Cartaxo na XXIX Festa do Vinho em dia de Boa Colheita

Crónica

Nos dias que correm, em pleno século XXI, não é tarefa fácil, a qualquer empresa, reabilitar uma data taurina ou mesmo recuperar uma tradição, seja no Ribatejo, no Alentejo ou em qualquer recanto deste país à beira mar plantado.

Por isso a XXIX Festa do Vinho, na cidade do Cartaxo, foi pedra de toque, para a montagem de um cartel à portuguesa, composto pelos cavaleiros , Luís Rouxinol, Ana Batista e Manuel Telles Bastos, os Grupos de Forcados Amadores de Lisboa e Cartaxo, capitaneados respectivamente, por Pedro Maria Gomes e Bernardo Campino, frente a novilhos-toiros da Casa Prudêncio, para mobilizar uma assistência que preencheu dois terços fortes das bancadas.

O curro de novilhos toiros, enviados pela Casa Prudêncio, com os pesos a oscilar entre os 450 e os 470 Kg, ostentavam na espádua da mão direita o algarismo 4, deram jogo regular, facilitando o labor da terna de cavaleiros e dos demais intervenientes.

Luís Rouxinol, o menino prodígio de Pegões, transformou-se num mestre do toureio, já com descendência no ofício, mas por muito esforço, dedicação e empenho, não estava na sua tarde, mesmo assim, ficam registos positivos de bons ferros, alternados com alguma desafinação, nos momentos das reuniões. Toureou ao som de música em ambos os toiros , concluindo a lide do quarto com um ferro de palmo e uma par de bandarilhas, sua marca pessoal. Foi premiado com  volta a arena no final das duas lides.

Ana Batista, a cavaleira de Salvaterra de Magos, veio ao Cartaxo, dizer que podem contar com ela, para todas as competições, mediu bem os seus adversários, escolheu bem as montadas e por isso, saboreou um excelente triunfo. Soube pisar os terrenos, preparar as sortes, em resumo deu bem conta do recado, por isso escutou música em ambas a lides e deu volta à arena no final das mesmas.

Da Universidade da Torrinha, veio Manuel Telles Bastos, um ginete de dinastia, que teve como principais mestres seu avô David Ribeiro Telles e seu tio António, que sempre que lhe é permitido, está entre barreiras, para com o saber da experiência, contribuir para que as lides resultem em pleno. E assim aconteceu mais uma vez na Monumental do Cartaxo. Manuel, teve pela frente dois adversários distintos, o primeiro acabou descaído em tábuas, mas mesmo assim, a lide foi rematada com dois portentosos ferros em sortes sesgadas, bem do agrado do conclave. No seu segundo, último da função, terminou em plano de apoteose, com o público rendido ao seu toureio de arte e verdade. Tal como os seus companheiros de cartel escutou música e deu volta em ambas as lides.

A competição nas jaquetas de ramagens apresentava como aliciante a estreia do Grupo de Forcados Amadores do Cartaxo, capitaneados por Bernardo Campino, como Grupo Pré Associado, na Associação dos Grupos de Forcados, prova merecedora de avaliação técnica e cuja prestação nos mereceu também nota positiva. Assim para a primeira intervenção, pisou a arena o cabo Bernardo Campino, algo nervoso, mais pela preocupação de fazer as coisa bem feitas e dar o mote para a restante actuação, citou de largo, talvez, não contando com a pronta arrancada do novilho, tentou encurtar terrenos, reunindo de forma dura, mas consumando à primeira com eficaz entrada das ajudas. Para o quarto da tarde saiu Fábio Beijinho, que ao primeiro intento, consumou a pega à barbela contando com a prontidão das ajudas. Encerrou a participação dos Amadores do Cartaxo, o forcado Duarte Campino, irmão do cabo e que levava nas ajudas seu pai Luís Campino, que com facilidade resolveu a papeleta.

Pelos Amadores de Lisboa em ano de franca renovação o cabo Pedro Maria Gomes, jogou pelo seguro, na primeira intervenção, delegou em João Varanda de Carvalho, a primeira pega, forcado com créditos reconhecidos, citou de largo, provocou a investida e embarbelou-se, com o grupo a fechar lá atrás com enorme coesão. Para o terceiro da tarde, foi escalado Martim Cosme Lopes, que brindou ao cavaleiro Manuel Jorge de Oliveira. Martim, esteve bem no cite, contudo, no momento da reunião, houve um desacerto e a mesma resultou alta, no entanto a vontade de ficar foi enorme e Martim concretizou a pega ao primeiro intento com uma enorme eficácia das ajudas. Para encerrar a participação dos amadores de Lisboa, no quinto da tarde foi designado o jovem António Galamba, que acusou a responsabilidade e peso da jaqueta grená, adiantando-se ligeiramente na primeira tentativa, mas agigantando-se na segunda vez, consumando uma pega vistosa, com excelente participação das ajudas.

Todos os forcados de ambos os grupos deram volta à arena acompanhando os cavaleiros de turno, num festejo que teve a participação da Banda Filarmónica Cartaxense, a duração de pouco mais de duas horas e a direção do senhor Lourenço Luzio, assessorado pelo médico veterinário, Dr. José Luís Cruz.

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