhor Pega da Época” naquela praça.

Chegava o ano de 1998 que seria o último ano de Jorge Faria como forcado e Cabo do Grupo de Vila Franca. Destaque para as boas exibições do Grupo na Feira de Maio na Moita do Ribatejo, na “Corrida da Radio Renascença” em Santarém e na “Corrida de São Pedro” em Évora. Nesta corrida, Hélder Nunes efetuou uma grande pega à 3ª tentativa depois de 2 enormes tentativas anteriores a um toiro Luis Passanha que o atirou para dentro das tábuas depois de derrotar todo o Grupo, em ambas as vezes. Na corrida do Colete Encarnado deste ano, o forcado Carlos Calado pegou um toiro e despediu-se do ativo como forcado. Grande exibição ocorreu também na corrida de terça-feira noturna, tanto dos forcados da cara como dos ajudas em que o grande momento da noite foi a despedida de Jorge Faria que abandonou as arenas com o sentimento do dever cumprido, ao longo de quase 20 anos dedicados ao Grupo.

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