Licença paternidade: uma mudança surpreendente nos pais que não surpreenderá as mães

Cada vez mais, os pais expressam o desejo de estar presentes desde os primeiros meses de vida dos seus filhos. Embora os **congé paternité** tenham sido alargados em alguns países, muitos continuam a não os utilizar em pleno. Todavia, passar tempo diário com um bebé transforma radicalmente a percepção da parentalidade. Os **primeiros gestos**, as noites interrompidas, os momentos de brincadeira e os cuidados diários proporcionam uma noção concreta do investimento necessário. Esta imersão precoce na paternidade permite aos pais compreender melhor a realidade das mães, influenciando, assim, a sua visão da família e do papel que desempenham a longo prazo.

O papel de principal cuidador recai, ainda, quase sempre sobre as mães. Assim, os resultados de um estudo realizado em 2019, que mostrava que os pais que usufruíam do **congé paternité** e passavam mais tempo com os filhos alteravam o número de filhos que desejavam ter, não surpreende as mães.

Na França, tal como em outros países ocidentais, as mentalidades estão a evoluir para um partilhamento mais equitativo das responsabilidades parentais. Contudo, esta mudança de atitude nem sempre se traduz em ações concretas, explicando porque muitas mães continuam a sentir o peso principal dos cuidados infantis.

Quando os pais se envolvem genuinamente, tomam consciência da vastidão da tarefa e dos sacrifícios que isto implica. Esta experiência pode também fortalecer o vínculo com o filho e modificar a sua visão do papel parental dentro do casal.

Os pais em congé de paternité desejam menos filhos

A mesma pesquisa revelou que os pais que tiram **congé de paternité** tendem a querer ter menos filhos no futuro.

O estudo realizado na Espanha focou nas diversas causas do baixo índice de natalidade no país. Desde 1999, as novas mães recebem seis semanas de licença de maternidade remuneradas a 100%, enquanto os pais têm apenas dois dias de licença paga. As famílias beneficiam ainda de dez semanas adicionais de licença, que podem ser usufruídas por um dos progenitores ou partilhadas entre ambos.

Sem surpresa, poucos pais aproveitaram este período de licença parental, deixando assim às mães a responsabilidade principal de cuidar dos recém-nascidos durante os primeiros meses, que são tão preciosos e intensos.

Em 2007, a Espanha introduziu duas semanas de licença paternidade remunerada, proporcionando aos pais um tempo ininterrupto com os seus recém-nascidos. Desde 2026, este sistema foi reformado: os pais têm agora direito a seis semanas obrigatórias imediatamente após o nascimento, seguidas de dez semanas adicionais facultativas.

Impacto nas gravidezes futuras

O estudo revelou que o **congé de paternité** leva a um adiamento das gravidezes futuras. Os pais que aproveitaram o período em Espanha demoraram mais tempo a ter o segundo filho. As investigadoras, Lidia Farre e Libertad Gonzalez, apontam que diversos fatores podem explicar este fenómeno.

Graças aos períodos de licença concedidos aos pais, muitas mães puderam retomar a sua atividade profissional mais cedo do que o previsto. É possível que o apoio adicional dos seus parceiros lhes tenha permitido melhor conciliação entre a vida profissional e pessoal.

Estes resultados poderão indicar que o tempo ininterrupto concedido aos pais para cuidar dos bebés poderá ter revelado a dificuldade que é cuidar de um recém-nascido.

Gonzalez acreditava que esta primeira experiência desafiante da paternidade poderia levar os pais a reavaliar o seu desejo de aumentar a família no futuro, afirmando:

Os pais descobrem o quão difícil é cuidar de um filho, e esta nova informação influencia as suas preferências quanto ao número total de filhos que desejam ter.

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Efeitos a longo prazo do congé de paternidade

O estudo constatou que os efeitos positivos do **congé de paternité** remunerado se estendem bem além da infância, perdurando até à infância.

Os pais que usufruem de uma licença parental mais longa envolvem-se mais nas atividades dos seus filhos à medida que estes crescem e trabalham, por norma, menos horas.

Ser pai não é instintivo; é um processo de aprendizagem. Quando os pais são incentivados a participar de forma equivalente às mães, compreendem melhor quão desafiador é acalmar um bebé que chora ou trocar infinitas fraldas ao longo de um único dia.

A aprendizagem surge das experiências. Se os homens não forem igualmente responsabilizados pelos cuidados a dependentes, a evolução na repartição das tarefas domésticas será lenta.

Assim, como revela este estudo, uma partilha equilibrada de tempo permite um cuidado equitativo, benéfico para toda a família.

Conclusão

Este estudo aponta para a importância de um **congé de paternité** prolongado e efetivamente utilizado. Quando os pais dedicam tempo de qualidade ao seu bebé, tornam-se plenamente conscientes das responsabilidades que a parentalidade acarreta, influenciando a sua visão da família e do seu papel.

Uma partilha equitativa do tempo de cuidados desde os primeiros meses beneficia não só as crianças, mas também as mães, facilitando a conciliação entre vida profissional e familiar.

Para além dos números e das estatísticas, trata-se de um aprendizado concreto: ser pai é um papel exigente, mas partilhado, torna-se mais justo e mais enriquecedor para toda a família.



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