Crónica do Concurso de Pegas no Campo Pequeno

A nocturna do dia 3 de Agosto 2017, marcou o início da segunda parte do abono na Praça do Campo Pequeno. Uma noite que era de homenagem ao emigrante e exaltação à figura do Forcado Amador.

Na lide do primeiro toiro da corrida Rui Fernandes esteve bem, num toiro que não transmitia muito andou empenhado em dar-lhe a volta das mais variadas formas, demonstrou muita vontade de triunfar e o público reconheceu isso.

No seu segundo toiro começou a preparar o terreno para o que ai vinha logo nos ferros compridos, rematando com piruetas na cara do toiro.

Na ferragem curta, o Maestro da Caparica veio com ganas de triunfar.

Esteve à moda antiga, parecia que o tempo tinha andado para trás e estávamos a vê-lo nos seus primeiros tempos.

Dançou a “lambada” na cara do seu oponente, pisou terrenos de compromisso e cravou ferros de verdade, terminando com um ferro de palmo que pôs toda a praça a aplaudir de pé.

 

No seu primeiro toiro, Filipe Gonçalves cravou a ferragem da ordem de forma correcta, cravou ao piton contrário rematando com piruetas.

Na sua segunda lide, o Furacão do Algarve esteve mais alegre e vivo e vinha com vontade de “pisar os calos” a Rui Fernandes.

Cravou ferros emocionantes, citando de praça a praça, com fortes batidas ao piton contrário.

Sofreu um pequeno percalço quando se preparava para cravar um par de bandarilhas, sendo obrigado a trocar de montada, para ir buscar o seu famoso cavalo que “bate-palmas”, muito acarinhado pelo público, terminando com um bom ferro violino.

 

Francisco Palha teve pormenores muito bons.

Esteve muito sereno, cravou bons ferros, “mexeu” nos seus toiros, levando-os para os terrenos onde entendeu que poderiam proporcionar ferros mais emocionantes.

No final da sua primeira lide o toiro “engatou” um corno numa perna do cavalo, mas felizmente não houve consequências de maior.

Com o seu cavalo dos curtos tanto citou de praça a praça como citou de perto, com batidas ao piton contrário, cravando bons ferros e demonstrando que sabe bem o que anda a fazer em praça.

No seu segundo toiro deu uma volta à praça a galopar em duas pistas com o toiro no seu encalce, fazendo o público vibrar.

Fez algumas passagens em que poderia ter colocado bons ferros e teve a infelicidade de falhar aquele que seria um ferro muitíssimo bom. Fez quase tudo bem, faltou um bocadinho de sorte. Está no bom caminho.

 

Pelos Amadores do Montijo foram forcados da cara Hélio Lopes e José Pedro respectivamente.

Hélio Lopes fez tudo bem, pegou como mandam as regras desde o início ao fim. Citou de largo, carregou no momento certo, o toiro teve uma investida franca, o forcado recuou e reuniu bem, o grupo ajudou em bloco.

Esta pega foi eleita para o prémio de “Melhor Pega”, em disputa nesta noite.

José Pedro que na primeira tentativa não reuniu da melhor forma, resolveu à segunda tentativa. O forcado teve alguma dificuldade em que o toiro arrancasse para a pega, fazia falta dar um passinho mais à frente, pormenor que pode ser facilmente corrigido e pode fazer toda a diferença.

 

Pelos Amadores do Barrete Verde de Alcochete foram escolhidos Marcelo Lóia e Diogo Amaro para pegar os toiros que lhes calharam em sorte.

Marcelo Lóia (Cabo), forcado de créditos firmados, autor de uma das grandes pegas deste renovado Campo Pequeno. Mais uma vez esteve correcto, reuniu na perfeição e fez uma boa pega à primeira tentativa, tendo o grupo ajudado bem.

Diogo Amaro citou de largo, carregou com convicção e apercebendo-se que o toiro não arrancava, carregou novamente com a mesma convicção, mostrando que estava ali para o pegar, quer este o quisesse ou não. O forcado recuou e reuniu bem, tendo aguentado fortes derrotes, sendo que ajudas não conseguiram entrar no tempo certo, o que tornou a tentativa mais espectacular. No entanto quando tudo parecia consumado, o toiro tirou o forcado da cara. Consumou a pega ao segundo intento, onde esteve outra vez enorme. Citou de largo, carregou com ganas, recuou, reuniu e novamente aguentou derrotes fortíssimos até que o grupo conseguisse fechar com alguma dificuldade.

Foi uma pena não ter sido à 1ª tentativa, mas estes toiros pedem muita coesão nas ajudas e isso não aconteceu nem na 1ª nem na 2ª, fica de registar a alma gigante deste “pequeno grande Forcado”.

O público exigiu que desse várias vezes a volta à arena, facto pelo qual foi premiado com a saída em ombros pela porta grande, no final da corrida. Provavelmente se tem dado a 2ª (meia volta) sozinho, apenas daria as merecidas duas voltas, pois o público demonstrou convicto que queria o forcado sozinho na arena. Há quem esteja de acordo, há quem critique, mas esta já ninguém lhe tira. Mais um caso sobre a Porta Grande da 1ª praça do país.

 

Os Amadores de São Manços tiveram uma boa prestação, tendo consumada as suas duas pegas à primeira tentativa.

Para a cara do seu primeiro toiro foi João Fortunato (Cabo). O toiro arrancou assim que viu o forcado, recuou e fechou-se bem, tendo o grupo ajudado bem.

Para a segunda pega foi escolhido o forcado Jorge Valadas. Citou de largo, carregou no momento certo, recuou e fechou-se bem na cara do toiro, os ajudas entraram no momento certo. Uma boa pega.

 

 

 

 

 

 

 

foto: campopequeno

 

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