Amadores de Alcochete triunfam no Concurso de Ganadarias em Alcochete

Alcochete, XXXV Concurso de Ganadarias, 13 de Agosto de 2017

Tradicional corrida a abrir a Feira Taurina das Festas do Barrete Verde e das Salinas, apresentava o seguinte cartel:

  • João Moura
  • António Ribeiro Telles
  • Francisco Palha
  • Ganadarias: David R. Telles, Condessa de Sobral, Canas Vigouroux, Palha, Brito Paes e Vinhas. (Estavam anunciados no cartel toiros de Branco Núncio e Veiga Teixeira que foram substituídos por David R. Telles e Palha)
  • Grupo de Forcados Amadores de Alcochete

A primeira corrida da Feria de Alcochete apresentou casa praticamente cheia, e um bom ambiente nas bancadas. Iniciou-se com uma homenagem ao Real Clube Tauromáquico Português pelos seus 125 anos de existência.

Coube a João Moura o primeiro toiro, ganadaria de David R. Telles, de Janeiro de 2013, com 515kg. Toiro negro, de razoável apresentação, teve uma saída desinteressada e apenas alegrou a investida após a colocação do primeiro comprido por parte do cavaleiro João Moura, perseguindo depois a montada. Seguiu-se um segundo ferro comprido correcto. A lide continuou morna nos curtos, com um toiro que não se empregava nas reuniões, e por vezes adiantava-se um pouco, tirando brilho à lide esforçada do João Moura, que tentou retirar o que pôde a um toiro que não serviu.

O segundo toiro foi o Condessa de Sobral, que calhou em sorte a António R. Telles. Uma estampa de toiro, castanho, com 5 anos cumpridos e 540kg. Toiro muito bem rematado e sério, mas algo reservado, ao qual o experiente António R. Telles, conseguiu dar a volta. Esteve bem na ferragem comprida, e no início da ferragem curta sofreu na pele a seriedade do Condessa Sobral, levando dois fortes toques na reunião nos primeiros ferros. Mas a experiência de António R. Telles faz a diferença e o cavaleiro escolheu bem os terrenos e terminou em alta com 3 bons curtos.

Para a primeira lide de Francisco Palha, um bonito jabonero de Canas Vigouroux, muito em tipo da ganadaria, de Fevereiro de 2013, com 530kg. O Canas saiu dos curros sem grande ímpeto, e apenas melhorou após o cavaleiro cravar o primeiro comprido, tendo depois cravado um 2º comprido também de muito boa colocação. O toiro foi melhorando, mostrando algum génio e vontade de investir, mas sem ser bravo. Nos curtos houve alguns bons ferros, mas houve também algumas passagens em falso, que retiraram algum brilho a uma lide que mostrou um cavaleiro com potencial, vontade de brilhar, mas que acusou a pouca experiência natural num cavaleiro jovem.

A 2ª parte começou com o toiro da histórica ganadaria Palha. Um toiro também ele muito em tipo da ganadaria, negro, de Março de 2013, com 515kg. João Moura teve uma lide sem história, perante um toiro que não ajudou, desinteressado e que se adiantava uma barbaridade no momento da reunião. Para “ajudar” houve nesta corrida um evidente problema nas bandarilhas, com muitos ferros compridos a partir sem cravar e muitos curtos a cair, sendo nesta lide onde isto aconteceu com maior insistência, levando João Moura ao desespero. Terminou a lide com um ferro de palmo, não dando volta no final.

Nesta altura da corrida, já se pensava que poderíamos estar perante um concurso de ganadarias com prémio bravura “deserto”, mas ficou guardada para o final a melhor matéria-prima. Saiu à arena em 5º lugar o toiro de Brito Paes, negro, muito bem apresentado, de Fevereiro de 2013, com 540kg. Foi um toiro que foi crescendo ao longo da lide, que tinha pata, e que teve pela frente um cavaleiro que está numa grande forma. A ferragem comprida voltou a ser atribulada devido à fraca qualidade das bandarilhas, mas nos curtos pudemos ver emocionantes ferros de frente, pela mão de António Ribeiro Telles, o grande executante desta sorte, numa lide empolgante que chegou às bancadas.

O último toiro foi o maior da corrida, um Vinhas com 610kg, de Fevereiro de 2013, preto entrepelado, muito em tipo do encaste Santa Coloma. Foi o único toiro que teve aquela emocionante saída à arena com muita pata, que impõe respeito a toureiros e que gera um forte borburinho na bancada. O cavaleiro Francisco Palha não se atrapalhou com a saída impetuosa do Vinhas, esteve correcto, dobrando-se com o toiro e deixou a ferragem comprida com correção. Nos curtos, e com um cavalo daqueles que são verdadeiros toureiros, teve uma lide de encher o olho, aproveitando a bravura do Vinhas, chegando ao público e cravando muito bons ferros.

No final desta lide, ninguém na praça ficou com dúvidas sobre a atribuição do prémio bravura. O Santa Coloma da ganadaria Vinhas foi realmente bravo, com recorrido e muita transmissão.

Tal como na corrida, em que o melhor ficou para o fim, também na crónica escrevemos no final o que de melhor teve a tarde de ontem. A prestação do Grupo de Forcados Amadores de Alcochete foi soberba. Frente a 6 toiros com diferentes comportamentos, diferentes tipos e encastes e sempre com o mesmo resultado. 6 pegas à 1ª tentativa, com uma coesão nas ajudas que não se vê todos os dias. Ter no grupo ajudas com a categoria de João Rei, Diogo Van Den Toorn e André Pinto Tavares faz a diferença, e isso esta tarde foi notório.

Para o 1º toiro foi o forcado Fernando Quintela, bem no cite, faltou alguma determinação ao carregar, tendo depois uma reunião imperfeita, mas teve garra e foi soberbamente ajudado pelo 1º ajuda João Rei.

Seguiu-se o forcado Pedro Viegas, para pegar o imponente Condessa do Sobral, numa pega perfeita, com um cite imponente, encheu depois a cara ao toiro e seguiu-se uma viagem até tábuas onde o grupo esteve perfeito fechando em tábuas a pega a um toiro sério, que tinha muito poder. No final grupo chamado à praça para agradecer nos médios, pela brilhante ajuda de todos.

O Canas Vigouroux coube ao forcado António José Cardoso. Mais um cite calmo e com classe, para se fechar com garra e aguentar o derrote do Canas. O grupo voltou a ajudar como um bloco.

Para o 4º toiro foi escolhido o forcado Manuel Pinto, e foi mais do mesmo. O Palha mostrou-se complicado na lide, e na pega também não se esperava que facilitasse. O toiro arrancou de largo, o forcado fixou-lhe bem a investida e fechou-se com garra, com o grupo a fechar.

O cabo Nuno Santana escolheu pegar o Brito Paes. Fez tudo bem, carregou o toiro na altura certa, que arrancou com pata, tendo o forcado enchido a cara ao toiro na reunião, que quando chegou ao grupo afocinhou, mas o forcado teve garra e o grupo fechou bem a pega assim que  toiro levantou a cara.

A fechar a tarde, o experiente João Machacaz em mais uma boa pega à 1ª, onde o grupo voltou a estar brilhante.

De destacar também o silêncio que se fez sentir na praça em todas as pegas. Não são muitas as praças onde podemos ver tamanho respeito pela pega, mas ontem Alcochete foi verdadeiramente um hino ao forcado amador.

No final, o prémio de bravura foi indiscutivelmente para o toiro Vinhas, e a apresentação foi entregue justamente ao toiro Condessa de Sobral.

Mérito também para a ganadaria Brito Paes que sem vencer qualquer prémio, teve um bom toiro, que ficou próximo tanto do prémio de bravura como de apresentação.

Nota de redacção: Apesar de solicitada a entrada para o cronista da Tauronews, a empresa Toiros e Tauromaquia não disponibilizou qualquer entrada para o espectáculo. Ainda assim a Tauronews comprou o seu bilhete para deste modo poder fornecer aos seus leitores a crónica da corrida.

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