Corrida das Festas da Praia 2020

Decorreu sábado passado, dia 29 de Agosto, a denominada Corrida das Festas da Praia, este ano em data diferente da habitual e em circunstâncias anormais devido à pandemia que se faz sentir.

Difícil foi levar avante esta corrida, pela polémica desnecessária, causada pelo Diretor Regional da Saúde, Dr. Tiago Lopes, que após a realização do Festival dos Amadores do Ramo Grande, realizado a quinze deste mês e baseado apenas em vídeos, fotografias e comentários das redes sociais, decide unilateralmente proibir a realização de eventos tauromáquicos na Ilha Terceira e depois de confrontado com a realidade, disse o dito por não dito, autorizando a realização da mesma.

“Brianda” era o nome do cartaz, lindo por sinal, um dos mais belos e originais de que tenho memória, da autoria do fotógrafo terceirense André Pimentel.

Tiago Pamplona foi indiscutivelmente o triunfador da tarde na lide do primeiro da ordem, um bravo e nobre toiro da ganadaria continental de Monte Cadema, Tiago recebeu-o montado no “Gaúcho” destacando-se a brega que antecedeu um excelente ferro à tira, superiormente rematado. No segundo tércio opta pelo “Padilla” lidando com sentido e saber, bregando mexendo com o toiro, cravando de alto a baixo e ao estribo. Destaco o segundo ferro com o toiro em terrenos de querença natural e o último, de palmo com que finalizou a melhor lide da corrida.

No segundo do seu lote Tiago lidou um Rego Botelho com cinco anos, tendo obtido os melhores momentos, montando o “Bastinhas”, na cravagem do terceiro curto, antecedido por um terra a terra vibrante. Finalizou a lide com um violino que chegou às bancadas.

João Pamplona lidou o segundo da tarde, número sessenta e três de Monte Cadema, que mostrou debilidade no pé esquerdo, condicionando o desenrolar da sua lide. João recebeu-o montado no “Astro” com dois ferros compridos, sacando para o segundo tércio o “Hércules”, onde apontou momentos de grande beleza com adornos e passagens sem cravar de muita toreria. Destaco o terceiro da ordem em terrenos de compromisso primorosamente rematado por dentro.

No quinto da tarde, já noite, pertencente à ganadaria da Casa Agrícola José Albino Fernandes, destaco o segundo ferro comprido numa tira muito bem desenhada montando o “Astro”. Nos curtos, já com o “Jaguar”, o mais novo dos Pamplona andou irregular, consentiu alguns toques na montada, perdendo o centro da sorte resultando as cravagens a cilhas passadas.

Nuno Casquinha teve uma passagem muito discreta pela Monumental Ilha Terceira, sorte não teve com os exemplares de quatro anos que lhe coube em sorte, mas também não se arrimou e o público que preenchia meia casa, da nova realidade, merecia mais, muito mais. O primeiro que lhe coube em sorte de José Albino Fernandes, ficou sem história, era um manso sem recorrido e a procurar o vulto. Já o seu segundo, da ganadaria de Rego Botelho, tinha outra classe de investida e deixou-nos ver o matador português tourear por verónicas rematadas por meia. Cravou dois pares de bandarilhas, com destaque para o primeiro a quarteio. Na muleta iniciou a lide com ajudados pela esquerda e na terceira tanda pela direita e após passes isolados, conseguiu um passe com profundidade rematado com um passe de peito.

Pelos da Tertúlia Tauromáquica Terceirense pegaram Luís Sousa “Toni”, que citou com garbo, mandou no toiro e fechou-se à córnea com muita garra e valentia, concretizando ao primeiro intento na pega da tarde e Fabrício Rico que foi dobrado pelo colega Carlos Vieira, à primeira tentativa.

Foram solistas pelos do Ramo Grande Rui Diniz, numa primeira tentativa atípica a sesgo e à primeira tentativa e Luís Valadão também à primeira com o toiro a entrar pelo grupo dentro.

Uma palavra final de apreço à organização desta corrida pela forma como enfrentou de peito aberto todas as dificuldades que apareceram pela frente. Olé!

Texto: Duarte Bettencourt

Foto: Paulo Pires

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