O Que Significa Dormir com o Seu Animal?
Para muitos, o ritual noturno de se deitar e sentir a presença do seu animal de estimação ao lado é um gesto familiar e confortável. O cão ou o gato, com sutileza, encontra rapidamente o seu lugar na cama, muitas vezes desafiando o espaço do dono. No entanto, essa prática é mais do que uma simples necessidade de companhia; ele representa uma conexão profunda e significativa.
Alguns podem associar esta rotina a um sentimento de solidão ou a uma dependência emocional. Porém, a psicologia oferece uma perspetiva alternativa. Os animais de estimação podem tornar-se em verdadeiras figuras de apego, oferecendo um sentido de calma e segurança durante a noite. A presença destes companheiros não substitui as relações humanas, mas pode evocar mecanismos de apego que contribuem para uma sensação reconfortante e de confiança.
Dormir com o Animal: Uma Prática Comum
Os que compartilham a cama com os seus animais não são uma minoria. Uma enquete realizada com 150 pacientes de um centro de sono revelou que mais de metade dos inquiridos permitiam que os seus animais dormissem no quarto. Cerca de 20% relataram que isso prejudicava o seu sono, enquanto 41% consideraram a presença do animal benéfica.
Em 2024, outra pesquisa envolvendo 1.591 adultos mostrou que quase metade dos participantes dormia com um animal. Entre esses, aproximadamente seis em dez consideravam a influência do animal no seu sono como positiva, e mais de oitenta por cento sentiam uma melhoria na saúde e bem-estar geral.
Este hábito é, portanto, muito mais comum do que parece.
O Papel do Animal como Figura de Apego
A teoria do apego baseia-se em duas ideias fundamentais: o refúgio que encontramos nos momentos difíceis e uma base de segurança que nos permite avançar com confiança. Pesquisas foram realizadas para verificar se os animais podem cumprir algumas dessas funções.
Em dois experimentos com donos de cães e gatos, os participantes enfrentaram várias situações com o seu animal presente, representado mentalmente ou completamente ausente. Durante tarefas stressantes, a presença do animal estava associada a uma menor reatividade da pressão arterial. Além disso, aqueles que estavam acompanhados pelo seu animal apresentavam maior confiança na capacidade de alcançar objetivos pessoais.
Vale ressaltar que, embora os animais possam cumprir funções importantes, eles não substituem as conexões humanas. Uma outra investigação com 975 donos de cães revelou que, embora preencham algumas funções de apego, o fornecimento de segurança é o que menos se observou com frequência.
A Contradição do Conforto
Os dados mais recentes apresentam uma nuance importante: a qualidade do sono de quem dorme com um animal pode não ser necessariamente melhor. Segundo a pesquisa de 2024, aqueles que compartilhavam a cama com um animal relataram uma qualidade de sono inferior e mais sintomas de insónia.
Uma outra pesquisa utilizou a actigrafia com doze mulheres e os seus cães durante 124 noites, revelando que os movimentos dos cães estavam frequentemente sincronizados com os das donas durante a noite, levando a algumas perturbações. No entanto, as participantes raramente atribuíram a culpa ao animal pelos seus despertares, reportando apenas 22 vezes em 124 noites analisadas.
Diferentes Companheiros, Diferentes Efeitos no Sono
Nem todos os animais de estimação afetam o nosso sono da mesma forma. Um sondagem realizada a 962 mulheres americanas comparou a experiência de dormir com cães, gatos e parceiros humanos. Os resultados mostraram que os cães proporcionavam mais conforto e segurança em comparação com os humanos ou gatos, sendo também considerados menos perturbadores.
Contudo, a pesquisa de 2024 sugere que dormir com um cão pode estar associado a indicadores menos favoráveis, enquanto dormir com um gato poderia resultar numa melhor percepção da eficácia do sono.
O Apego Não É Sinónimo de Distúrbios de Sono
Se dormir com o seu animal fosse apenas uma questão de apego excessivo, esperar-se-ia que aqueles com uma forte ligação ao animal apresentassem mais problemas de sono. No entanto, a investigação não encontrou ligação entre a intensidade do apego e a qualidade do sono. Por outro lado, a posse de vários animais relacionou-se com sintomas de insónia mais acentuados.
Esses achados são significativos, pois os que dormem com os seus animais não manifestam necessariamente uma dependência emocional excessiva. Para muitos, essa rotina é uma fonte de proximidade e conforto, resultando em efeitos variados sobre o sono.
Considerações Finais
O conforto trazido por um animal não deve obscurecer a importância de um sono apropriado. Se a presença do seu animal está a causar frequentes interrupções, pode valer a pena ajustar um pouco a rotina sem afastá-lo completamente. Permitir que o seu animal durma perto do seu leito pode ser um compromisso: a sua presença continuará a ser reconfortante, enquanto os despertares noturnos são limitados. Fique atento a questões de alergias ou perturbações noturnas que possam justificar uma consulta ao veterinário.
Em última análise, aqueles que dormem com seus animais não precisam justificar essa prática. Para muitos, sentir a presença de um animal próximo é o que torna o espaço do dormitório mais acolhedor e tranquilo.




