Ferro Comprido

Debuto hoje nestas lides de escrever numa plataforma de Comunicação Social. A convite do meu amigo Francisco Mira para escrever sobre toureio a cavalo e cavalos de toureio neste ambicioso projecto que é a Tauronews, que me parece ter tudo para ser um grande sucesso no mundo taurino! A princípio com muito entusiasmo, agora que já estou “na cara do toiro”, algo nervoso para não perder a explicitude  neste turbilhão de ideias e sentimentos que é a minha maneira de sentir o cavalo e o toureio a cavalo. “Ferro comprido” apenas por ser o meu primeiro artigo de opinião.

Para enquadrar os leitores, achei por bem neste artigo tentar mostrar o tipo de toureio a cavalo que sinto, qual a minha corrente de toureio… e é muito simples: o Bom Toureio! É o que gosto! Não sou defensor nem do toureio clássico nem do moderno, do frontal ou do cambiado, dos galopes em duas pistas ou do lidar por direito… Quando bem feito, consigo gostar de qualquer estilo, o que mais me move é observar as características dos cavalos, e creio que cada cavalo melhor se adapta a uma maneira de abordar os toiros, assim como a um tipo de toiro. Mas de cavalos falamos da próxima vez.

Conto um sem fim de cavaleiros a quem vi lides que considero apoteóticas, e que no estilo em nada comungam… Comungam sim no gosto pelo cavalo de toiros e, como eu, do bom toureio! Com boa equitação e cavalos “guerreiros” e generosos (e com essas características não melhores que os lusitanos e luso-árabes) qualquer cavaleiro com “coração” pode oferecer-nos um espectáculo de emoção e estética! E é nisto que tem de assentar um espectáculo tauromáquico: desde elevado a Arte tem de ter estética, e o confronto com essa linda besta que é o Toiro Bravo tem de ter emoção, perigo! A estética só, na ausência da emoção, tira o sentido ao toureio!

Um dia numa visita que fiz a Rafael Soto para ver um cavalo do nosso ferro que que lhe estava entregue para montar, cavaleiro com medalha olímpica e actualmente seleccionador de Espanha de Dressage, e um grande entusiasta e defensor do nosso Cavalo (cavalos peninsulares)  e do toureio, disse-me: “Juan, hay dos tipos de equitacion: la buena… y la que no es buena!”. Pois eu penso que no toureio passa-se exactamente o mesmo, independentemente do conceito, se for bem feito é bom, se não for não é bom!

Desde que me lembro de existir que vou pela mão do meu pai a corridas de toiros, e trago na memória estrondosos triunfos de João Moura, Paulo Caetano, António Ribeiro Telles, Rui Salvador, João Salgueiro, Pablo Hermoso de Mendoza, Rui Fernandes e Diego Ventura. Considero que destes, alguns chegaram a um patamar superior a outros, estão entre estes os que tenho como ídolos no toureio a cavalo, mas de todos os que nomeei recordo actuações de verdade. Do mais variado leque de conceitos a todos vi imporem os seus triunfos com risco, verdade, arte e emoção! Vi neles cavalos a fazerem todo o tipo de coisas que me emocionaram no toureio montado.

Àqueles que sentimos o cavalo e o toureio a cavalo é disto que esperamos quando vamos aos toiros… ver o génio e duende dos ginetes e o pormenor “daquele” cavalo, o gesto com que se recreia na cara do oponente, a expressão que o torna único e diferente de todos os outros mas que simultaneamente identificamos com uma linha de cavalos que comungam dum mesmo conceito, e logo vamos tentar explicar geneticamente essas características…

É para estes que escrevo, para os que sentem o Cavalo de toiros!

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