António Manuel Cardoso “Nené”: Uma vida dedicada à Festa de Toiros

O mais antigo empresário tauromáquico português faleceu ontem, num dia que ficará marcado a negro na História da Tauromaquia em Portugal. Hoje, a Tauronews recupera o percurso de “Nené” e recorda os seus feitos enquanto forcado e empresário tauromáquico.

13 de Julho de 1954. Nascia em Alcochete António Manuel Cardoso e começava a história de uma das mais importantes figuras da tauromaquia em Portugal.

21 de Agosto de 1971. Com apenas 17 anos, vestia pela primeira vez a jaqueta do Grupo de Alcochete. Pegou pela primeira vez, pelos Forcados Amadores de Alcochete, numa corrida na Praça de Toiros Amadeu Augusto dos Santos, no Montijo.

Duas datas que definiram a vida de “Nené”. Aquela em que nasceu o homem e aquela em que nasceu o forcado.

Foi o segundo Cabo da História dos Forcados Amadores de Alcochete, tendo comandado o Grupo entre 1984 e 1995. Durante este período, o Grupo perdeu tragicamente dois forcados, Hélder Antoño e Nini. Não obstante, foi também neste período que o então Cabo António Manuel Cardoso conduziu o Grupo de Alcochete ao topo da forcadagem nacional.

Retirou-se a 31 de Agosto de 1995, na Praça do Campo Pequeno, em Lisboa, com toiros de António Charrua. Mas não seria a sua última pega: já depois dos sessenta anos, voltaria à arena por duas ocasiões.

A sua última pega consumou-se na noite de 17 de Junho de 2016, na sua terra natal, na Corrida de Comemoração do 45.º Aniversário do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete. Num espectáculo que juntou antigos e actuais forcados, “Nené” pegou pela última vez um toiro da ganadaria de Paulo Caetano. O cartel era formado por Luís Rouxinol, Diego Ventura e João Moura Caetano, numa corrida que marcava a passagem da chefia do Grupo de Alcochete de Vasco Pinto para Nuno Santana.

Criou a concepção do “Toiro-Toiro” com Rogério Amaro, com quem geriu a sua empresa, Toiros & Tauromaquia, durante mais de vinte anos. No entanto, actualmente o seu sócio era Carlos Ferreira,  e seria com ele que assistiria ao primeiro festival da Feira de Mourão, que ontem inaugurava oficialmente a Temporada de 2018 em Portugal.

Conhecido pelo seu enorme trabalho como empresário tauromáquico, geriu várias praças de toiros ao longo da vida, trabalho que começou nos inícios da década de 80. Entre elas, Moita do Ribatejo, Coruche, Portalegre, Vila Franca de Xira, Moura, Montijo, Reguengos de Monsaraz e Arronches, tendo ainda promovido espectáculos em praças desmontáveis. Actualmente, geria as praças de Évora e de Alcochete, esta última há cerca de trinta anos.

Marcou pela sua presença nas praças, mas também nas pessoas. Foi o primeiro apoderado do mítico cavaleiro José Mestre Baptista, carreira que geriu conjuntamente com Rogério Amaro. Foi ainda apoderado dos cavaleiros João Ribeiro Telles e de António Prates até ao momento da sua morte, além de ter chegado também a gerir as carreiras de João Maria Branco, João Salgueiro, João Salgueiro da Costa, Gilberto Filipe, Mateus Prieto  e Rui Guerra.

Para trás, fica a família. A mulher, Paula Cardoso, e os filhos, Margarida e António José, que segue as passadas do pai como forcado em Alcochete.

A Estrada Nacional 4 levou ontem o “decano dos empresários tauromáquicos portugueses”, num acidente que envolveu três veículos e faria mais dois feridos ligeiros.

Mas as memórias ficam e o trabalho de “Nené” será sempre recordado pelos aficionados da Festa de Toiros em Portugal.

Tauronews endereça as mais sentidas condolências à família e amigos de António Manuel Cardoso “Nené”.

Obrigado, Nené.

 

 

 

 

 

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