Casa cheia nas Festas de Moura

Casa cheia nas Festas de Moura

  • Moura, 17 de julho 2022
  • Cavaleiros: Luís Rouxinol, Andrés Romero e Miguel Moura
  • Forcados: São Manços, Real de Moura e Beja
  • Ganadaria: Veiga Teixeira
  • Direção de Agostinho Borges assessorado por Matias Guilherme
  • Praça a 3/4 de lotação

A cidade das janelas floridas engalanou-se para receber mais uma corrida de toiros, integrada nas festividades em honra de Nª. Sra. do Carmo, esta que é já uma data de especial importância no calendário taurino nacional.

Um cartel montado com diversidade e para todos os gostos, o empresário José Maria Charraz apostou numa ganadaria exigente e de créditos firmados para satisfazer o exigente publico de Moura.

Os “Teixeiras” saíram com apresentação condizente com o nível da praça e rematados de carnes, mais bem apresentados o 5º e o 6º. O 1º toiro saiu reservado com arrancadas de manso, o 2º foi cumpridor na sua ação, o 3º foi codicioso, tinha chispa e foi voluntarioso, bom toiro. O 4º saiu reservado, o 5º complicado e com arreões de manso para colher, pediu o BI ao rejoneador. Para o fim ficou guardado o melhor da corrida, humilhava no capote, reagia ao castigo com alegria e foi franco na investida, bom toiro.

A abrir praça Luís Rouxinol em temporada que cumpre 35 anos de alternativa. Andou correto nos compridos, nos curtos desenhou algumas sortes ao piton contrário, terminando com um bom ferro de palmo. No seu 2º, perante um toiro que não o deixou fazer muito mais, numa lide intermitente, ficou registado um bom par de bandarilhas.

O espanhol Andrés Romero veio a Moura com ganas de triunfar e fez o que podia para agradar as bancadas. No seu 1º, mexeu com o publico com uma serie de ferros em curto a pisar terrenos de grande compromisso. No seu 2º, andou esforçado perante o toiro mais exigente da corrida, onde os erros e a displicência estavam muito longe de serem admitidos pelo seu oponente. O publico reconheceu o esforço do rejoneador e pediu mais um ferro, mas o Sr. Diretor assim não o entendeu, o que resultou num protesto vindo do conclave bem audível na praça José de Almeida.

O mais novo do cartel e da casa Moura, Miguel Moura, teve por diante o melhor lote da corrida. Ficou-nos a sensação de que podia ter tirado outro aproveitamento da matéria-prima que lhe calhou em sorte. No seu 1º, recebeu bem numa emotiva sorte de gaiola, para nos curtos desenhar boas bregas no remate das sortes, ficou a faltar “qualquer coisa” para resultar em êxito. No seu 2º e melhor da corrida, andou correto nos compridos para nos curtos cravar alguns ferros de boa nota, sem, contudo, chegar como pretendia às bancadas.

No capítulo das pegas, esperava-se uma noite exigente, onde a correção na frente dos toiros era fundamental para que as coisas corressem como pretendido.

Abriu praça o grupo do Alto Alentejo, São Manços, na cara Manuel Trindade. O toiro arrancou solto e com muita pata, o forcado reuniu bem e o grupo fechou com coesão. De salientar a excelente 1ª ajuda que resultou eficiente para o sucesso da pega.

Para pegar o 2º da noite o grupo da casa, Real de Moura, para a cara João Reganha, na 1ª tentativa adiantou-se ao toiro e não recuou. Concretizou à 2ª uma boa pega, onde fez tudo como mandam as regras, mandou na investida, reuniu bem e o grupo fez o resto, fechou coeso.

A fechar a 1ª parte da corrida os amadores de Beja, na cara Nuno Vitória, o toiro foi duro na reunião, contudo o forcado com vontade emendou durante a viagem e o grupo concretizou de forma coesa a pega.

Para o 4º da noite e a abrir a 2ª parte novamente os amadores de São Manços, o eleito foi Alexandre Rocha, reuniu bem, aguentando depois uma viagem por baixo onde o grupo foi lesto a responder, fechando da melhor forma a sua atuação em Moura. Boa noite do grupo.

Para a cara do 5º da corrida, José Maria Costa Pinto, do Real de Moura, na 1ª tentativa o toiro sai com pata empregando-se na reunião, o forcado não recebeu da melhor maneira, contudo aguentou como pôde até sair no meio das segundas ajudas, ficou a sensação de que se houvesse mais prontidão nas ajudas, a pega podia ter-se concretizado nesta tentativa. Na 2ª tentativa, voltou a não reunir bem e é “despachado” com alguma violência. Na 3ª tentativa e com ajudas carregadas o toiro desfeiteia cara e primeiro ajuda com aparato, nesta tentativa o primeiro ajuda não soube encontrar os seus terrenos para ser mais eficiente. Na 4ª tentativa o grupo consegue consumar a pega, novamente com ajudas carregadas, mas desta vez a ação do primeiro ajuda resultou muito eficaz com o grupo a fechar coeso.

Para fechar a corrida os amadores de Beja, para a cara o jovem Pedro Fernandes, pega completa do início ao fim respeitando todos os tempos da sorte. Iniciou o cite de trás dando todas as vantagens ao toiro. Bonito e com classe avançou para o oponente com serenidade, carregou no momento certo, mandou vir, o toiro sai com pata, reúne bem, conta de seguida com uma excelente primeira ajuda de António Aleixo e o grupo fecha com coesão. Desta pega sai um ajuda inanimado da arena, a que a Tauronews aproveita para desejar rápidas melhoras.

Terminou assim com chave de ouro uma corrida agradável, com momentos de emoção e espetáculo, agradando ao público em geral.

Dirigiu a corrida o Sr. Agostinho Borges com o acerto que lhe é reconhecido, contudo, se autorizasse um último ferro muito pedido pelas bancadas ao rejoneador espanhol, não lhe tinha ficado mal. Trata-se duma festa onde o publico é soberano, sem pôr em causa as regras que regulamentam a normal condução duma corrida de toiros.

Artigos Similares

Destaques