Ao envelhecer, alguns buscam a solitude, não por frieza, mas após anos absorvendo as expectativas dos outros antes de finalmente aprender a ouvir as suas próprias, segundo a psicologia

Com o passar dos anos, algumas pessoas sentem uma diminuição do desejo de estar rodeadas de outras. Este fenômeno é frequentemente acompanhado por uma atenção acrescida à forma como desejam utilizar o seu tempo e a sua energia. Assim, muitos buscam a **solidão**, não por rejeição aos outros, mas por um **necessário desejo de calma** e por relações mais significativas. À medida que se aproxima a casa dos quarenta anos, essa transformação pode tornar-se particularmente evidente. As grandes festas já não são tão atraentes, as convites são mais seletivos e os momentos de tranquilidade adquirem um peso maior.

Esta evolução pode ser facilmente entendida como um encerramento emocional. Amigos e familiares podem interpretar como uma queda de moral, uma sensação de cansaço ou os efeitos de uma fase pessoal difícil.

Entretanto, procurar mais momentos de solidão não implica necessariamente em se isolar ou tornar-se menos sociável. Pode simplesmente refletir um maior autoconhecimento sobre as suas necessidades e uma escolha consciente de valorizar a qualidade dos intercâmbios sociais em detrimento das obrigações sociais.

Com o tempo, muitos indivíduos também aprendem a resguardar a sua paz interior, optando de forma mais consciente pelas pessoas, lugares e momentos aos quais dedicam a sua energia.

À medida que envelhecemos, o círculo social tende a estreitar-se

A psicóloga Laura Carstensen, da Universidade de Stanford, tem dedicado várias décadas ao estudo da **teoria da seletividade socioemocional**. O conceito é relativamente simples: quando tomamos consciência do tempo que passa, tornamo-nos mais atentos ao modo como desejamos utilizá-lo.

Portanto, as pessoas que buscam momentos de solidão não se tornam, necessariamente, mais frias ou menos sociáveis. Elas tendem a ser mais seletivas nas suas relações.

Uma **estudo longitudinal** conduzido por Tammy English e Laura Carstensen acompanhou a evolução das redes de relações ao longo da vida adulta, revelando que estas se expandem no início da vida adulta, para, mais tarde, começarem a contrair-se com o tempo.

Entretanto, esta contração focaliza-se essencialmente nas relações periféricas; os laços mais íntimos mantêm-se relativamente estáveis.

Este fenômeno também está relacionado à reflexão sobre quais relações realmente resistem à passagem do tempo.

Com os anos, muitos parecem menos interessados em multiplicar contactos e mais empenhados em preservar as relações que verdadeiramente importam.

Estar só não significa sentir a solidão

Sentir-se só e escolher passar tempo sozinho são duas experiências diferentes.

A solidão sentida surge quando há um desvio entre as relações que gostaríamos de ter e aquelas que realmente possuímos. Em contrapartida, um momento de solidão pode ser procurado e tornar-se uma autêntica fonte de tranquilidade.

Este entendimento pode esclarecer por que algumas pessoas afastam-se mais à medida que envelhecem.

Pesquisadores especialistas em solidão confirmam que os seus aspetos positivos têm recebido, historicamente, menos atenção que as suas repercussões negativas.

Numas **entrevistas** realizadas com indivíduos de várias idades, os participantes mais velhos foram os que reportaram maior serenidade ao encontrarem-se sozinhos.

Um elemento fundamental parece ser a sensação de que essa solidão é uma escolha.

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A solidão escolhida não é vivida da mesma forma que a solidão imposta

Dedicar várias horas à solidão pode ser prazeroso quando essa decisão partiu de nós, mas revelam-se mais desafiadoras quando essa situação nos é imposta.

Um **estudo** publicado em 2024 destaca a importância da autonomia nestes momentos. Quando as pessoas têm a possibilidade de decidir como e quando passam tempo sozinhas, reportam emoções mais positivas e níveis mais baixos de stress.

O envelhecimento pode também alterar a forma como experienciamos essas etapas de solidão.

Uma **investigação** de 2024 colocou participantes sozinhos durante quinze minutos; os mais velhos reportaram menos emoções negativas em comparação aos mais jovens.

Por outro lado, três **estudos** realizados na Áustria sugerem que os adultos mais velhos não optam necessariamente por uma solidão mais frequente. Contudo, parecem lidar melhor com períodos de solidão não desejados.

Isto não implica que toda a solidão se torne benéfica com a idade. Como mencionado anteriormente, ser só e sofrer de isolamento são experiências fundamentalmente diferentes.

Por que algumas pessoas buscam a solidão ao envelhecer?

É tentador afirmar que aqueles que buscam a solidão passaram a vida a absorver as expectativas alheias antes de aprender finalmente a ouvir as suas.

No entanto, a realidade científica é mais complexa.

As investigações indicam que, com o passar do tempo, o círculo relacional pode tornar-se mais restrito e seletivo, sugerindo, também, que muitos aprendem a apreciar melhor os momentos dedicados à solidão.

Entretanto, não conseguem explicar de forma concreta a trajetória pessoal que leva cada indivíduo a buscar mais momentos de tranquilidade.

Para alguns, a solidão é equilíbrio e não um substituto para as relações

Valorizar a própria companhia não implica que as relações sociais deixem de ter importância.

Uma **estudo** utilizando amostras de experiência questionou participantes várias vezes ao dia, revelando que os adultos mais velhos que passavam mais tempo sozinhos do que a média relatavam uma leve diminuição no seu bem-estar emocional.

Os indivíduos que melhor aproveitavam os seus momentos de solidão eram, também, aqueles que mantinham uma **vida social gratificante**.

Assim, buscar a solidão pode ser vantajoso quando complementa relações enriquecedoras, mas torna-se diferente quando laços importantes se esvaem.

À medida que envelhecemos, algumas relações podem desaparecer, enquanto outras tornam-se mais significativas.

Como discernir se esta solidão é realmente uma escolha?

Algumas perguntas simples podem ajudar a descobrir essa diferença.

Será que rejeitar um convite se deve ao desejo genuíno de desfrutar de um momento tranquilo, ou à dificuldade de sair e encontrar os outros?

É igualmente útil observar **como ocupamos o tempo sozinhos**. Ler, cozinhar, caminhar, fazer bricolagens ou simplesmente refletir podem transformar esses momentos em verdadeiros períodos de recuperação.

Por último, as relações significativas ainda estão presentes?

As investigações sugerem que o círculo periférico pode diminuir com a idade, enquanto os laços mais próximos permanecem relativamente sólidos. Quando estes últimos também desaparecem, poderá ser necessário questionar se a solidão ainda é realmente uma escolha.

Portanto, não há nada de estranho em preferir um tranquilo pôr do sol a uma soirée animada. Aqueles que procuram a solidão podem ter apenas aprendido a selecionar melhor as suas relações e a destinar o seu tempo.

O essencial é distinguir o silêncio escolhido do isolamento imposto.

Este artigo é apenas informativo e reflexivo. Não constitui um aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As ideias apresentadas são baseadas em investigações publicadas e observações editoriais, não resultando de uma avaliação clínica. Para situações específicas, consulte um profissional qualificado.

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