Vou agarrar o touro pelos cornos

Crónica

Hoje, vou “agarrar o touro pelos cornos” porque me apetece dizer, com toda a clareza, o que penso e o que sinto.

Somos educados e ensinados a lidar de forma empática e tolerante com as adversidades e com as contrariedades da vida. E fazemo-lo, com mais ou menos esforço, a bem das boas relações e de uma sociedade que se quer escorreita e serena. Sucede que há momentos em que temos de dizer, com todas as letras, o que nos vai na alma e no coração. Pois bem, este é um desses momentos.

Não gosto de ser insultada quando me dirijo ao Campo Pequeno! Não gosto de estar a jantar, nos espaços junto à praça, com ruídos ensurdecedores e gritos indomesticados! Não gosto de não conseguir conviver com as dezenas de amigos e conhecidos que comigo se cruzam, no “pré-corrida”, atropelada por brados de megafones estridentes! Não gosto! E porque é que não gosto? Porque vivo, felizmente, num país livre e democrático e tenho todo o direito a movimentar-me na minha cidade e de preferir aquilo que me apetece ver e assistir sem ser injuriada só porque é a minha escolha.

Esse não é o princípio da democracia e do saudável convívio entre as gentes!

Sou a primeira a respeitar, sem discutir pontos de vista, opções diferentes da minha. Não tenho esse direito. Tenho antes o dever de perceber e compreender as diferenças, porque de facto não somos todos iguais nem tão pouco gostamos todos do mesmo. Digo mais: quem não gosta de tauromaquia está na plenitude dos seus direitos e até acrescento que, em democracia, se pode manifestar. Todos podemos!

As manifestações anti taurinas, junto ao Campo Pequeno, não devem, tenho de o dizer, nem atingir o nível de decibéis que atinge, nem atingir o nível de afronta e ofensa que atinge! Simplesmente porque não é democrático. O direito que lhes assiste a se manifestarem tem de ser igual ao dever que lhes assiste de respeitarem quem tem uma opinião contrária à sua e se dirige a um espetáculo que se realiza dentro de um quadro legal, em Portugal.

Impõe-se, então, uma inevitável pergunta:

E nós? Continuamos a ser uma maioria silenciosa que se dirige a uma corrida e tem de suportar o jantar e o convívio esmagados pelos megafones ofensivos de uma minoria barulhenta?

Sim. Continuamos a ser uma maioria! Com toda a certeza. Silenciosa, também. Acima de tudo, porque a educação nos caracteriza, porque a cortesia nos pauteia e porque a civilidade nos classifica.

Nós já percebemos que não gostam. Percebemos à primeira. Queremos desfrutar, em liberdade, democracia e legalidade, aquilo de que gostamos. Os gritos de megafone, com o volume e a violência com que são executados, não são necessários.

De resto, dentro da mesma liberdade e democracia que regem este país, as entidades competentes devem diminuir o volume dos brados porque estes estão a retirar a nossa liberdade de opção e o direito à nossa noite de touros.

Fica o desafio!

Fica também o profundo desejo de uma época cheia de sucesso e sorte. Que Maria, nossa Mãe, vos proteja!

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