A Idade do Felicidade: Descobertas sobre os Melhores Anos da Vida
Recentemente, uma investigadora espanhola da Universidade de Vigo, Begoña Álvarez, conduziu um estudo intrigante que procura perceber em que momentos da vida os europeus mais velhos sentem que foram mais felizes. Surpreendentemente, esse período não corresponde à adolescência ou aos vinte anos, conforme é frequentemente romantizado por livros, músicas e filmes.
O resumo do estudo revela que “este artigo traz novas provas sobre a evolução da felicidade ao longo da vida”. A inovação da análise reside na exploração dos momentos que os indivíduos consideram os mais felizes das suas vidas, subvertendo a narrativa convencional que glorifica a juventude.
É curioso notar que uma pesquisa semelhante realizada nos Estados Unidos obteve resultados quase idênticos, reforçando a ideia de que o que frequentemente acreditamos ser o auge da felicidade pode, na realidade, ocorrer mais tarde.
Os melhores anos, segundo o estudo, foram identificados como a faixa etária entre os 30 e os 34 anos. Estas conclusões decorrem de uma investigação realizada entre 2008 e 2009, que abrangeu 13 países europeus, incluindo um amplo grupo de pessoas com 50 anos ou mais.
Álvarez utilizou um conjunto de dados abrangente que se focou sobretudo nos anos positivos vividos pelos inquiridos. Isto permitiu-lhe identificar que a forma como lembramos e avaliamos o passado nem sempre corresponde às emoções que vivenciámos na altura. Muitas vezes, recordamos a fase dos 30 anos como a mais gratificante.
O estudo relevou uma tendência significativa: a probabilidade de as pessoas considerarem esta época como a mais feliz aumenta de forma acentuada até aos 34 anos, onde atinge o seu auge, em seguida, verifica-se uma diminuição gradual nesse reconhecimento.
Os resultados foram ilustrados por um gráfico que se assemelhava a um U invertido, refletindo um aumento nas avaliações de felicidade até à entrada na casa dos 30, seguido de um declínio. Apesar das diferenças de género, este padrão manteve-se consistente, com mulheres a reportarem um aumento mais acentuado próximo da trifana dos 30 anos.
“As melhores fases da vida tendem a ser longas, com uma duração média de duas décadas, ou mais”, ressalta o estudo.
A visão da felicidade também se alinha com as descobertas de uma pesquisa americana de 2021 que sugere que aos 36 anos os indivíduos consideram o seu estado de felicidade no auge, optando pela trintena em vez da juventude como a época dormente da vida.
Entre os 30 e os 34 anos, muitos sentem-se a meio caminho entre a ingenuidade da juventude e os desafios do envelhecimento. É uma fase mágica: uma boa autoimagem, estabilidade de carreira e relações mais firmes. Neste período, as inseguranças da juventude tendem a desaparecer.
A psicóloga Donna Dawson assinala que aos 33 anos “temos tempo suficiente para deixarmos para trás a inocência da infância e as promessas da adolescência, sem perder a energia e o entusiasmo da juventude.” Ela enfatiza que, nesta idade, o otimismo a respeito do futuro e a consciência de nossas capacidades se unem à realidade.
Contudo, se a sua experiência na casa dos 30 não correspondeu a esta descrição, saiba que a felicidade pode manifestar-se em qualquer fase da vida. Como Álvarez concluirá no final do estudo, “não existe uma medida perfeita do bem-estar subjetivo.”
Portanto, não há limite para onde podemos encontrar felicidade. Mesmo que o seu período favorito ainda esteja por vir, seja na quarentena ou nos oitenta anos, a vida possui múltiplas oportunidades para felicidade.
Por último, se houver uma mensagem a ser retida, é a famosa declaração de Frank Sinatra: “O melhor ainda está para vir.”
Perspectivas sobre o Bem-Estar ao Longo da Vida
Estudos indicam que a percepção do bem-estar não é estática, podendo evoluir ao longo das diferentes fases da vida. Uma análise europeia sugere que o bem-estar segue uma curva em U, com um período de declínio na juventude e na vida adulta, seguido de uma recuperação gradual a partir dos cinquenta anos. Esta tendência sinaliza que, mesmo que a fase da trintena seja notoriamente feliz e estável, não é a única em que podemos experimentar uma forte sensação de satisfação.
A essência da felicidade parece estar mais ligada à forma como vivemos e atribuímos significado a cada uma das etapas da vida. A felicidade é uma experiência dinâmica, que se renova em diferentes momentos da nossa existência, provando que o verdadeiro contentamento pode e deve ser celebrado em todas as idades.




