Crónica do Festival Bullfest

A data de 18 de Fevereiro de 2017, ficou marcada pelo inovador festival taurino promovido e organizado pela federação Prótoiro.

O espectáculo, a que “polemicamente” se designou Bullfest, contemplava um dia totalmente preenchido com várias actividades e entretenimento para todas as idades.

A festa começou bem cedo pela manhã, com exibições na arena com a tourinha de toureio a cavalo, toureio a pé e pegas pelo grupo da casa, enquanto no exterior da praça decorriam baptismos a cavalo e os mais novos brincavam numa monumental insuflável.

O ambiente que se viveu nesta primeira parte do dia, abriu o mote para que várias crianças e adultos experimentassem pisar a arena, recriando as várias sortes com a tourinha, animados ao som da «Charanga Rambóia».

Nos corredores foram sucedendo teatros de marionetes e cante alentejano, enquanto no salão nobre houve fado e a apresentação mundial do filme «Torrinha».

 

Às 17 horas iniciou-se o aguardado Festival Taurino registando mais de meia casa nas bancadas.

O primeiro novilho da tarde pertenceu à ganadaria Eng.º Luís Rocha. Sem apresentar querenças, com mobilidade e colaborante em linhas gerais, pecou pela falta de transmissão e raça.

Foi lidado a duo pela dupla luso-espanhola Rui Salvador e Manuel Manzanares que abriram o espectáculo com boa brega e ferros de nota positiva.

Para a primeira pega da tarde perfilou-se Ricardo Cardoso, conterrâneo da ganadaria em praça. Foram seis tentativas. Algum nervosismo do cabo dos Amadores de Monsaraz e uma reunião difícil (em que o oponente adiantava um piton), impediram a concretização. Lesionado no ombro, foi dobrado pelo cabo da seleção João Grave (Amadores de Santarém) que com serenidade concretizou ao seu primeiro intento.

 

Com a divisa alentejana de Pinto Barreiros saiu o segundo novilho da tarde. As qualidades que viriam a verificar-se ao longo da lide desde logo ficaram apontadas nas primeiras investidas no capote. Cumpridor e alegre, não apresentou crenças nem dificuldades aos cavaleiros.

Com tais qualidades consertaram Luís Rouxinol e Filipe Gonçalves uma interessante lide. Vários ferros de reunião garrida e  vistosa brega adornada com os desenhos das montadas em sintonia, reuniram o consenso e entusiasmo do público.

O cabo dos Amadores de Redondo, Hugo Figueira fez tudo correctamente e concretizou uma brilhante pega ao primeiro intento, com uma monumental primeira ajuda de Pedro Coelho dos Reis (Aposento da Chamusca) que levantou a praça que o viria a forçar a dar a volta com o forcado da cara.

 

O terceiro da ordem foi um novilho com o ferro Francisco Romão Tenório. Saiu à praça com alegria, humilhando nos ferros e com um bom tranco de galope transmitiu e imprimiu ritmo.

António Brito Paes e Francisco Palha tiveram distintos bons momentos. O primeiro destacou-se na soberba equitação e o segundo pintou o melhor ferro da tarde.

Márcio Chapa, cabo dos Amadores da Tertúlia do Montijo, só consumou à terceira tentativa mercê das dificuldades que lhe foram impostas pela configuração baixel da córnea.

 

A segunda metade do festival foi dedicada ao toureio a pé.

 

Para dar início, saiu à praça um exemplar da ganadaria Murteira Grave de bonita apresentação.

David Fandilla ‘El Fandi’ recebeu-o por verónicas. António João Ferreira saiu ao quite por tafalleras e chicuelinas rematando de rodillas. Fandi, como já nos habituou bandarilhou alegremente o toiro, ganhando bem o píton!

Na muleta, El Fandi aproveitou as qualidades do oponente, que, pelo píton direito investia com raça.

 

Da ganadaria de Manuel Veiga saiu o quinto da tarde que António João Ferreira recebeu à porta gaiola. Depois de um bom quite de Manuel Dias Gomes por chicuelinas de mão baixa, bandarilharam Tiago Santos e João Ferreira. Destacou-se o sonante par do irmão do diestro, que colheu ovação das bancadas.

Na muleta o toiro foi de mais a menos e  “Tó Jó” soube respeitar as distâncias do oponente, não lhe baixando também demasiadamente a mão, uma vez que o novilho protestava no final dos muletazos. Tudo somado alcançou saldo positivo.

 

O sexto era de Torre de Onofre. De olhar vivo e a investir engraçado, colheu o agrado do público e foi aplaudido à chegada pela soberba apresentação. Embora com a classe que caracteriza a linha Maribel Ibarra de que procede, decepcionou pela falta de força.

Foi bandarilhado por Diogo Vicente e Cláudio Miguel (que se destacou num sublime par). Manuel Dias Gomes exaltou confiança, temple e maturidade na composição do compasso que o novilho pedia. Terminou a faena com desplantes de grande proximidade, que deliciaram a afición presente.

 

Mesmo para terminar, a demonstração de recortadores «Arte Lusa». Arte bastante apreciada no público em geral pela destreza com que os atletas evitam as colhidas. Efectuaram variadíssimos tipos de recortes que chegaram às bancadas com muita emoção, nota também positiva para o toiro da Casa Prudêncio que demonstrou bastante mobilidade, arrancando-se de longe e não desenvolveu muitas crenças.

Saldo positivo desta primeira edição do Bullfest, esperando que se repita em 2018.

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