Crónica da Corrida Flash no Campo Pequeno

Desde o início que faço parte do projecto Tauronews, e julgo que até hoje fui o único dos meus “colegas” que ainda não me tinha estreado na escrita. Ou por falta de disponibilidade ou por não me sentir à vontade para tal. Mas como esta corrida era com o meu Aposento da Moita, tenho todo o gosto em fazer o meu debute.

Campo Pequeno – Corrida de toiros da revista Flash 6 de Julho 2017

Cavaleiros Jacobo Botero Parreirita Cigano

Matadores: El Fandi Juan del Álamo

Forcados: GFA Aposento da Moita

Ganadaria: Falé Filipe

Poderá haver vários factores para explicar a fraca afluência de público nesta nocturna. Cerca de ¼ de casa compuseram as bancadas da Catedral do Toureio a Cavalo, num dia que choveu, numa noite onde havia um festival em simultâneo na mesma cidade e quando na semana seguinte haverá uma das corridas mais redondas do Abono lisboeta. Um Cartel com dois jovens cavaleiros a quererem afirmar-se e com dois matadores, um já consagrado El Fandi e Álamo a viver um momento cumbre na sua carreira, após a recente porta grande na Monumental de Las Ventas. Na minha opinião não é um cartel que a afición nacional deseja ver na 1ª praça do país e isso foi o factor mais preponderante que explica a fraca casa obtida.

Abriu praça o Rejoneador Colombiano Jacobo Botero, que depois da boa prestação obtida na corrida anterior, não conseguiu replicar a mesma. Frente a um Falé Filipe de 556kg, andou irregular com 2 ferros curtos de boa nota e alguns toques na montada. Lide sem história e sem música.

O jovem Cartaxeiro, Parreirita Cigano ainda na ressaca da alternativa toureou à imagem da semana passada um toiro de 590kg. Também ele não conseguiu replicar a excelente actuação que o meteu neste cartel, andou desligado com meros apontamentos positivos numa lide que escutou música mas não chegou ao público.

Para pegar o primeiro toiro da noite foi escalado o cara Rúben Serafim, forcado do meu tempo, que mostrou muita coesão na temporada passada, culminada com uma excelente pega na corrida TV. Mas desta vez as coisas não correram tão bem, apesar da confiança demonstrada pelo Ruben não conseguiu mandar no toiro, saindo este solto com o forcado a carregar a sorte fora de tempo o que descompôs a 1ª tentativa. Na 2ª tentativa o toiro mete a cara de forma violenta com o Rúben a sair projectado, a meu ver podia-se ter sacado ligeiramente mais, para tirar aquela primeira mangada do toiro. À 3ª resolveu com ajudas carregadas.

A última pega da noite do Aposento da Moita foi executada por Leonardo Mathias. Este forcado está a passar um momento de forma incrível, o chamado forcado atleta e mais uma vez comprovou que a boa condição física ajuda. Na primeira tentativa esteve como um forcado deve estar, calmo (à sua maneira), confiante, com um bonito cite e a mandar no toiro. Reuniu bem, fechando-se e aguentando uma viagem dura com o toiro a derrotar forte até às tábuas, acabando por sair por falta de ajudas. Estes toiros pegam-se muitas vezes nas 3ªs ajudas e isso não aconteceu. Acabou por pegar à 3ª tentativa, com uma ajuda do grande 1ªs Bernardo Cardoso.

Ambos os forcados da cara do Aposento da Moita não deram volta à praça. Resta agora corrigir os erros e voltar a estar bem tal como na passada corrida da Moita.

Na parte apeada David Fandila ‘El Fandi’, mostrou no primeiro toiro uma vez mais toda a sua destreza no capote e nas bandarilhas. É sem dúvida um “atleta”, bandarilha com uma facilidade tremenda, com dificuldade acrescida de em Portugal não existir a sorte de varas. Na muleta cumpriu não rompendo. No segundo toiro fica na retina mais uma vez o tércio de bandarilhas e a entrega do diestro num toiro pouco colaborante.

Juan del Álamo a atravessar um momento importante chegou ao Campo Pequeno com ganas de triunfo, ganas essas travadas pelo 4º toira da ordem que pouco ou nada tinha para espremer. Até que dos curros saiu o 6º da noite… um toiro notável de apresentação, harmonioso a meu ver o mais bonito do curro de Falé Filipe, ferrado com o nº 228 de seu nome Dominante, bravo de verdade, colaborante e humilhando nas sortes. Álamo abriu com uma série de verónicas que desde logo mostraram que iria ser a faena da noite, de muleta arrancando bons passos ao piton esquerdo, aproveitando as boas investidas do bravo oponente. Boa faena de Álamo onde mais uma vez se denotou a falta que faz a sorte de varas no toureio a pé. Um jovem a ter em conta, com um toureio que ninguém fica indiferente. A mim voltou-me a despertar o interesse a voltar a seguir o toureio a pé.

 

 

 

 

 

foto: Campo Pequeno / Frederico Henriques

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