El Cid: “Profissionalmente, encontro-me no meu melhor momento”

Manuel Jesús “El Cid” foi entrevistado pelo jornal espanhol El País  e falou sobre a temporada que se aproxima e as dificuldades que tem sentido ao longo dos tempos.

Com 43 anos, saiu quatro vezes em ombros pela Porta do Príncipe na praça de toiros Maestranza e duas pela Porta Grande na praça de Las Ventas. Esta temporada, vai estar presente no Domingo de Ramos, em Madrid, com Pepe Moral e Jiménez Fortes. Tem ainda a tarde na Feira de Abril e mais dois contratos em Benidorm e em Fitero (Navarra).

“Uma pessoa não pode estar sempre no seu nível máximo; não sou uma máquina”, afirmou com alguma tristeza. “Profissionalmente, encontro-me no meu melhor momento. E treino como se estivesse a começar, com mais encanto do que antes porque adquiri mais conhecimento. Tento aprofundar o meu toureio e fazer coisas novas. Não quero perder a frescura dos meus inícios mas agora, que toureio menos, analiso constantemente a minha tauromaquia.”

Quanto a tourear menos hoje em dia, “El Cid” disse não se sentir preocupado. “Assim correu toda a minha vida, nas épocas boas e más.” O toureiro disse ainda que sempre sentiu a obrigação de triunfar em Sevilha e em Madrid e que, se isso não acontecesse, começava a “correr o rumor de que “El Cid” estava acabado”. “E isso dói”, frisou. Considera que escreveu “alguma página bonita no toureio” e que o seu nome “ficará gravado nalgum pequeno quadro, talvez não tão grande como o de outros com melhor marketing, mas que ficará”.

O toureio falou ainda da dificuldade que sente por ser um dos poucos toureiros independentes. “Creio que quando não se está amparado por uma empresa taurina forte, tem de se ser um craque para se estar bem colocado nas Feiras.” “El Cid” diz estar num momento profissional e pessoal ideal para entrar outra vez nas grandes feiras, e sente estar a precisar de “um triunfo forte em Sevilha ou em Madrid”.

Quando o jornalista do El País fez notar que a colocação de uma única tarde do toureiro na Feira de Abril não é ideal, “El Cid” comentou que realmente não o é. “Depois dos meus triunfos nesta praça, creio que tinha direito a algo mais, mas a memória taurina é efémera. A de alguns, pelo menos. Teria gostado, sim, de estar também na corrida de Victorino Martín.”

Quanto a Madrid, não considera um demérito tourear no Domingo de Ramos. “É um desafio lidar com a corrida de Victorino. Além disso, estarei em San Isidro, e espero estar bem colocado. Caso contrário, vou tentar conquistá-lo com a espada e a muleta.”

Manuel Jesús “El Cid” falou ainda da fase depois de 2008, uma altura menos positiva. “Não fui capaz de manter a regularidade. Afectou-me muito a doença e o posterior falecimento do meu pai, um pilar importantíssimo da minha vida. Era meu amigo e conselheiro e estávamos juntos durante as 24 horas do dia. Depois, houve momentos em que os toiros não ajudaram nos princípios de temporada e em tardes transcendentes. Foram anos duros.”  

No entanto, o toureiro afirma que ainda tem muito a dar ao toureio. “Posso contribuir com qualidade, Vou tentar fazê-lo com o compromisso de atrair muitos aficionados que deixaram de acreditar em mim. Quero que voltem a ver o “El Cid” puro da mão esquerda, cheio do encanto de quem começa, mas com o conhecimento que dá a experiência.”

 

 

 

 

 

 

 

Fotografia: Nuno Almeida

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