Fadiga moral, perda de fôlego… Este sentimento muito difundido neste momento não é por acaso. Baseia-se em mecanismos psicológicos precisos, ligados à nossa relação com o tempo, com as emoções e com os laços sociais.
É igual todos os anos. O mês de janeiro parece-nos longo, muito mais longo do que os outros. Mais lento também. Algumas pessoas descrevem uma baixa de moral e uma sensação de flutuação. Em psicologia, este mal-estar baseia-se num encadeamento de mecanismos psíquicos bem identificados.
Há razões psicológicas, emocionais e sociais para este sentimento, explica Saverio Tomasella, psicólogo. Sobretudo, um ponto comum: uma rutura brusca.
O choque do pós-festas
Esta rutura está fortemente ligada ao fenómeno do “pós-festas”. Todo o mês de dezembro funciona como uma subida emocional. O espírito está ocupado com a espera, os preparativos e os reencontros. Há uma ascensão em direção à festa, à alegria, ao convívio e ao calor. Depois, com a passagem para o novo ano, tudo para.
A partir de 2 de janeiro, acabou, resume o psicólogo.
Para o cérebro e para o sistema nervoso, o choque é real. Os psicólogos falam de um “colapso psíquico inevitável”, uma forma de mini-luto desses momentos privilegiados. O que nos fazia aguentar e antecipar desaparece de repente. O tempo parece alongar-se pela falta de referências positivas futuras.
O isolamento e o défice de luz
A esta queda emocional soma-se uma forte diminuição das relações sociais. Após a intensidade das festas, janeiro marca um regresso ao calmo, por vezes brutal. Estamos com falta de relação, observa Saverio Tomasella. Quando o laço social escasseia, o sentimento de isolamento aumenta e o cérebro percebe essa retirada como uma perda.
O contexto de inverno acentua o fenómeno. O frio chega no início de janeiro, os dias são curtos, sublinha o especialista. Esta ausência de luminosidade natural tem um efeito biologicamente depressivo. Provoca uma descida na produção de serotonina (hormona da felicidade) e dopamina (energia), enquanto produzimos mais melatonina (hormona do sono).
Como superar este período
Para atravessar esta fase mais facilmente, o doutor em psicologia recomenda iluminar bem a casa desde manhã cedo e, se possível, recorrer à luminoterapia.
Precisamos, no auge do inverno, de ter um cuidado especial connosco.
Isto passa por prazeres simples: infusões, mantas, pequenos mimos gastronómicos, mas também por um esforço de reconexão com os outros. O especialista sugere que não se espere pelo bom tempo para sair: prever uma tarde com amigos ou um passeio num local de que se goste ajuda a criar novos marcos positivos no calendário.




