“Bússola da Tauromaquia” – É tempo de desmistificar a Festa

Crónica

Vivemos uma fase da nossa história em que tudo gira em torno das redes sociais, das televisões, em suma, do mediatismo! Talvez seja até um pouco arriscado mas creio que podemos dizer que vivemos num mundo onde reinam as aparências.

É neste sentido que encontramos a tauromaquia algo deslocalizada dos restantes setores da sociedade, estes sempre em busca de mediatismo, enquanto a tauromaquia tem o “defeito” de se fechar numa bolha, como que um sistema fechado em que muito pouco passa sobretudo de dento para fora. Claramente a televisão seria o melhor meio para levar a tauromaquia a toda a sociedade, mas por imperar no nosso país a “ditadura do gosto” imposta por uns quantos proprietários do monopólio da moral que se julgam superiores aos demais, a tauromaquia deixou de ter espaço nos canais generalistas e perdeu o destaque que tanto merecia e do qual tanto precisava.
As corridas televisionadas sempre atingiram records de audiências mas não podemos esquecer aquele programa do qual sempre fui um assíduo espetador e que deixou uma marca indelével na minha infância: o Arte&Emoção. Um programa que além de informar sobre a então atualidade tauromáquica tinha uma parte pedagógica que permitia fomentar afición e “melhorar” a já existente. Que falta faz…

Depois da televisão surgem as redes sociais, a grande rampa de lançamento e reconhecimento dos “famosos” de hoje em dia e mais uma vez a tauromaquia a ficar um pouco (ainda que não tanto como na televisão) de parte. As atuais “figuras” toureio podem ser (ou tentar, mas já lá irei…) figuras da tauromaquia, mas não são e estão mais longe que alguma vez estiveram de ser figuras da sociedade atual.
Nomes como João Branco Núncio, José Mestre Batista, José João Zoio e mais recentemente João Moura e até mesmo Joaquim Bastinhas, este último bastante acarinhado pelo público e pelo seu carisma e personalidade, figuras de tauromaquia que se alargavam à sociedade em geral. Embora num momento diferente do que vivemos atualmente, todos os toureiros que aqui referi faziam anúncios televisivos, participavam em programas de televisão, em suma, eram FIGURAS. Arrastavam consigo multidões, enchiam praças e eram reconhecidos em qualquer sítio.
Nos últimos tempos, que me lembre, apenas “Juanito” teve o merecido destaque num programa televisivo. De resto, da tauromaquia nem se fala.

Estaremos certamente de acordo quando digo que a tauromaquia neste momento não está na moda. E creio que não poderemos continuar a agir passivamente, vivendo com a mentalidade do comodismo. Está na hora de mudar. Porque se não mudarmos agora caminhamos lentamente para um buraco cujo caminho de retorno pode tornar-se inexistente. Estamos no momento certo para voltar a colocar a tauromaquia na ordem do dia. A sociedade em geral está saturada de partidos políticos como o PAN e de toda a hiperbolização dos movimentos anti taurinos.

A tauromaquia tem de estar presente nas televisões, tem de ter os holofotes apontados (pelos melhores motivos, como é óbvio!). Temos de apostar na promoção, no marketing. Uma estratégia que talvez fosse de elevada pertinência consistia em mostrar o outro lado da tauromaquia, os bastidores, desmitificar alguns factos especulados pelos anti taurinos. Os toureiros deveriam mostrar o seu lado mais pessoal, o que são fora da praça. A sua família, o seu dia a dia com os cavalos, a paixão pelos animais que os move e que nos move. Afinal de contas, antes de serem toureiros são seres humanos. Da mesma forma que um ator antes de ser ator também é um ser humano. E é um facto que, relativamente por exemplo aos atores, o público se encanta por estes muitas das vezes por aquilo que demonstram fora dos ecrãs.

Em suma, os agentes tauromáquicos têm de mudar um pouco a sua mentalidade, encontrando estratégias que permitam colocar de novo a tauromaquia na moda e mudar a forma como os restantes setores da sociedade olham para a tauromaquia.

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