Cada geração guarda na memória uma infância que lhes parece única, repleta de hábitos, jogos e pequenos rituais. Para as crianças dos anos 80 e 90, antes da chegada massiva dos smartphones e das redes sociais, a diversão estava muitas vezes nas coisas simples. Com muito mais liberdade e imaginação. Longas tardes passadas ao ar livre, jogos criados entre amigos e momentos sem ecrãs faziam parte da sua rotina. Por vezes, precisavam esperar, procurar sozinhos ou demonstrar paciência para descobrir novas coisas.
Essa época em que era possível sentir tédio por alguns minutos também permitiu o desenvolvimento da criatividade. Claro, nenhuma infância era perfeita, mas os pequenos dos anos 80 e 90 cresceram durante um período de grandes mudanças, onde a tecnologia avançava progressivamente ao seu lado.
A chegada das novas tecnologias foi gradual, o que lhes permitiu usufruir de um equilíbrio entre o mundo real e as primeiras ferramentas digitais. Não estavam constantemente conectados e não podiam obter uma resposta instantânea a cada pergunta como acontece hoje. Para pesquisar, era muitas vezes necessário ler livros, pedir ajuda e buscar soluções de forma autónoma.
Isso explica a diferença nas formas de entretenimento em relação às gerações atuais. Os jovens de hoje cresceram rodeados de ecrãs, aplicações e acesso imediato a quase tudo. Em contrapartida, as crianças dos anos 80-90 eram frequentemente levadas a inventar os seus próprios jogos, a sair para brincar com amigos e a encontrar maneiras de se entreter sem a ajuda da tecnologia. Esses momentos, que às vezes pareciam banais ou frustrantes na época, são hoje recordados com carinho como lembranças de uma infância mais desconectada e livre.
Aqui estão 9 atividades que ocupavam as crianças dos anos 80-90 quando eram jovens e que as novas gerações provavelmente teriam dificuldade em compreender:
1. Passear no centro comercial

Se alguém perguntasse a um adolescente atualmente quando foi a última vez que foi ao centro comercial apenas para passar o tempo, seria provável que ele olhasse surpreso. Poderia até explicar que foi recentemente, mas apenas porque os pais o levaram para comprar roupas ou fazer compras.
Ir ao centro comercial já não é uma atividade que muitos jovens escolhem espontaneamente para se divertir.
Para as crianças dos anos 80-90, a situação era completamente diferente. O centro comercial era um lugar de encontro essencial, muitas vezes visto como um espaço seguro onde podiam encontrar amigos, comer algo, jogar nas salas de jogos ou simplesmente passear pelas lojas.
Hoje, muitas lojas que antes faziam parte do cotidiano dos centros comerciais desapareceram, e alguns até tiveram de fechar as suas portas. O desenvolvimento das compras online e a evolução dos hábitos de consumo mudaram profundamente a forma como as pessoas fazem compras e se divertem.
2. As crianças dos anos 80-90 ouviam rádio ou CD
Isso pode parecer estranho para os jovens que estão habituados a abrir o Spotify, o YouTube ou outras plataformas e ouvir instantaneamente quase todas as músicas que desejarem. Mas o acesso à música nem sempre foi tão simples. As crianças dos anos 80-90 precisavam ouvir rádio, aguardando que a sua canção favorita tocasse. Às vezes, isso levava horas. Dias.
Os CDs também marcaram esta época ao permitir escolher mais facilmente as suas faixas favoritas e criar compilações pessoais. Possuir o álbum do seu artista preferido era um verdadeiro prazer, e emprestar ou trocar CDs com amigos era uma prática comum.
Atualmente, com as plataformas de streaming, a forma como consumimos música mudou radicalmente. Álbum inteiros são, por vezes, menos ouvidos, pois os ouvintes tendem a privilegiar faixas individuais que podem ser acessadas em segundos.
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3. As crianças dos anos 80-90 colecionavam autocolantes (ou pins ou insígnias)

Os jovens de hoje ainda usam autocolantes, mas geralmente de uma forma diferente. Decoram os seus computadores portáteis, garrafas de água, telemóveis, cadernos com autocolantes associados à cultura pop, marcas ou frases divertidas.
Para as crianças dos anos 80-90, colecionar autocolantes era uma verdadeira paixão. Muitas vezes, eram organizados em álbuns, trocados com amigos, e a posse de modelos raros ou originais gerava um sentimento de orgulho. Como acontece com os álbuns Panini.
Alguns autocolantes tinham texturas especiais, efeitos brilhantes ou cheiros particulares, o que os tornava ainda mais valiosos aos olhos das crianças da época.
Um hábito que pode parecer estranho para as gerações mais jovens de hoje.
4. Brincar com as crianças do bairro
Antes de as crianças serem frequentemente levadas de carro para encontrar amigos ou participar em atividades organizadas, muitas passavam o seu tempo livre fora, com as crianças do bairro. Andavam de bicicleta, jogavam à bola, exploravam os arredores ou inventavam os seus jogos.
Raramente havia um ecrã por perto e a intervenção dos pais era escassa. As crianças dos anos 80-90 aprendiam, portanto, a entreter-se, a resolver os seus conflitos e a organizar as suas atividades sem a ajuda de um adulto.
Esses momentos permitiram-lhes também desenvolver a imaginação e as suas capacidades sociais. Hoje, muitos jovens teriam dificuldade em imaginar passar um dia inteiro fora sem o telemóvel ou a internet.
5. Organizar a sua rotina em função dos programas de televisão

Há algumas décadas, assistir à televisão era uma experiência muito diferente. Os programas eram transmitidos em horários específicos e não era possível vê-los quando quisesse.
As crianças organizavam, assim, as suas noites para não perder o seu desenho animado, série favorita ou programa como o “Recreio A2”. Instalam-se em frente à televisão à hora marcada, aproveitando as pausas publicitárias para ir buscar um lanche ou fazer uma pequena pausa.
Hoje, as plataformas de streaming permitem visualizar filmes e séries a qualquer momento, com a possibilidade de pausar ou retomar no dia seguinte. Embora essa liberdade seja prática, também favoreceu o binge-watching, que pode, por vezes, substituir atividades como desporto, saídas ou momentos entre amigos. A verdadeira vida.
6. As crianças dos anos 80-90 liam revistas
Quando as crianças dos anos 80-90 eram pequenas, podiam divertir-se com revistas como “Pif e seus amigos”, que ofereciam jogos divertidos como palavras cruzadas e jogos das diferenças.
Os pré-adolescentes e adolescentes tinham opções um pouco mais adaptadas à sua idade, como “Tiger Beat” e “Girl’s Life”, que lhes forneciam dicas sobre assuntos que desconheciam e informações sobre as suas celebridades favoritas.
As revistas perderam, sem dúvida, muita popularidade ao longo dos anos, mas não desapareceram completamente, ao contrário do que muitos previam com a chegada das novas tecnologias.
Assim, os jovens de hoje provavelmente não consideram as revistas apenas como simples objetos do passado, mas dificilmente optariam por passar horas a folheá-las com amigos em vez de consultarem as redes sociais.
7. Fazer atividades manuais

As crianças dos anos 80-90 adoravam trabalhos manuais durante a infância e adolescência. Regularmente, criavam diversos objetos, desde arcos e lamparinas até joias feitas à mão.
Várias tendências surgiram no mundo do bricolage, como a utilização de fita adesiva para criar todo tipo de criações. E, claro, tudo isso era feito sem seguir tutoriais no TikTok.
O bricolage e a criação manual não passaram totalmente de moda, sobretudo com o ressurgimento do interesse por atividades tradicionais num mundo cada vez mais dominado pela tecnologia.
As gerações mais jovens provavelmente não se voltariam espontaneamente para este tipo de passatempo, o que é lamentável, uma vez que é uma excelente maneira de relaxar e fazer novos amigos.
8. Usar CD-ROM para jogar a jogos de vídeo
Antes da chegada dos jogos descarregáveis para telemóvel, e mesmo antes de algumas consolas populares se tornarem indispensáveis, as crianças jogavam frequentemente no computador através de CD-ROM que ofereciam várias temáticas, como a criação de roupas, gestão de parques de diversões ou outros universos imaginativos.
Muitos destes jogos estavam ligados a marcas conhecidas ou a franquias populares, mas frequentemente tinham também uma vertente educativa. As crianças tinham geralmente poucas possibilidades de comunicar com outros jogadores, proporcionando assim um ambiente mais controlado. Mais seguro.
Esses jogos também eram menos rápidos e menos complexos do que os atuais, mas precisamente por isso poderiam parecer desinteressantes para muitos jovens habituados às experiências digitais modernas.
9. Escrever cartas

Finalmente, outra atividade muito apreciada pelas crianças dos anos 80-90 durante o seu tempo livre era a escrita de cartas para os seus correspondentes (por vezes no estrangeiro, pois tinha-se um “correspondente”). Não se tratava apenas de redigir algumas linhas com notícias do dia.
As folhas e os sobres eram muitas vezes decorados com cuidado, às vezes segundo a personalidade do destinatário.
Essas cartas tornavam-se assim uma verdadeira forma de expressão pessoal, com desenhos, cores e autocolantes que lhes conferiam um toque único.
Hoje, muitas crianças não têm grande gosto por escrever, e a ideia de decorar um envelope com marcadores ou autocolantes pode parecer-lhes pouco atraente.
Entretanto, enquanto cada vez mais pessoas procuram desconectar-se das telas, a correspondência manuscrita poderá reaparecer como algo de interesse.
Portanto, é possível que esses hábitos regressem progressivamente entre as novas gerações.
Última reflexão sobre as crianças dos anos 80-90

As práticas das crianças dos anos 80-90 podem parecer estranhas para alguns ou ultrapassadas para os jovens atuais, mas representam uma época em que a criatividade, a paciência e as interações reais ocupavam um lugar de destaque.
Embora a tecnologia tenha trazido inúmeras vantagens, essas memórias mostram que era possível divertir-se com muito pouco.
Cada geração tem as suas próprias maneiras de crescer e se divertir, mas esses momentos simples continuam a recordar uma infância diferente, mais espontânea e frequentemente cheia de descobertas.
Este artigo é apresentado a título informativo e de reflexão. Não constitui, em nenhum caso, um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções evocadas assentam em investigações publicadas, bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, consulte um profissional qualificado.




