Crónica Corrida de Toiros da Póvoa do Varzim

Num fim-de-semana onde muitas das principais praças do País iniciam as suas temporadas, a Povoa do Varzim deu o mote engalanando-se, recebendo assim os aficionados do Norte e todos aqueles que seguiram em suas casas a primeira corrida TV da temporada 2017.

Um cartel diversificado e de extrema competição, com dois prémios em disputa: melhor lide a cavalo e melhor pega.

Fizeram as cortesias António Ribeiro Telles, Luís Rouxinol, Filipe Gonçalves, João Moura Caetano, Marcos Bastinhas e o novel cavaleiro de alternativa Luís Rouxinol Jr., para pegar os Grupos de Forcados do Montijo e de Alcochete e um curro de toiros de Mário Vinhas e Herd. de Manuel Vinhas de encaste Santa Coloma com apresentação quanto baste.

Abriu a noite o cavaleiro António Ribeiro Telles, pela frente um toiro de nome Ranchero II que acusou na balança 520kg, nos compridos andou regular, depois foi buscar o cavalo Santarém e iniciou a série de curtos com um excelente ferro que chegou às bancadas, o toiro apresentava-se distraído mas António tentou andar sempre ligado e acabou por cravar mais dois bons ferros, terminou com um ferro onde o toiro derrotou ao nível da garupa do cavalo, deixando bom ambiente na monumental do norte.

No capítulo das pegas abriu a noite os Amadores do Montijo através do experiente Hélio Lopes, à 1ª tentativa com o grupo a ajudar bem.

Luís Rouxinol teve pela frente o toiro de nome Sogero com 520kg de peso, o toiro mostrou alguns comportamentos de registo, começou algo sonso mas após o segundo comprido abriu, indo a mais e permitindo uma série de bons ferros, quando Rouxinol já toureava na célebre égua Viajante. Termina com um ferro “violino” depois de cravar um bom par de bandarilhas, boa lide e o público gostou.

Pelos Amadores de Alcochete saltou à arena Pedro Gil, citou com classe e mandou na sorte, boa pega com o grupo a ajudar bem.

Filipe Gonçalves teve a responsabilidade de fechar a primeira parte da corrida frente a um toiro de seu nome Regedor e com 510kg. Este toiro de uma nova linha da ganadaria debutava em Portugal e meteu em estado de sítio quem se encontrava na trincheira pois saltou-a por duas vezes. Aqui não nos pareceu querer fugir ao castigo visto não ter sido ainda cravado, de qualquer forma este comportamento pode ter hipotecado a sua atitude na lide. Depois da ferragem comprida ter resultado regular, Filipe foi buscar o cavalo Universo para colocar alguns ferros ao píton contrário, mas foi já com o Chanel que através da mesma sorte colocou o seu melhor ferro, fazendo com que o público voltasse a vibrar nas bancadas, terminou com o famoso cavalo Xique (bate palmas) cravando um ferro “violino” rematando com uma pirueta na cara do toiro.

Para a pega desta vez os Amadores do Montijo, o escolhido foi Rúben Prata. Na 1ª tentativa o forcado recebe mal o toiro e sai de imediato, não estando em condições de tentar uma 2ª tentativa o cabo Ricardo Figueiredo deu o exemplo e foi para a dobra. O forcado reúne bem com a primeira ajuda a entrar na altura certa mas o forcado da cara acaba por sair junto a tábuas, houve alguma falta de prontidão nas ajudas. Consumaram à 3ª tentativa e já com o primeiro ajuda a receber ao mesmo tempo.

A abrir a segunda parte da XXI corrida TV Norte, João Moura Caetano, depois de um brinde emotivo à sua irmã saiu-lhe em sorte um toiro de 530kg de nome Mata-Índio também este da nova linha da família Vinhas. Depois de estar bem nos compridos, foi buscar a estrela da companhia de seu nome Temperamento e inicia a série de curtos com um bom ferro, depois e sempre através de sortes ao píton contrário colocou ferros que resultaram emotivos, apesar de nem sempre a reunião fosse como mandam as regras. O melhor ferro da ordem e foi o quarto que chegou com força às bancadas, terminou com um bom ferro em sorte cambiada. Boa lide, sempre muito ligada na preparação das sortes bem como no remate das mesmas.

Para este toiro um forcado de dinastia, Manuel Pinto fez tudo bem, boa pega com o grupo mais uma vez a ajudar de forma muito eficiente.

O quinto toiro da noite de seu nome Zorrilo e com 535kg de peso foi toureado por Marcos Bastinhas. Saiu-lhe em sorte um manso de onde muito não havia a tirar, regular nos curtos, termina com um bom par de bandarilhas já montando o cavalo Cartier.

Adivinhava-se dificuldades na pega, João Paulo Damásio dos Amadores do Montijo foi a escolha do cabo para este toiro, cita para uma primeira tentativa de levantar praça, recebe mal sem recuar o suficiente mas aguenta a “muita pata” do toiro, embatendo em tábuas, continuando a lutar sozinho para ficar na cara, mas ingloriamente e com falta de ajudas é despejado. Com o grupo já em curto, com uma primeira ajuda carregada e algumas ajudas extra, a pega é efectivada à 2ª tentativa. De salientar a chamada à praça do primeiro ajuda Luís Alves.

Para encerrar a noite Luís Rouxinol Jr. que na véspera se doutorou na primeira praça do País. Enfrentou o mais pesado e o pior da noite com 540kg, toiro manso constantemente a procurar tábuas. Após a cravagem comprida, foi buscar o Douro para tentar dar a volta ao seu oponente, não teve outra alternativa senão cravar os ferros em sortes sesgadas. O público valorizou o labor do jovem cavaleiro de Pegões que deu tudo e emprestou toda a sua irreverência e garra à lide, mas não era possível mais frente a este manso.

Para encerrar o capítulo das pegas foi escalonado Gonçalo Catalão, começou a citar de trás dando todas as vantagens ao toiro, carregou, a reunião resultou deficiente, mas aguentou um primeiro derrote forte com o grupo a estar perfeito e em “su sitio” a fechar uma rija pega.

Em noite de prémios, João Moura Caetano ganhou o prémio da melhor lide a cavalo, podendo este quanto a nós também recair em Luís Rouxinol, quanto à melhor pega o júri escolheu a última efectuada por Gonçalo Catalão ao sexto e último toiro da noite. Corrida bem dirigida pelo Sr. Francisco Calado perante 3/4 de público.

 

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