Acabar com a tauromaquia? Lá vamos nós outra vez…

Crónica

Costuma dizer-se que cromo repetido não enche caderneta. Porém, os cromos do costume teimam em não desarmar e voltam uma vez mais a colocar as questões que ainda há bem pouco tempo colocaram e onde foram, diga-se de passagem, cilindrados.

Porém, os últimos dias da realidade taurina e política nacional foram conturbados, circunstância que já não me choca, apenas e tão só, tal como acabei de dizer, pela sua repetição. No entanto, julgo que devemos ainda assim olhar para eles com atenção, analisar o problema e procurar soluções.

Em Lisboa assistimos a uma manifestação que sendo até certo ponto legítima (porque a lei a permite), não deixou de significar uma grande confusão e mistura entre tauromaquia e questões que envolvendo animais de companhia, em nada lhe dizem respeito. É a estratégia que os cobardes e desonestos sempre usam. Misturar tudo no mesmo saco para que ninguém perceba nada do que está em causa. Foi o que aconteceu.

Nesta matéria, já por diversas vezes que venho alertando para a necessidade de também a malta dos toiros fazer uma grande manifestação, mas quando digo grande, grande mesmo. Muito honestamente, não conto alertar muito mais vezes para esta necessidade porque não compreendo esta apatia, que só posso entender como desinteresse ou rendição.

Aquilo que devemos como aficionados estar conscientes é que vamos continuar a viver momentos muito complicados no que concerne ao respeito que exigimos para nós e para a festa dos toiros. Hoje mesmo, vários são os meios de comunicação social que noticiam que no parlamento voltará a ser discutida muito em breve, a proibição das corridas de toiros.

Tantas vezes vai o cântaro à fonte, que um dia acaba por se partir.

Claro que se lermos a proposta da deputada não inscrita Cristina Rodrigues, os disparates são imensos, límpidos e facilmente desmontáveis. Claro que quando Inês Sousa Real abre a boca, entra mosca ou sai asneira. Mas não basta que o saibamos. É imperioso reagir. Mas reagir no terreno, mostrando presença, dimensão e garra na defesa daquilo em que acreditamos.

Tenho escutado, lido e assistido a tudo quanto se tem passado em todo lado nos últimos dias. Das anteriormente mencionadas já disse tudo. De Miguel Sousa Tavares digo que no que respeita a conhecimento taurino é um pateta total. Percebe tanto de touradas como eu de ponto de cruz. A única coisa que nos vai safando é um Hélder Milheiro titânico, que prega repetidamente cada banhada nos seus adversários de painel que até os deixa com a boca ao lado.

Agora, Hélder Milheiro é um excelente orador, cirúrgico, metódico e contundente, mas não pode levar tudo isto às costas.

Temos que nos consciencializar que o meio taurino tem de mostrar quem é, que é composto por muita gente, gente educada que contrasta com os animais, esses sim, que quinta-feira passada estiveram à porta do Campo Pequeno, e sair à rua. Adiar isto por mais tempo é não querer ver a realidade e ser cúmplice numa apatia que a médio ou curto prazo poderá ditar o fim de tudo isto.

Basta ver que um dos argumentos mais utilizados e que sustenta, uma vez mais, a nova tentativa de proibir as touradas agora apresentada no parlamento, assenta numa suposta redução de público e de enfraquecimento do interesse na actividade, argumento que é uma falácia.

Agora sejamos honestos, quem tem culpa disso, somos todos nós!

Não podemos continuar nesta estratégia clássica de apenas escrever artigos ou esperar ataques para a eles posteriormente responder. É hora de agir em vez de reagir. Até porque como tantas vezes se diz, quem adormece em democracia, acorda em ditadura. Acordemos!

Rodrigo Alves Taxa

 

 

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