A Tragédia marcou a homenagem a Manuel Badajoz

06.07.2019

Praça Toiros de Coruche

Corrida de Toiros de Homenagem a Manuel Badajoz

Cavaleiros:

  • Luís Rouxinol
  • Ana Batista
  • Manuel Telles Bastos
  • João Moura Jr.

Espadas:

  • Nuno Casquinha
  • Diogo Peseiro (novilheiro )

Forcados

  • Grupos de Forcados Amadores de Coruche – respetivamente capitaneado por José Tomás
  • Aposento da Moita capitaneados, respetivamente capitaneado por Leonardo Matias 

Ganadaria:

6 Toiros de S. Torcato

  • Diretor de Corrida: Marco Cardoso
  • Veterinário: Dr. José Luís Cruz
  • Banda: Sociedade de Instrução Coruchense

 

Com mais de meia casa preenchida, teve inicio pelas 22 horas de sábado, na Monumental Sorraiana, a corrida mista de homenagem a Manuel Pereira Cipriano “Badajoz”.

Já com todos os intervenientes em praça, foi lida uma breve alocução à trajetória artística do homenageado, a cargo do Dr. António Vasco Lucas.

Coube a Luis Rouxinol, enfrentar o primeiro da noite, tal como todos os restantes, vieram do Alentejo, ostentavam a divisa de S. Torcato e colocaram sérios problemas quer a cavaleiros e forcados, quer aos toureiros a pé.

O cavaleiro de Pegões, após despachar a ferragem comprida, muda de montada e coloca seis ferros curtos ao som de música, terminando com um palmito, contudo sem conseguir arrebatar o publico como é seu timbre, foi premiado com volta à arena que declinou, por verguenza toureira.

Para dar lide ao segundo da ordem, saiu à praça a cavaleira de Salvaterra de Magos, Ana Batista, que se enfrentou com um pupilo do Vidigal, mansote e que se adiantava ao cavalo. Cravou dois compridos e mudou para as bandarilhas, e com o mesmo cavalo, cravou um ferro curto e ao deixar o segundo, o hastado, carregou sobre o cavalo, que ao ser colhido, despejou violentamente a cavaleira, obrigando-a a recolher à enfermaria e posteriormente, transportada para o Hospital de Santarém, para efetuar vários exames médicos,  afim de determinar a extensão das lesões sofridas. O toiro quando estava a ser colocado para a pega, partiu o corno direito e acabou por recolher aos currais, por ordem do senhor Diretor de Corrida, não se realizando a pega.

O terceiro da ordem foi lidado a pé pelo matador Nuno Casquinha, que tudo tentou para construir uma faena digna do homenageado, porém o adversário áspero nas investidas, não permitiu o luzimento do artista, quer com as bandarilhas, quer com a muleta. Nota histórica, o matador concedeu a alternativa de bandarilheiro a João Viegas, pelo que foi anunciado aos microfones da praça, alternativa esta pouco conseguida uma vez que apenas foi colocado um par de bandarilhas pelo alternativado. No final, como prémio, volta à arena para Casquinha.

Ao novilheiro Diogo Peseiro, calhou em sorte o numero 332, com 470 quilos de peso, a que o jovem toureiro, tentou recriar uma sorte de gaiola com as bandarilhas, sem o êxito desejado, por culpa do hastado que não investiu da melhor forma. Com as bandarilhas, Diogo, convidou Casquinha para compartilhar o tércio e já com a flanela rubra, sacou séries de excelentes muletazos, pelo piton esquerdo, e alguns naturais, bem desenhados. Pelo lado direito, algumas séries de muletazos cingidos, acabando por ser colhido. Rematou a a faena com a simulação da estocada e foi premiado com volta à arena e música durante a lide.

O quinto da ordem coube a Manuel Telles Bastos, que demorou a entender os terrenos do adversário, que se adiantava e carregava, nas reuniões.

O cavaleiro da Torrinha, não se intimidou e foi para cima do toiro com tudo, deixando três compridos e cinco curtos, todos com a sua marca pessoal. Escutou música e deu volta no final, que deveria ser acompanhada do ganadero Joaquim Alves, que embora autorizado pelo senhor Diretor de Corrida, declinou o convite.

Para encerrar o festejo, saiu à praça o jovem cavaleiro de Monforte João Moura Jr., que se enfrentou com o numero 344 de 485 quilos de peso, que se arrancava pronto e com velocidade para o cavalo, de forma que na sorte do segundo curto, colheu o cavalo de Moura, o Xeque Mate, de tal forma violenta, que acabou por fraturar-lhe a perna  e projetando o cavaleiro para o solo que acabou por contrair uma lesão ao nível da boca e nariz, sendo obrigado a recolher à enfermaria, entretanto, gerou-se o pânico na arena com o cavalo caído, o toiro solto e uma multidão dentro do ruedo, recolheu-se o toiro e o cavalo, terminando a lide  e consequentemente o festejo, naqueles instantes.

No que refere à competição entre a jaquetas Sorraianas e Moitenses, saldou-se apenas por duas pegas efetuadas, assim, pelos Amadores de Coruche, Miguel Raposo, à primeira tentativa, com excelente prestação do grupo, ao saído em primeiro lugar. O segundo recolheu aos currais, por ter partido um corno, o quinto foi pegado pelos Amadores do Aposento da Moita , ao quarto intento, através do cabo Leonardo Matias, que dobrou os forcados João Ventura e Luis Fera, que recolheram à enfermaria da praça, o ultimo da noite, devido à colhida e Moura e a retirada do cavalo da praça, acabou por recolher aos currais e já voltou a sair, por conseguinte não foi tentada a pega.

E assim, terminou um festejo que tinha todos os ingredientes para ser uma excelente noite de toiros, mas que a dureza dos S. Torcato, transformou numa noite de tragédia.

Coruche 06 de Julho de 2019

João Galamba

 

 

 

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