Cortiça à tona de Água

Em dia de estreia, para a novel empresa da praça de toiros de Coruche, o desafio que se avizinhava, era de veras arrebatador, uma vez que se anunciava, um concurso de ganadarias, uma terna de cavaleiros de alternativa, composto pelas figuras de António Ribeiro Telles, Luis Rouxinol e João Salgueiro da Costa e os Grupos de Forcados Amadores, de Coruche e Alcochete, capitaneados respetivamente por José Macedo Tomáz e Nuno Santana.

A função teve inicio com o protocolar, minuto de silêncio, em memória, das vitimas do incidente terrorífico de Machester e também em memória do forcado fundador do Grupo de Forcados Amadores de Coruhe, António João , falecido  recentemente.

Os toiros  a concurso, por ordem de sorteio, foram os seguintes, S. Torcato, Canas de Vigoroux, Pinto Barreiros, Herdº de Cunhal Patricio, Vale Sorraia ,Branco Nuncio.

A António Telles, coube dar lide aos pupilos de S. Torcato e Herdº de Cunhal Patricio e pareceu-nos que o fez de forma consciente e conhecedora, tendo a plena noção das capacidades dos adversários e da forma com que podia chegar ao público, no entanto, nem sempre o seu labor foi entendido, pelo conclave, regateando-lhe os devidos aplausos.

Luis Rouxinol, coube-lhe em sorte, os exemplares de Canas de Vigoroux e Vale Sorraia e se no do Carregado, a lide foi redonda e emotiva, já no dos campos de Coruche, as coisa piaram mais finas e Luis teve que deitar mão a todas os argumentos, para chegar emotivamente ao publico, que reconheceu o seu esforço e o obrigou a colocar mais dois ferros de palmo, o que lhe valeu o prémio para a melhor lide.

João Salgueiro da Costa, vinha com ganas de triunfo, tentou tudo o que era possível, par dar lide aos exemplares de Pinto Barreiros e Branco Nuncio, e se no primeiro, as coisas,  nos pareceram ajustadas, já no segundo, em nossa opinião, sobrou toiro.

No capítulo das pegas estavam em concurso, dois dos mais conceituados Grupos de Forcados Amadores, os da terra, Coruche, naturalmente e os Amadores de Alcochete.

Por Coruche foram caras, Paulo Oliveira, bem à primeira tentativa a marcar todos os tempos da sorte e com o Grupo a fechar com eficácia, Rui Godinho (Peitaça), apenas a consumar ao terceiro intento, mais por culpa própria, não definindo com clareza os terrenos da reunião e a forma de se fechar e por ultimo Pedro Coelho, a reunir limpo e a consumar, à primeira com a destreza da primeira ajuda, que ao perceber que mais não podia fazer se deixou atropelar, muito estranhámos que a pedido do publico fosse chamado a dar volta, uma das segundas ajudas, que embora eficaz, entrou já com o toiro com a cara no chão, praticamente parado.

Pelos Amadores Alcochetanos,  foram solistas, Diogo Timóteo, à primeira tentativa, o Jovem António José Cardoso, ao segundo intento e Gonçalo Catalão, que ao primeiro intento, aguentando  uma viagem dura e veloz, onde os ajudas foram atropelados, todavia, os homens de trás, estavam atentos e permitiram a consumação da pega.

Dos prémios em disputa, para o Toiro de melhor, apresentação e toiro mais bravo, que levava o nome dos Manos Badajoz, António e Manuel, a decisão do júri recaiu nos exemplares de Canas de Vigourux, lidado em segundo lugar e do pupilo de Vale Sorraia, saído em quinto lugar. O prémio Tertúlias de Coruche , para a melhor lide a cavalo, recaiu em Luis Rouxinol, na lide do quinto da função e o prémio para o melhor Grupo, foi atribuído aos Amadores de Alcochete, na  sexta e ultima pega

O espetáculo  teve a direção de João Cantinho, assessorado pelo médico veterinário, Dr. José Luis Cruz e a participação do cornetim, José Henriques e da Banda da Sociedade de Instrução Coruchense e a duração de aproximadamente duas horas e  meia.

Coruche 27 de Maio de 2017

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