Um estudo mostra que o gênero musical preferido pode refletir a inteligência de uma pessoa

A música é uma constante nas nossas vidas, acompanhando-nos em momentos de alegria, stress ou serenidade. Com o tempo, cada um de nós desenvolve gostos musicais que muitas vezes refletem o nosso estado de espírito. As playlists funcionam como espelhos da nossa personalidade, e certas canções tocam-nos profundamente, de acordo com as nossas vivências. Mas será que, para além das preferências e emoções, a música pode desvendar algo mais profundo sobre nós? Uma recente investigação explorou este misterioso vínculo.

Os gostos musicais podem, na verdade, oferecer uma visão da personalidade e preferências de uma pessoa, mas e quanto à sua inteligência? Este estudo investigou esta questão e revelou que a música que ouvimos regularmente pode, até certo ponto, refletir o nosso nível de inteligência.

Os investigadores adotaram uma abordagem inovadora ao combinar a análise de dados digitais dos participantes com testes de inteligência acessíveis através de uma aplicação. Analisaram 850 pessoas com idades entre os 18 e 65 anos e concluíram que ouvir certos géneros musicais não torna ninguém mais inteligente; na realidade, são as pessoas inteligentes que tendem a apreciar determinados estilos.

A pesquisa destacou que a ligação entre inteligência e música não se baseia no ritmo ou na potência da bateria, mas sim na complexidade das letras, que surgem como o verdadeiro indicador de inteligência.

Portanto, a música não cria inteligência, mas pode revelar alguns aspectos dela nas pessoas que a escutam.

Uma investigação revela a ligação entre música e inteligência

Imagens de Pexels e freepik

O estudo revela que é possível geralmente adivinhar a inteligência de uma pessoa a partir do seu género musical favorito. As pessoas que preferem letras melancólicas e tonalidades menos alegres tendem a ter um QI mais elevado.

Uma canção como « Fix You » dos Coldplay fala de dor, apoio e resiliência diante das dificuldades. As melodias tocantes podem facilmente levar as pessoas às lágrimas e tocar os ouvintes profundamente.

De acordo com a investigação, quem escuta letras tristes torna-se mais introspectivo sobre a vida em geral. Os psicólogos chamam a isso inteligência intrapessoal. Esta inteligência refere-se à capacidade de entender e reconhecer os próprios pensamentos, sentimentos e motivações.

Ela envolve uma melhor autoconsciência, através da introspeção, reflexão e percepção. Esta forma de inteligência permite planear, tomar decisões e prosseguir eficazmente com os objetivos.

Conversei com uma amiga, grande fã dos Coldplay. Quando lhe perguntei o que mais a cativava nas letras de « Fix You », ela respondeu: « Porque expressam o que sentimos no fundo… é avassalador. » Essas letras levaram a minha mãe a refletir sobre a sua própria vida.

Referências à casa e à família

Pessoas que preferem letras relacionadas com temas de casa tendem a ter um QI mais elevado. Uma canção que ilustra esse tema pode ser « Home » de Michael Bublé. As letras expressam um profundo desejo de reencontrar os entes queridos e um sentimento de conforto associado às suas raízes.

Os resultados do estudo mostram que pessoas mais inteligentes tendem a utilizar menos a música para fins sociais ou emocionais.

Elas encontram uma significação pessoal nas canções cuja letra refere a vida familiar. A construção de sentido refere-se ao processo pelo qual os indivíduos interpretam ou atribuem significado às suas experiências, interações e ao mundo à sua volta.

Canções centradas no presente

Aqueles que preferem canções com letras centradas no presente geralmente possuem um QI mais elevado. As letras que focam o aqui e agora são exemplificadas pela canção « Good as Hell » de Lizzo.

As letras não analisam o passado nem antecipam o futuro, mas enfatizam o presente: « porque me sinto bem agora ».

Para os apreciadores de música, isso sugere uma abordagem mais reflexiva e analítica da arte musical.

Podem-se escolher outras canções que enfatizam a necessidade de se viver o presente, como « Sunday Best » de Surfaces. Estas canções incentivam-nos a focar no momento atual, promovendo assim a atenção plena.

Limitações e nuances do estudo

Naturalmente, como em tudo na vida, essas preferências líricas são apenas um vislumbre das funções cognitivas.

Larissa Sust, principal investigadora, explicou à PsyPost:

« Se a audição musical sozinha fornece informações limitadas, a combinação futura de vários tipos de comportamentos digitais (como livros lidos ou lugares visitados) pode permitir aperfeiçoar essas previsões e, eventualmente, desenvolver ferramentas digitais adaptativas ou detectar precocemente o declínio cognitivo. »

Assim, ter uma playlist contagiante que você gosta de ouvir durante os treinos não significa que você seja menos inteligente só porque não escuta algo mais sombrio e introspectivo.

É necessário considerar diversos fatores, como a idade e o que se sente no momento.

Última reflexão

Os nossos gostos musicais podem, portanto, revelar muito sobre a nossa forma de pensar e a nossa relação connosco mesmos, mas não definem a nossa inteligência de forma absoluta.

As letras tristes, os temas relacionados com a casa ou as canções centradas no momento oferecem pistas sobre a nossa introspeção, compreensão de si e capacidade de viver o agora.

No entanto, a inteligência permanece complexa e multifatorial: não se limita ao que ouvimos. A música, acima de tudo, é uma ferramenta de expressão e de prazer, acompanhando-nos nas nossas emoções e experiências, enquanto revela subtilmente algumas facetas da nossa personalidade.

Este artigo é fornecido apenas para fins informativos e de reflexão. Não constitui, de forma alguma, um conselho médico, psicológico ou profissional. As noções abordadas baseiam-se em investigações publicadas, bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Em caso de dificuldades ou situações preocupantes, recomenda-se consultar um profissional qualificado ou contactar um serviço de assistência adequado.



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