A maternidade é uma jornada intrigante, repleta de desafios e descobertas. Jaclyn, uma mãe de dois filhos, viveu essa experiência na pele e aprendeu, da maneira mais difícil, que não há uma fórmula mágica para criar os filhos. O que funciona para uma família pode não servir para outra. Assim, sua história oferece uma reflexão importante sobre a parentalidade contemporânea, especialmente no que toca à chamada “educação bem-querida”.
Nos primeiros anos, Jaclyn acreditava firmemente na parentalidade benevolente. Com um coração cheio de amor, dedicava-se a ouvir, compreender, e evitar punições. Inicialmente, seus filhos pareciam florescer nesse ambiente — eram expressivos, felizes e se sentiam seguros. No entanto, com o passar do tempo, Jaclyn começou a notar certas dificuldades emergindo: os pequenos lutavam para seguir regras, gerenciar frustrações e perceber limites. As discussões, antes raras, tornaram-se mais frequentes, deixando-a exausta e confusa.
Foi nesse contexto que Jaclyn percebeu que a benesse sozinha não surtia o efeito desejado. Sem um quadro claro, seus filhos começaram a se sentir perdidos, sem as âncoras que o estabeleceriam na vida. A desilusão levou-a a refletir, e ela decidiu equilibrar sua abordagem, mesclando carinho com autoridade. Começou a estabelecer regras e limites claros, ao mesmo tempo respeitando as emoções de suas crianças.
O seu percurso exemplifica perfeitamente a complexidade da parentalidade: não existe uma solução única; e cada pai ou mãe deve adaptar o método às particularidades de seus filhos e à realidade do dia a dia. Para Jaclyn, essa percepção não foi fácil de aceitar, mas levou-lhe a construir uma relação mais saudável com os filhos, onde a benevolência e a estrutura coexistem de forma harmoniosa.
Retrospectiva de uma Mãe
Em suas palavras, Jaclyn partilha: «Pratiquei a educação benevolente durante anos… ao menos, eu pensava que sim. Validei todas as emoções, analisei os sentimentos, expliquei as limitações e fiz concessões, evitando punições severas.» Contudo, com o crescimento dos filhos, ela começou a notar efeitos adversos desse estilo: a ansiedade, principalmente na tomada de decisões simples, como escolher um lanche, revelou-se um problema crescente.
Os seus filhos mostravam-se inseguros, sentindo-se no direito de receber tudo o que desejavam, e frequentemente desafiando as normas estabelecidas. Além disso, uma das crianças lutava para agradar aos outros, reprimindo seus próprios sentimentos e absorvendo as emoções alheias.
Inicialmente, Jaclyn atribuiu estas questões à fase da adolescência, mas logo percebeu que a raiz estava na sua abordagem educativa.
A Iluminação de Jaclyn
Diante dos resultados obtidos através da sua forma de educar, Jaclyn sentiu-se triste. «Tentei tanto fazer o correto… fazer diferente do que aprendi durante a minha infância», lamentou. Sua epifania foi clara: o que ela acreditava ser educação benevolente estava, na verdade, enraizada numa permissividade inconsciente. E isso é algo que muitos pais vivenciam, por isso, não há motivo para vergonha ou culpa — educar é, de facto, um desafio!
Ela identificou que a sua prática de validar as emoções a cada 20 minutos, tornar cada limite negociável e fazer demasiados compromissos não contribuía para o desenvolvimento adequado. Por conseguinte, Jaclyn decidiu reformular a sua abordagem, optando por um modelo educativo que combinasse empatia com limites bem definidos — estabelecendo um ambiente autoritário, onde o carinho é complementado por estrutura e coerência.
Se, para algumas famílias, a parentalidade benevolente pode ser adequada, nem todos os laços pais-filhos se desenvolvem de forma saudável nesse estilo. Como é feito frequentemente em estudos, o que funciona para uns pode não funcionar para outros — a parentalidade é um campo complexo e multifacetado.
Conselhos de uma Psicóloga
Mary Ann Little, psicóloga clínica, sugere que, mesmo que os pais desejem um guia claro com respostas certas, a educação não se encaixa em moldes rigidamente formulados. «Explorar diferentes técnicas e ver quais se alinham com sua personalidade e estilo familiar é um bom começo», recomenda. Por muito que a inspiração e o conhecimento sejam bem-vindos, é crucial entender que não existem soluções fáceis. O amor incondicional é, e sempre será, o elemento mais importante na construção de uma relação sólida entre pais e filhos.
Jaclyn conseguiu corrigir erros cometidos na sua tentativa de educar os filhos com benevolência — mas a morada dessa narrativa é um lembrete de que todos os pais fazem o seu melhor com os recursos que têm. Cada família evolui constantemente, e isso não diminui o amor que têm pelos seus filhos.
Estudos recentes demonstram que a abordagem educativa autoritativa está associada a uma melhor saúde mental e desenvolvimento psicossocial, enquanto estilos permissivos correm mais riscos, mesmo na idade adulta. O modelo autoritativo — que integra calor e empatia com um firme e consistente conjunto de regras — mostra-se igualmente associado aos melhores resultados em bem-estar e sucesso acadêmico.
Por estas razões, a transição de uma abordagem permissiva para uma autoritativa pode assumir formas concretas:
- Compreender a Diferença: Reconhecer as nuances entre ser benevolente e permissivo é o primeiro passo. É essencial criar um espaço de diálogo e respeito mútuo, mas com limites claros.
- Estabelecer Limites Claros: Defina regras em casa (como horas de dormir e respeito mútuo), explicando o racional por trás de cada uma.
- Manter a Benignidade: Continue a validar as emoções dos seus filhos, evitando punições severas e potencializando consequências naturais que ajudem na aprendizagem.
- Fomentar a Autonomia: Dê opções limitadas para que as crianças possam tomar decisões, promovendo, assim, confiança.
- Ser Coerente, mas Flexível: A firmeza na execução de regras gera segurança, embora algumas situações peçam uma abordagem mais adaptável.
- Comunicar e Explicar: Enquanto a obediência é importante, ter conversas significativas sobre expectativas e regras é fundamental para um crescimento saudável.
- Praticar o Autocuidado: O bem-estar dos pais é crucial. Se necessário, procure apoio profissional.
Essa jornada de aprendizagem e adaptação na parentalidade reflete a profunda ligação emocional que une pais e filhos, um testemunho da capacidade de crescer e evoluir juntos.
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