Em Estremoz o toureio a cavalo foi rei.

Realizou-se no passado dia 29 do mês de Abril uma Corrida de Toiros que estava a causar bastante expectação entre os aficionados.

Cartel de competição entre figuras máximas do toureio a cavalo, Diego Ventura e João Moura Jr, que enfrentavam um curro de toiros da divisa de Romão Tenório que viriam a ser pegados pelos Amadores de Montemor e Monforte.

Com três quartos de casa preenchidos, findas as cortesias, realizou-se no centro da arena uma singela homenagem a essa “lenda viva” da forcadagem , João Cortes que é oriundo de Estremoz. Junto ao homenageado estiveram os intervenientes da corrida que ouviram um fado dedicado a João Cortes cantado pelo fadista Manuel da Câmara.

Começamos a nossa crónica pelo curro de toiros enviados pelo Exmo. Sr. Ganadeiro Francisco Romão Tenório, que serviu na perfeição para o sucesso do espectáculo.

Com apresentação condigna para praça em questão, os toiros de Romão Tenório saíram com um comportamento dentro do tipo seu encaste, colaboradores mas com menos transmissão os três primeiros, com um pouco mais de sal os três últimos, que serviram em absoluto para o triunfo dos toureiros.

Justa a chamada à praça do ganadeiro no quinto e sexto toiros, para mim, não apenas pelo comportamento destes toiros, mas também pela homogeneidade de comportamento de todo o curro, que repito, saiu nobre, colaborador, codícioso a perseguir as montadas,  pecando apenas por alguma falta de transmissão no momento do ferro no que diz respeito aos toiros lidados primeira parte da corrida.

Quanto ao confronto entre as duas figuras anunciadas para esta tarde, a meu ver saiu por cima João Moura Jr., se analisarmos o computo das três lides de cada ginete.

Diego Ventura saiu em Estremoz com ganas de triunfar, e se as duas primeiras actuações resultaram mornas, embora com excelentes apontamentos e pormenores de brega na preparação das sortes, na sua derradeira lide Diego abriu o livro e sacou de todos os seus recursos para meter o público no bolso, que por diversas vezes se levantou dos assentos para aplaudir o toureiro.

Após dois compridos a abrir num toiro que se mostrou mais reservado de início, Diego sacou o cavalo “Sueño” para bordar o toureio. Foi uma série de bandarilhas com preparações com critério e com uma beleza indescritível que culminaram em sortes cingidas, emocionantes rematadas superiormente pelo toureiro radicado em Puebla del Rio.

Rematou a actuação com o cavalo Chalana em cites peculiares, tendo por fim sacado um último cavalo a que tirou a cabeçada para deixar um par de bandarilhas, que foi pena ter ficado apenas meio par.

Mas depois do que havíamos visto antes, Ventura tinha margem para tudo, pois realizou uma lide única, daquelas que pagam o bilhete a quem assistiu à corrida.

João Moura Jr. Apareceu em Estremoz disposto a dar tudo, e isso ficou bem patente nas três lides que efectuou.

Toureio do bom, com ritmo, sem tempos mortos, elegendo os terrenos com critério.

João Moura Jr. Está um toureiro maduro que sabe entender os oponentes e a melhor lide a dar-lhes.

Nos três toiros que enfrentou em Estremoz, ficou patente o excelente momento que o cavaleiro de Monforte atravessa.

Três Lides completas, desde a forma poderosa como recebeu os toiros que lhe couberam em sorte, com destaque para a porta gaiola de parar corações que efectuou ao sexto da tarde, à forma criteriosa como bregou e especialmente à forma emocionante como cravou.

Em jeito de resumo, o conjunto das suas lides resultou num recital de bom toureio dando vantagens em sortes variadas, ora a receber ora a atacar o toiro quando necessário, mas sempre a cravar de alto a baixo como mandam os cânones.

De salientar que ambos os artistas mostraram todo o profissionalismo que levam dentro de si, não defraudando o público em momento algum, fazendo valer cada cêntimo do bilhete de quem se deslocou a Estremoz.

No capítulo da forcadagem, os dois grupos resolveram bem a papeleta face às poucas dificuldades que os toiros impuseram.

Pelos Amadores de Montemor pegaram António Cortes Monteiro, neto de João Cortes e sobrinho do malogrado José Maria Cortes, à primeira tentativa, Francisco Barreto à primeira tentativa e Manuel Ramalho também à primeira tentativa,  todos correctos tecnicamente, não pondo dificuldades onde não as havia.

De destacar a coesão do grupo a ajudar, em especial as boas primeiras ajudas dadas pelo forcado Joaquim Murteira Correia.

Pelos Amadores de Monforte foram caras Nuno Toureiro emendando-se bem à segunda tentativa, João Maria Falcão também à segunda tentativa e Rodrigo Russo ao primeiro intento.

Os ajudas mostraram-se coesos e o grupo fechou bem as três pegas que efectuou.

Estava anunciado o troféu “ João Cortes”  para a melhor pega que foi ganho pelo Forcado Manuel Ramalho dos amadores de Montemor, pela pega efectuada ao quinto toiro da corrida.

Esta pega resultou de facto vistosa, mas para mim, a melhor pega da tarde foi a efectuada por Francisco Barreto ao terceiro toiro da corrida.

Dirigiu Marco Gomes com acerto, tendo estado bem ao não permitir a colocação de mais um ferro por Diego Ventura, ao autorizar as voltas que autorizou e a chamar a atenção de Diego Ventura enquanto este iniciava uma segunda volta à arena esquecendo-se do forcado que o deveria acompanhar.

Foto Hugo Teixeira

Artigos Similares

Destaques