Director da RTP criticado por PS e PSD após publicação polémica

A RTP decidiu diminuir o número de corridas televisionadas com o apoio do diretor de programas da RTP, Daniel Deusdado, que através de uma publicação na conta pessoal de facebook, assumiu a vontade de transmitir cada vez menos corridas por “não ser uma boa prática o serviço público transmitir espectáculos com maus tratos a animais”.

A publicação tornou-se viral e foram várias as críticas que Daniel Deusdado acabou por receber. Nuno Serra, deputado social-democrata, defende, em declarações ao Jornal i, que “a televisão pública não pode deixar de transmitir os espectáculos que correspondem à vontade dos portugueses. As audiências aumentam quando são transmitidas corridas de toiros”.

Serra argumenta que os gostos do diretor de programas não podem condicionar uma televisão que é paga por todos. “A televisão tem de abranger algumas coisas de que ele não gosta. Portugal é muito maior do que o diretor de programas da RTP. Não percebo como é que a RTP pode cortar laços com os portugueses que gostam de corridas de toiros”.

Veja a notícia na íntegra aqui

 

De seguida transcrevemos na íntegra a carta aberta do reconhecido advogado Dr. Varela de Matos ao Director da RTP Daniel Deusdado:

 

“Carta aberta ao meu empregado Daniel Deusdado, director da RTP.
Pago-te pontualmente o chorudo ordenado: 10.000€ mês .
Sou generoso.
Se me atraso a pagar-te, recebo uma carta para penhora.
Quando te contratei soube-se que já vendias programas para a RTP, que fazias nas tuas 2 produtoras, “Farol”.. .
Entregaste o negócio à tua mulher, Arminda. Prometeste que não farias o que outros fazem…
És do Porto, terra de gente liberal, cursaste direito, onde se aprende o valor dos direitos dos outros…
Não te escondi que era difícil o que te pedia, as audiências baixíssimas e a qualidade miserável,
Os telejornais a reproduzirem a primeira página do correio da manhã…
Bola, bola e bola, até à náusea…
Esperei portanto pelo teu rasgo e pelas tuas ideias…
Elas tardaram, mas vieram…
Li agora nos jornais, que vais proibir a transmissão de touradas na RTP.
Fazes bem.
Na última transmissão, as audiências “só” tiveram 600.000 espectadores, superior à das outras TVs, e à média mensal da RTP.
Mas tens razão, para chegar aos 10 milhões, ainda falta muita gente…
O teu barómetro é o campo pequeno à quinta feira: 20 cá fora a protestar e 7.500 lá dentro a aplaudir.
Estou contigo, o teu critério é o do PAN, assim salvas a RTP e educas o povo. Dois em um.
Touradas são coisa para gente incivilizada. Doidos como o Picasso e o Dali, boémios como o Garcia Lorca, o Rafael Alberti e o Hemingway, vaidosos como o Vargas Llosa e o Miró, galegos como o Camilo José Cela, incultos como o Ortega y Gasset, inúteis como o Jean Cousteau, seres que só nos entristeceram como o Eça, o Saramago, o Vasco Graça Moura, a Amália, o Eusébio e outros mais. Selvagens!
E nos vivos? a Marisa, o Herman, o Elísio Sumeaville, o Padre Milícias (oh senhor meu Deus) a Alice Vieira, o Zambujo, o Moita Flores, o Ribeiro Castro, o João Soares, o Moisés Espírito Santo, o Jorge Sampaio, o António Costa e…calcula, até o presidente dos afectos, Marcelo Rebelo de Sousa…
Não hesites, corta-lhe o pio…
E se o Provedor de Justiça e o Provedor dos telespectadores, vierem dizer, como já disseram, que proibições dessas só com lei expressa, não lhes ligues.
Proíbe, pá, proíbe, que a Assembleia não representa nada, com excepção do pan, claro.
Não esperes para ver se algum deputado das causas fraturantes, tem coragem para propor a proibição da transmissão e a realização de touradas e largadas.
Essa treta das leis e do respeito pelos direitos constitucionais dos outros, só deve ser invocada quando nos convém…
Eu continuarei a pagar-te o ordenado. Pontualmente !
Lavas-me à bancarrota? Que importa?
Educarás o povo e ficarás na história.
Tu ignoras, mas eu conto-te, a inquisição demorou muitos anos a ser instituída em Portugal, porque era precisa uma autorização papal, para proibir os cultos, os credos e os livros.
Tu nem precisaste de Bula.
O Torquemada e o dom João III eram uns fraquitos, nada proibiram, enquanto não a tiveram na mão. Tu és a lei !
A Arminda vai ter orgulho em ti.
E eu.
Olé !”

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