Crónica 5º Festejo em Olivença: Morante de la Puebla, José Maria Manzanares e Roca Rey

Cartel de Domingo de Ressurreição em Sevilha, cartel que despensa apresentações e ambiente fantástico para a última do certame oliventino de 2017, mais ainda por não ter havido um triunfo rotundo, a esperança desta ser “A Tarde”, corria nas conversas de café e rua por toda Olivença.

Uma corrida de Victoriano del Rio, exemplarmente apresentada, talvez até um furo acima da categoria de Olivença, saindo em Sevilha, seguramente não seriam protestados por falta de trapío. Melhor os três primeiros, com mais fundo de casta e que vieram de menos a mais, nos três últimos, o efeito foi contrário.

Antes de resumir propriamente o espetáculo quero realçar, com destaque, a intervenção exemplar, disciplinada, categórica e espetacular da quadrilha de José Maria Manzanares, desde as sortes de varas de Paco María e Chocolate, à lide dos seus subalternos e as bandarilhas de Suso e Luis Blázquez, tudo foi perfeito, praça esgotada de pé a aplaudir merecidamente o labor da lide completa, como mandam os cânones, sem pressas, sem capotazos a mais, sem colocações descabidas, tudo perfeito, não é fácil para um toureiro que muda a sua quadrilha quase por completo e tinha aquela que para mim era a melhor (Chocolate – Curro Javier e Juan José Trujillo) e de repente perde os dois últimos, honestamente nem se notou a diferença.

Depois o labor de Carretero, mais uma vez Carretero, que umas horas antes, e às ordens de Marín, já tinha nos tinha ensinado tanto, agora sob o comando de Morante, deu mais umas pinceladas de torería.

No primeiro Morante consegue transmitir toda a sua estética em três verónicas, aquelas que o oponente permitiu. Na muleta após um começo incerto de investidas pouco uniformes, ainda conseguiu pregar-lhe uma série de derechazos, de mão muito baixa, metidos, que puseram a praça num clamor. Matou com facilidade, mas a faena não chegou a atingir o cume.

O quarto, seu segundo, protestava, sacou mais génio que fundo de classe e ainda assim Morante conseguiu tirar-lhe uma tanda de naturais antes de entrar a matar. Palmas.

Manzanares recebe o segundo da tarde com verónicas delicadas, o animal permitia, tinha investida de largo e templada.

Na muleta faltou qualquer coisa a touro e toureiro, muita estética, é verdade, mas que não acabou de convencer, estocada descaída, mas a orelha pendeu e caiu para o seu lado.

O quinto, um touro com menos condição, precisava de uma lide com pinças, a qual José Mari soube dar-lhe, mais uma vez ficámos com a sensação que falou algo, mas a estocada espetacular permitiu cortar a segunda orelha da tarde e garantir-lhe a Porta Grande.

Roca Rey assumiu-se claramente como um toureiro de valor, não por ser a maneira de se distinguir dos demais, que também o têm, e não por precisar, porque sabe tourear, mas para fazer frente à arte esquisita de Morante, à estética e tranquilidade de Manzanares, Roca apresentou o risco, o temor, o perigo, o toureio valente, apenas para que entendam o que escrevo, numa praça esgotada e aguentando um parón no peito, descomposto e descarado o único que não se mexeu foi o próprio Roca, as restantes pessoas estavam de pé e de credo na boca. Depois e como se nada tivesse sido, sem retificar, prega-lhe uma arrucina…Não está ao alcance de muitos. Daqui passou o touro por onde quis, por trás das costas, pela frente, pelo peito e até o poderia ter metido no bolso, a estocada defeituosa não impediu o corte das duas orelhas, pelo que havia feito. Porta Grande assegurada.

No sexto, seu segundo, um touro perfeito de hechuras, com uma condição frágil desde o princípio, mas com muito boas maneiras, rachou cedo, como ameaçou fazer, Roca tentou por todos os lados, já em tábuas, passando-o pelas costas, por onde ele queria, nada a fazer, a um touro parado, uma estocada baixa.

E assim terminou mais um fim-de-semana taurino, onde se reteve muito, pormenores, detalhes, e diferentes conceitos, novilhadas importantes, as corridas foram interessantes e sobretudo, o mais importante, as pessoas acudiram, sinal de vitalidade.

Artigos Similares

Destaques