As dificuldades na escola não estão sempre relacionadas ao nível académico ou às capacidades da criança. Algumas práticas adquiridas no ambiente familiar podem influenciar significativamente o desempenho escolar. Neste contexto, alguns aprendizados simples podem revelar-se extremamente benéficos. Todos os pais almejam proporcionar aos seus filhos as melhores condições para o sucesso, especialmente em termos de educação. Contudo, uma vez que atravessam as portas da escola, o seu papel parece assumir limites, já que não podem acompanhar os filhos a cada instante do dia.
Segundo M. Wilson, um docente do 5.º ano, há competências essenciais que deveriam ser ensinadas e incentivadas em casa, mas que muitas vezes são descuradas pelas famílias. Estas lacunas podem ter repercussões concretas na vida dos alunos e agravar as suas dificuldades escolares.
Hábitos negligenciados que podem complicar a vida escolar dos filhos
1. Regulamentar o uso de ecrãs e das novas tecnologias

Para M. Wilson, este é um dos primeiros aspectos que os pais devem observar. Os videojogos, as redes sociais e alguns programas fomentam um consumo apressado de conteúdos, o que pode dificultar a manutenção da atenção a longo prazo.
O problema torna-se especialmente visível no final da escola primária, quando as crianças precisam de ganhar autonomia e assumir mais responsabilidades no seu aprendizado. Uma capacidade de concentração insuficiente pode, assim, intensificar certas dificuldades na escola.
O uso excessivo de ecrãs levanta também questões sobre o conteúdo ao qual as crianças estão expostas e o impacto no seu sono. Como lembra a Segurança Social, a interação com videojogos, smartphones, tablets e computadores pode estar associada a dificuldades em adormecer e a uma qualidade de sono inferior nas crianças. Recomenda-se evitar ecrãs na hora ou nas duas horas que antecedem o momento de dormir.
A luz e a estimulação provocadas pelos ecrãs podem atrasar o adormecimento e perturbar o ritmo circadiano. Em crianças, que necessitam de sono suficiente para o seu desenvolvimento e aprendizado, uma melhor regulamentação do uso de ecrãs pode ser, portanto, de extrema importância.
2. Ensinar a criança sobre o trajeto de regresso a casa
Wilson aconselha os pais a responsabilizarem as crianças sobre o seu trajeto após a escola. Uma criança deve saber quem a vem buscar, reconhecer o veículo dessa pessoa ou saber se deve apanhar o autocarro.
Isto torna-se ainda mais relevante quando a organização muda consoante os dias da semana. Algumas crianças podem confundir facilmente o dia em que apanham o autocarro com aquele em que um pai ou um familiar as vem buscar.
Para além da segurança, conhecer esta organização ajuda a desenvolver a autonomia. Conforme descrito pela Educação Nacional, o apoio ao aprendiz deve facilitar a sua progressiva autonomização. Ensinar a conhecer a sua rotina, a prever os seus deslocamentos e a assumir gradualmente algumas responsabilidades adequadas à sua idade é parte essencial desse aprendizado.
Wilson sugere que as famílias recordem diariamente o programa do dia. Quando alguém vem buscar a criança de carro, esta também deve ser capaz de identificar algumas características simples do veículo, como a cor, a marca ou o modelo.
3. Assegurar que a criança conhece o caminho de casa e o seu endereço
Os smartphones e as aplicações GPS simplificaram imenso os nossos deslocamentos. Contudo, esta facilidade pode impedir que algumas crianças aprendam a orientar-se sozinhas no seu ambiente.
Wilson considera que uma criança deve conhecer o seu endereço, as principais ruas da sua área e as interseções que ajudam a encontrar o caminho de casa.
O objetivo não é necessariamente deixá-la voltar sozinha, mas sim fornecer referências suficientemente precisas para saber onde está e como chegar a um lugar familiar.
Esta habilidade pode ser especialmente útil quando a criança não pode contar com o seu telemóvel, por exemplo, em casos de falha, perda ou baixa de bateria. Ensinar uma criança a se orientar contribui, assim, para a sua segurança, além de promover uma autonomia que pode ser útil na escolaridade.
4. Ensinar o nome completo e o dos pais
Esta é uma informação que pode parecer óbvia, mas Wilson já encontrou inúmeras crianças incapazes de fornecer o nome completo dos pais quando abordadas.
Este conhecimento é crucial para a sua segurança, especialmente caso se percam, sejam separadas do grupo durante uma atividade escolar ou precisem de comunicar com um adulto em situações de emergência.
As crianças devem saber também os seus próprios nomes e sobrenomes. Algumas estão tão habituadas aos diminutivos e nomes carinhosos em casa que podem ter dificuldade em fornecer a sua identidade completa. Como ressalva o site oficial da Segurança, ter informações precisas sobre a identidade de uma criança é essencial quando esta se perde ou desaparece.
Portanto, ensinar desde cedo o seu nome completo e o dos pais pode ajudá-la a comunicar mais facilmente com adultos ou autoridades em caso de necessidade.
Estes ensinamentos básicos promovem a sua autonomia e auxiliam na gestão de diversas dificuldades escolares.
5. Ensinar gestos cotidianos, como atar os sapatos

No final da escola primária, uma criança deveria ser capaz de realizar sozinha várias atividades diárias, como atar os sapatos. Contudo, Wilson observa que alguns alunos ainda precisam da ajuda de um adulto.
Para o docente, os laços representam uma questão mais ampla: a busca pela autonomia. Os professores podem, sem dúvida, apoiar os alunos, mas não conseguem assumir todas as tarefas que já estão em idade de aprender a realizar sozinhos.
Um estudo da Stanford destaca a importância de permitir que as crianças assumam a dianteira nas suas atividades, em vez de intervirem constantemente.
Fazer sempre as coisas pelo filho pode parecer uma opção mais rápida e prática. No entanto, dar-lhes a oportunidade de experimentar, errar e tentar novamente, permite-lhes gradualmente adquirir as competências necessárias para se tornarem independentes. Esta autonomia pode igualmente ser vantajosa quando enfrentam dificuldades na escola.
Práticas simples que podem trazer melhorias significativas

Ajudar uma criança a ter sucesso vai além da supervisão dos deveres de casa ou dos resultados escolares. A autonomia, a capacidade de se orientar, de gerir determinadas tarefas diárias ou de utilizar os ecrãs de forma moderada são competências que também se cultivam em casa.
Estes aprendizados podem parecer triviais, mas preparam as crianças de forma gradual para se tornarem mais responsáveis e independentes. Ao oferecer mais oportunidades para realizarem por si mesmas as atividades, os pais podem dotá-las de ferramentas valiosas para enfrentar melhor os desafios escolares e reforçar a confiança no dia a dia.
Este artigo é apresentado para fins informativos e reflexivos. Não deve ser considerado como um aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As noções mencionadas baseiam-se em pesquisas publicadas e observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação específica, consulte um profissional qualificado.




