As mães não estão exaustas pela maternidade, mas por uma maternidade sem o apoio coletivo do qual se beneficiaram as gerações anteriores

Não são as mães que estão exaustas pela maternidade, mas pela falta de apoio que as rodeia. Antes de procurar formas de ajudar as mães a organizarem-se melhor, deveríamos primeiro escutar a realidade que enfrentam (e os pais também, claro). Por trás de muitos sorrisos e dias preenchidos, muitas vezes se esconde **uma grande fadiga** e um sentimento de solidão. É comum que sintam que nunca fazem o suficiente. Elas cuidam das necessidades dos filhos, das **expectativas familiares**, das responsabilidades diárias e, por vezes, até da sua carreira, procurando, sem sucesso, manter-se em pé. No entanto, quando chegam ao limite, raramente questionam o contexto em que vivem; direcionam a crítica para si mesmas e se perguntam o que estão a fazer de errado.

As mães esgotadas que encontro costumam repetir a seguinte ideia:

« Talvez eu simplesmente **não seja feita para ser mãe**. As outras mulheres parecem tirar isso de letra. Se estou a achar tão difícil, deve haver algo errado comigo. »

Contudo, essa conclusão é quase sempre injusta consigo mesmas.

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Imagens de Pexels e Freepik

Na verdade, essas mulheres realizam um trabalho imenso: dedicam a sua energia, tempo, atenção e amor, muitas vezes sem descanso e sem uma verdadeira pausa. Em vez de encarar esse esgotamento como o sinal de um fardo excessivo, interpretam-no como a prova de que estão a falhar.

O que experienciam não é uma falta de capacidade, mas sim a sensação de estar sobrecarregadas, um problema que não é individual, mas que reflete uma realidade muito maior: inúmeras mães enfrentam hoje a parentalidade com um nível de responsabilidade que recai quase totalmente sobre os seus ombros.

As mães não estão esgotadas porque não conseguem lidar com a maternidade. Estão exaustas porque frequentemente têm de realizar sozinhas uma tarefa que, durante gerações, era suportada por uma rede de apoio: a família, amigos, comunidade e auxílio cotidiano. Atualmente, **espera-se que façam tudo sozinhas**, transformando a falta de apoio em um problema de organização pessoal.

Não é a capacidade da maternidade que está em jogo, mas sim o peso que se espera que carreguem sem o apoio necessário.

A maternidade nunca foi desenhada para ser vivida em solidão

Nenhuma mãe deveria carregar sozinha os primeiros anos da vida de seu filho. Ao contrário do que se possa pensar, ficar em casa com um bebé durante todo o dia não é um modelo universal ou ancestral. Esta é uma realidade relativamente recente na história humana.

Durante a maior parte da nossa evolução, cuidar de uma criança não era responsabilidade de uma só pessoa. O nascimento de um bebé era um assunto que envolvia todo um grupo: família, amigos, comunidade. A mãe era a base, mas nunca estava isolada.

Um bebé humano exige uma atenção excepcional. Nasce totalmente dependente e permanece vulnerável durante muitos anos, ao contrário de muitos animais que se tornam rapidamente autônomos. Este longo período de dependência sempre exigiu uma cooperação entre vários adultos.

Assim, a nossa espécie desenvolveu-se em torno de um princípio simples: a educação das crianças dependia da colaboração de vários adultos. Este apoio, chamado **« cuidado aloparental »** pelos pesquisadores, não era um privilégio, mas uma característica comum nas sociedades humanas. A mãe ocupava um lugar central, mas não tinha como tarefa assumir toda a responsabilidade pelos cuidados necessários ao desenvolvimento de uma criança.

Pesquisas em antropologia e ciências do desenvolvimento mostram uma constante: a mãe ocupava um papel fundamental, mas nunca sozinha carregou toda a responsabilidade.

Quando a comunidade participava da educação de uma criança

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Nas sociedades tradicionais, um dia com um bebé envolvia várias transições. A criança passava dos braços da mãe para os de uma irmã, uma avó, uma tia ou outro adulto de confiança.

Ninguém permanecia sozinho a atender às necessidades de um bebé por horas sem interrupção. As crianças cresciam em meio a uma rede humana onde várias pessoas podiam vigiar, carregar, alimentar ou simplesmente acompanhar.

Uma avó podia cuidar da mãe para que ela pudesse recuperar. Um familiar poderia assumir temporariamente. Alguém poderia preparar uma refeição, cuidar de uma criança mais velha ou simplesmente oferecer uma presença tranquilizadora.

Este apoio não era uma adição de conforto. Fazia parte do ambiente em que os bebés humanos evoluíram.

Entretanto, é importante não idealizar essa época. A vida das sociedades de caçadores-coletores, como a de populações mais próximas de nós, podia ser bastante exigente: deslocações frequentes, riscos de ferimentos, doenças, alta mortalidade infantil e períodos de escassez alimentar.

A solidão moderna de uma mãe às 14 horas da tarde

A extinção da « aldeia » não ocorreu da noite para o dia. É o resultado de inúmeras transformações acumuladas ao longo das gerações: famílias que vivem longe umas das outras, mudanças de residência por trabalho, ritmos profissionais, isolamento em lares onde um só adulto fica com o bebé o dia todo.

Até que uma mãe se encontra sozinha na sua sala às duas da tarde.

Esta mãe pode ser você.

O bebé finalmente dorme. A casa está calma. Pela primeira vez em muito tempo, o seu corpo não é solicitado por alguns minutos.

Você pensa em tomar um banho.

Então você começa a calcular: quanto tempo levará? O que acontecerá se ele acordar? Valerão a pena esses poucos minutos para você, correndo o risco de interromper esse momento imediatamente?

E muitas vezes, você acaba por desistir.

Não são apenas os grandes eventos que mais esgotam. São essas centenas de **pequenas situações diárias que se tornam complicadas** quando não há ninguém para assumir o controle.

Ir ao banheiro sem um bebé nos braços. Abrir um pacote quando suas mãos já estão ocupadas. Preparar uma refeição e conseguir comer de forma diferente de algumas bocadas apressadas. Realizar uma simples tarefa sem ter de organizar cada minuto em torno do sono e das necessidades da criança.

Outrora, alguém poderia absorver esses pequenos momentos. Hoje, cada detalhe torna-se uma operação logística.

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O peso invisível de ser a única presença adulta

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Existe também uma solidão de que se fala menos.

Durante todo o dia, seu corpo é solicitado. Alguém toca em você, chama por você, depende de você a cada instante. Contudo, no meio de toda essa presença física, pode haver uma grande solidão: raros diálogos com adultos, escassas trocas com pessoas que possam compreender o que você está a passar.

Seu telefone torna-se, por vezes, seu único elo com o mundo dos adultos.

Uma mensagem enviada por outra mãe pode parecer banal, mas representa muito mais: a prova de que outra pessoa entende o que você está a viver.

Esses intercâmbios não são apenas conversas. São pequenos lembretes de que você não está sozinha nesta experiência.

Então, um barulho vindo do final do corredor. O bebé acordou. O dia recomeça.

A aldeia que existia outrora desapareceu, e o que a substituiu funciona de outra maneira.

A ajuda ainda existe, mas agora tem um custo

O que a comunidade antes suportava deve, muitas vezes, ser adquirido hoje.

Uma vaga na creche. Uma babysitter. Ajuda externa. Serviços que permitem aos pais trabalhar, dormir ou simplesmente respirar.

Mas essa ajuda custa, e muitas famílias não conseguem suportar.

A guarda de crianças representa hoje uma despesa significativa para muitos lares. Para algumas famílias, trabalhar torna-se quase um cálculo absurdo: uma parte substancial do salário vai apenas para financiar a solução que permite continuar a trabalhar.

O que outrora seria providenciado por uma avó, uma irmã, uma vizinha ou um conhecido torna-se agora uma fatura mensal.

A ajuda não desapareceu. Mudou de forma. Tornou-se um serviço pago, acessível apenas a quem pode arcar com os custos.

Uma responsabilidade coletiva transformada em falha individual

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Perante essa realidade, a sociedade muitas vezes opta por apresentar o problema de outra forma.

Uma mãe esgotada raramente é convidada a questionar **a falta de apoio ao seu redor**. Em vez disso, recomenda-se que se organize melhor, que administre o tempo de forma mais eficaz ou que encontre um melhor equilíbrio.

Como se precisasse apenas aprender a realizar sozinha o trabalho anteriormente repartido entre várias pessoas.

A norma atual exige que as mães sejam, simultaneamente, educadoras, especialistas em desenvolvimento infantil, profissionais bem-sucedidas, gestoras do lar, parceiras disponíveis e pessoas perfeitamente realizadas.

Tudo isso, muitas vezes, em uma casa onde nenhum outro adulto está presente durante grande parte do dia.

É uma pressão muitas vezes impossível de suportar sozinha

Hoje, não basta apenas alimentar uma criança, protegê-la e amá-la.

Exige-se um acompanhamento constante: atividades adequadas a cada faixa etária, uma alimentação ideal, aprendizagens reflexivas, presença constante, tudo isso enquanto se mantém uma carreira, uma casa organizada e uma identidade pessoal preservada.

Cada expectativa, olhada separadamente, parece razoável. Mas reunidas sobre os ombros de uma só pessoa, tornam-se esmagadoras.

Assim, quando uma mãe finalmente diz que não aguenta mais, frequentemente lhe é proposto um intervalo.

Um dia para si. Uma massagem. Um momento de descontração.

Essas coisas podem ser benéficas, mas não resolvem o verdadeiro problema.

Porque o problema não é um dia mau. Não é uma falta pontual de descanso.

O verdadeiro problema é que se pede a uma única pessoa que cumpra o trabalho de toda uma aldeia.

E após essa breve pausa, ela frequentemente retorna à mesma casa, com as mesmas responsabilidades, porque o que precisava de reparação não era a sua energia.

Era **a ausência de apoio ao seu redor**.

Este artigo é apresentado para fins informativos e reflexivos. Não constitui de forma alguma um aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As noções aqui expressas baseiam-se em pesquisas publicadas bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, deverá consultar um profissional qualificado.



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