Crónica do Festival Taurino em Sobral de Monte Agraço

No passado dia 25 de Abril teve lugar no Sobral de Monte Agraço o tradicional festival do 25 de Abril, mais um ano marcado pela aposta no toureio a pé, como ja é habito, e pela presença de jovens figuras. Foi também assinalado por uma merecida homenagem a Ricardo Chibanga, famoso matador de toiros Português, nascido em Lourenço Marques a 8 de Novembro de 1942, foi o primeiro toureiro Africano que pela sua valentia e valor, sendo reconhecido e admirado tanto em praças nacionais como lá fora.

A corrida iniciou-se com três quartos de casa, com cartel anunciado de Manuel Ribeiro Telles Bastos, Luis Rouxinol Jr, Manuel Jesus ‘El Cid’, António João Ferreira ‘Tó-Jó’, Juan Leal e Manuel Dias Gomes para touros de Calejo Pires. Pegou o grupo de forcados de Coruche.

Nas cortesias deu-se um minuto de silêncio em memória do toureiro Sebastian Palomo ‘Linares’, figura máxima do toureio e o último a cortar um rabo em Las Ventas, falecido no passado dia 24 de Abril.

O primeiro novilho cabia a Manuel Telles Bastos, que viu a sua actuação adiada, uma vez que o Novilho se desembolou à saída. Assim sendo, abriu praça Luis Rouxinol Jr., frente a um novilho alegre nas investidas, fixo e com mobilidade, o jovem cavaleiro teve um bom inicio de lide, cravando três bons compridos, destacando bonitos ladeares na preparação dos ferros e uma boa brega nos remates. Nos curtos a lide veio de mais a menos, Rouxinol aproveitou as qualidades do seu oponente que humilhava com classe e nobreza, que lhe permitiu cravar alguns ferros vibrantes, contudo, os últimos ferros foram excessivos, no cavalo russo, permitindo toques e não acrescentando nada à lide. Ainda que com alguns altos e baixos, Luis Rouxinol Jr. conseguiu construir um lide de nota positiva em frente a um bom novilho.

À cara do Novilho foi Miguel Lucas, que após duas tentativas acabou por pegar à terceira, com uma boa primeira ajuda. O forcado perante uma investida pronta e com velocidade tem que recuar mais ou com velocidade ajustada, templada à investida e faltou isso.

Já embolado, saiu à praça o segundo novilho da tarde. Embora bem apresentado mas com menos mobilidade que o anterior e mais manso, Manuel Telles Bastos cravou dois compridos, de frente e ‘en su sitio’, acabando o novilho por encostar o ginete da Torrinha à trincheira. Nos curtos, mostrou que não vem para brincar e acabou por firmar uma lide correcta e clássica, como já é seu apanágio, em frente a um novilho que não transmitia e por vezes se emparelhava ao cavalo. Lide com pouca ligação ao público.

Para a pega foi o forcado Vasco Gonzaga, na primeira tentativa o vasco não foi ajudado da forma mais correcto, veio fechado por baixo até aos terceiras. Na segunda não se sacou quando o novilho lhe adiantou o piton direito, acabou por pegar à terceira tentativa com ajudas.

Já de Burladeros em praça, dá-se inicio à parte apeada da corrida. Bonito, de apresentação, saiu o terceiro novilho da tarde. Logo no capote, por verónicas, El Cid apercebeu-se das qualidades do seu oponente. Nobre, com ritmo, qualidade de investida e metendo bem a cara. El Cid, com toda a sua humildade de figura do toureio iniciou a faena de no Sobral de Monte Agraço, parecendo que estava numa praça de primeira. A nobreza do toiro permitiu um bom inicio de faena, que se acometia à muleta repetindo e investindo, contudo justinho de forças, mas que o Maestro soube entender e quando parecia estar a deixar-se ficar, El Cid encurtou as distancias e não desistiu, desenhando assim uma faena de referência por derechazos, mas sobretudo por Naturales, piton para o qual o novilho humilhava com maior profundidade. As qualidades do novilho concederam-lhe o indulto.

O quarto da tarde era um novilho que pedia contas. António João Ferreira recebeu o novilho com um farol, seguido de verónicas, oferecendo um quite a Juan Leal, que o executou por Gaoneras. Após brindar a faena a Ricardo Chibanga, iniciou a faena por derechazos, encontrando algumas dificuldades no seu astado que soltava a cara, protestava e que tinha alguma falta de recorrido, contudo, e resultado do bom momento que atravessa, acabou por sacar algumas tandas que chegaram às bancadas.

Juan Leal, toureiro Francês que mora em Sevilha, tem vindo a demonstrar de dia para dia que está preparado para dar o salto e ser figura, e no Sobral não foi excepção. Frente a um novilho que logo no capote criou expectativas nas bancadas, ofereceu um quite a Manuel Dias Gomes que o executou por Chicuelinas e logo a seguir terminou Juan Leal por Lopecinas. Após brindar a Ricardo Chibanga, Juan Leal inicia aquela que seria a faena da tarde. Diante de um novilho nobre, cumpridor e com mobilidade, o matador de toiros soube aproveitar as qualidades do seu oponente, que se acometia à muleta, repetia e investia com profundidade, permitindo o matador, e o público, desfrutar do seu toureio templado, tanto por Naturales como por Derechazos. Faena de valor do matador Francês, que devido à nobreza do toiro, que só via a muleta pôde tourear por cercanías, em que os pitons quase lhe roçavam as pernas, desenvolvendo tandas de nível elevado, algumas terminando em arrimones. Acabou por dar duas voltas à arena, sendo a segunda acompanhada pelo Ganadeiro Francisco Calejo Pires.

Manuel Dias Gomes, o 40º matador de toiros Português não teve tanta sorte no seu lote! Apesar da apresentação logo no capote deu ares de ter um galope um pouco desquadrilhado. Após ter brindado a Amadeu dos Anjos, Manuel Dias Gomes provou que atravessa um bom momento, sacando uma faena de valor a um toiro difícil, com pouca qualidade, e por vezes alguma falta de recorrido, que com bastante entrega conseguiu sacar tantas de nível elevado. No final da faena já com o touro na querença da porta dos curros, conseguiu uma tanda de naturais metidos e arrimados, tirando tudo o que restava ao novilho, limitado pela condição física.

 

foto: Armando Alves

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