Crónica da Corrida de Toiros Ovibeja

Segunda-feira dia 1 de Maio e não sábado como manda a tradição, realizou-se a tradicional corrida Ovibeja, tendo sido este talvez o principal motivo para que as bancadas não passassem da meia casa.

Cartel arrojado, com motivos mais do que suficientes para que a expectativa fosse elevada, se por um lado estava anunciado uma das principais figuras do País vizinho (Andy Cartagena), por outro tínhamos um cavaleiro Português mas com forte influência espanhola (Francisco Palha), um regresso a Portugal após vários anos de ausência (Mónica Serrano) e um amador com fortes ligações à cidade de Beja (Joaquim Brito Paes), 3 grupos de forcados amadores (São Manços, Cascais e Beja), um curro de toiros Vinhas díspar de apresentação para os cavaleiros de alternativa e um Varela Crujo para o amador.

A elevada expectativa resultou em desilusão, quando se trata de uma data tão importante no calendário nacional como é Beja, tem de haver uma melhor interpretação das qualidades dos intervenientes e se encaixam na exigência desta praça, bem como a falta de respeito que aconteceu perante público e artistas aquando uma volta de agradecimento, onde se regava ao mesmo tempo a arena.

Vamos aos factos, a corrida inicia com um sentido minuto de silêncio ao malogrado cavaleiro da terra Luís da Cruz, que a empresa e bem não deixou passar em claro. Abriu praça Andy Cartagena com um toiro a acusar na balança 455kg com pouca cara à imagem dos restantes irmãos de camada, na retina ficou-nos dois violinos e o excesso de capotazos durante toda a lide a um toiro colaborante. Na sua segunda lide perante um astado de 555kg que nos pareceu limitado na mão esquerda, um desacerto completo, várias passagens em falso, algumas tentativas a picar o toiro sem conseguir deixar o ferro numa sorte de violino, um ferro ou outro mais bem conseguido mas muito muito pouco para um cabeça de cartaz com os pergaminhos do rejoneador, não deixou saudades nesta passagem por Beja.

Francisco Palha perante um toiro com 450kg arriscou uma sorte gaiola e bem, excelente ferro comprido bem como o que se seguiu, este início prometia, foi trocar de montada para numa sorte cingida conseguir outro ferro de boa nota, mas não muito mais conseguiu fazer de registo, lide regular mas que nos deixou a pensar que faltou alguma chama. No seu segundo com 550kg iniciou com uma ferragem comprida regular e um curto de boa nota onde o toiro emprega-se vindo à casaca do cavaleiro, alguns momentos de toureria mas nunca rompendo como pretendia seguramente fazer.

O terceiro cavaleiro a entrar em praça foi a desilusão da tarde, Mónica Serrano não nos parece preparada para ombrear com a maioria dos cavaleiros de alternativa Portugueses. Começou perante um toiro de 540kg, onde teve alguma dificuldade em cravar a ferragem da ordem conseguindo no entanto um ferro de boa nota numa sorte cambiada no cavalo da casa Hermoso de Mendonza. No seu segundo com 480kg, uma lide para recordar no mau sentido, ainda mais dificuldades em cravar a ferragem da ordem, e sabe Deus como o conseguiu, há que repensar bem as suas ambições.

Para último ficou o melhor da tarde Joaquim Brito Paes, superiormente bem montado como é timbre da casa Brito Paes enfrentou um Varela Crujo com 380kg, novilho bem apresentado e o melhor da tarde colaborando para que a lide resultasse redonda. Com sítio, comunicativo com as bancadas, interpretou todos os tempos do toureio, preparou os ferros com conhecimento dos terrenos e cravou-os “en su sitio”, o único que chegou verdadeiramente ao público sem precisar de números circenses como moleta.

Para as pegas São Manços, Cascais e Beja.

Abriu o sector das pegas São Manços através de Manuel Vieira, na 1ª tentativa o toiro ensarilhou dificultando a reunião e saindo solto, na sua 2ª tentativa com o 1º ajuda mais em curto realizou uma boa pega com o grupo a ajudar bem. Para o 2º toiro da formação alto-alentejana e 4º da tarde perfilou-se Rui Pelado, realizando uma boa pega e consequente boa 1ª ajuda de Luís Teles.

Por Cascais bateu as palmas ao seu 1º da tarde e 2º da corrida Marco Baião, na 1ª tentativa o toiro sai solto e a reunião resultou deficiente, na 2ª tentativa consegue aguentar a viagem mas no sítio das terceiras, sai falhando aqui as ajudas, pega consumada à 3ª tentativa resultando rija. No 5º da tarde Ventura Doroteia cita sereno como é seu timbre mas após o ensarilhar do toiro não consegue reunir em condições, na 2ª e 3ª tentativas não entende bem o oponente e precipita-se, com este a exigir que recuasse bem e falasse ao mesmo tempo, efectivou à 4ª numa sorte sesgada mas que resultou igualmente rija, com o forcado da cara a mostrar braços de ferro.

Por Beja abriu Miguel Sampaio o 3º toiro da corrida que se encontrava inteiro, após reunião muito dura e brusca o forcado não aguenta a investida e sai, na 2ª tentativa nova reunião dura mas com o grupo a facilitar e a não ajudar da melhor forma, na 3ª tentativa e já muito inferiorizado fisicamente não vira a cara à luta mas não reúne bem e sai de imediato, à 4ª tentativa e já em curto resolve a papeleta com muito crer e vontade. Quanto a nós recuando mais nas primeiras tentativas, poderia ter aliviado a dureza da reunião e a pega resultar de outra forma.

Para o 6º da tarde o cabo escolheu Ricardo Castilho, este citou com classe, toureou, carregou, mandou vir, reuniu exemplarmente e com uma ajuda de grande nível de João Graça efectivou à 1ª tentativa, Ricardo tornou tudo simples, quando assim é as coisas só podem resultar bem, boa pega e muito aplaudida.

Para fechar a tarde um misto dos 3 grupos, onde João Rosmaninho com a jaqueta de São Manços fechou à 1ª tentativa.

Dirigiu Agostinho Borges muito benevolente nalgumas voltas, coadjuvado pelo médico veterinário Carlos Santana, abrilhantou a corrida a Banda Filarmónica do Capricho Bejense.

Com a sabedoria, seriedade e experiência da empresa da praça com certeza que em Agosto podemos augurar outra verdade que os pergaminhos desta praça exigem.

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