Évora encheu e Ventura não defraudou

Crónica

Noite de grande expectativa na arena de Évora, para receber a tradicional corrida integrada nas festas de S. Pedro.

Perante uma praça cheia, após a realização das cortesias, realizou-se no centro da arena uma justa, sentida e bonita homenagem aos fundadores do grupo de Forcados Amadores de Évora na comemoração dos seus 55 anos de existência, tendo estado presentes os elementos fundadores que ainda se encontram entre nós.

Cartel atractivo, composto por duas primeiríssimas figuras, acompanhados de uma jovem promessa, um grupo de forcados a pegar em solitário um curro de toiros de uma ganaderia que costuma ser sinónimo de emoção.

O toiros eram de Canas Vigouroux , saíram dispares em apresentação e comportamento, com destaque pela negativa os três saídos na primeira parte da corrida, a pouco mobilidade a mansidão e falta de raça foram as características dominantes nestes três animais.

Os restantes cumpriram com melhor nota, empregando-se mais nas sortes e transmitindo mais para as bancadas.

Rui Fernandes lidou um primeiro toiro que poucas hipóteses de triunfo lhe deu, ainda assim, teve bons apontamentos na preparação da ferragem, sendo de realçar o curto deixado em segundo lugar.

A sua segunda lide foi de menos a mais, começou intermitente, revelando dificuldades na colocação da ferragem comprida, teve algumas passagens em falso até à colocação do primeiro curto, mas a partir do segundo curto que foi de boa nota, a sua actuação subiu de tom, terminando em plano de triunfo após deixar mais dois bons ferros curtos com cites balanceados que foram do agrado do público.

Era grande a expectativa para ver Diego Ventura após a recente triunfo deste, ao cortar duas orelhas e rabo na praça de toiros de “Las Ventas”.

Ventura, como figura que é não quis deixar os seus créditos por mãos alheias, e saiu à arena de Évora disposto a mostrar porque é neste momento o número um do rejoneio.

Teve uma primeira lide mais discreta, fruto da inexistente colaboração do hastado que lhe tocou em sorte. Ainda assim, realizou uma faena ligada, em que abundaram os pormenores toureiros de um toureiro dominador, que demonstrou que pode com todos os toiros.

Pena foi que, após a colocação do último ferro que resultou espectacular, e após ter o público no bolso, pediu para colocar mais um ferro que não resultou como esperava, saindo da arena sem uma  lide rotunda.

A sua segunda lide foi de antologia, recebendo muito bem o exemplar de Canas Vigouroux, deixando dois bons compridos, tendo sido o segundo arrebatador, aguentando uma barbaridade a investida do toiro, para depois reunir a preceito, cravando de alto a baixo.

Quanto aos ferros curtos, protagonizou uma lide repleta de emoção, com sortes bem desenhadas, tendo colocado o ferro da corrida, que fez levantar as bancadas. Grande actuação de Ventura em Évora, saindo sob forte ovação.

O jovem António Prates foi uma agradável surpresa, tendo efectuado uma meritória primeira lide, iniciada com duas boas tiras, para depois optar por um toureio que levou emoção às bancadas, cravando ferros de risco dando distância ao oponente, acabando por triunfar forte nesta sua actuação.

A sua segunda lide, também teve aspectos positivos, mas não chegou a atingir o fulgor da primeira, que teve mais dinâmica e aspectos de interesse.

No capitulo da forcadagem a noite era de responsabilidade para o Grupo de Forcados da terra que comemoravam 55 anos.

Ante seis toiros que nem sempre se revelaram fáceis, o GFAE teve também ele uma noite de triunfo, tendo os seus elementos ultrapassando com valentia e saber as dificuldades que lhes foram apresentas pelos toiros.

Assim, foram solistas João Madeira à primeira tentativa, fechando-se com braços de ferro após uma boa reunião em que tirou toda a maldade ao toiro, Gonçalo Pires numa boa pega à terceira tentativa com muito querer, depois de ter sido desfeiteado nas tentativas anteriores, devido à brusquidão com que o toiro metia a cara no momento da reunião, Dinis Caeiro à primeira tentativa após uma reunião deficiente, António Torres à primeira após ter de entrar nos terrenos do toiro, o Cabo João Pedro Oliveira à segunda tentativa com galhardia, tendo fechado praça Ricardo Sousa numa boa pega à primeira tentativa.

Os toiros foram eficientemente recolhidos a cavalo pela dupla de campinos, que recebeu calorosas ovações pelo seu bom desempenho, o que acabou por dar mais colorido à  festa.

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