Acredita-se frequentemente que aquilo que nos faz felizes também dá sentido à vida. No entanto, pesquisadores mostram uma divergência

Desde o princípio dos tempos, a busca pela compreensão do que nos traz felicidade tem sido uma constante. O prazer, a satisfação e a sensação de realização frequentemente se entrelaçam, mas as suas fronteiras são, por vezes, nebulosas. Muitos acreditam que uma vida bem vivida é sinónimo de felicidade, uma ideia simples que molda as nossas decisões diárias de forma subliminar. Contudo, essa intuição deve ser examinada com mais critério.

Felicidade e sentido da vida são muitas vezes confundidos

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A lógica que paira aqui sugere que a escolha de um caminho correcto poderia satisfazer tanto o desejo de viver bem como o de sentir a vida significativa. Assim, quando algo nos traz felicidade, tendemos a assumir, quase de forma inconsciente, que também alimenta esse desejo de dar sentido aos nossos dias.

Entretanto, parece que felicidade e sentido muitas vezes não andam de mãos dadas.

Uma equipa de investigadores, em 2013, procurou dissociar essas duas dimensões, suas descobertas remetem a uma avaliação crítica sobre como interpretamos as nossas escolhas.

É importante esclarecer que não sou psicóloga; o que se segue é uma análise reflexiva sobre um estudo, sem pretensões de dar conselhos personalizados. O estudo que será discutido aqui é uma pesquisa correlacional realizada com um grupo específico. Portanto, trata-se de destacar tendências, não de afirmar verdades absolutas, uma vez que as tendências observadas em populações não constituem, por si só, recomendações individuais.

O trabalho de Roy Baumeister, Kathleen Vohs, Jennifer Aaker e Emily Garbinsky, publicado no Journal of Positive Psychology, envolveu a análise de 397 adultos. O foco foi medir separadamente a felicidade e o sentido da vida, utilizando uma abordagem inovadora que envolveu a correção estatística de cada variável em relação à outra, permitindo assim perceber o que pode predispor uma sem influência da outra.

Essas duas noções revelaram-se profundamente interligadas. Em várias investigações, a felicidade e o sentido da vida mostraram-se fortemente correlacionados, com coeficientes em torno de 0,63 e 0,70. Na maioria das vezes, o que nos proporciona alegria coincide com o que empresta significado à existência.

É por isso que essa hipótese se perpetua. Geralmente, está correta.

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As exceções despertam o interesse

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As exceções são, de facto, fascinantes. Uma vida cómoda e tranquila pode contribuir para a felicidade, mas pouco impacta a busca pelo sentido. Através dos dados obtidos, os autores claramente evidenciam que «as pessoas sentem-se felizes quando obtêm o que desejam.

O sentido encontra-se noutro lugar.» Esta é uma interpretação que se propõe aqui, não uma lei da natureza humana, mas que ilustra bem esta dicotomia.

Três fatores a considerar

Três aspetos destacam-se, embora não incentivem a felicidade, ao contrário, podem mesmo reduzi-la.

O Tempo

O primeiro fator é o tempo. O estudo demonstra que «quanto mais tempo as pessoas dedicam a pensar no passado e no futuro, mais sentido atribuem à vida, mas menos felizes se sentem». A felicidade reside no presente, enquanto o sentido requer uma interligação entre o ontem, o hoje e o amanhã. O impacto é modesto, mas é a direção que importa.

O Dar

O segundo aspecto aborda a questão do dar. O artigo expõe claramente: a felicidade está relacionada aos benefícios que recebemos dos outros, enquanto o sentido atribuído à vida relaciona-se com os benefícios que os outros retiram de nós. Sobre o acto de dar, os autores são assertivos, afirmando que essa é uma conclusão clara e convincente: aqueles que dão têm uma vida muito mais significativa que aqueles que recebem.

O Estresse

O terceiro fator, que pode ser debilitante, é o estresse. O estudo revelou que «níveis elevados de preocupação, de estresse e de ansiedade estavam ligados a um sentimento de significado mais profundo, mas a uma felicidade menor». Os momentos difíceis, que muitas vezes gostaríamos de apagar, operam em segundo plano, em contraste com os períodos de conforto.

Além disso, os autores argumentam que «se os seres humanos podem assemelhar-se a muitas outras criaturas na sua procura pela felicidade, a busca pelo sentido é um componente essencial da definição do que somos como humanos e o que nos torna únicos». Embora se trate de especulação, a tendência subjacente é difícil de ignorar.

Reflexão Final

O que se deve reter é que este raciocínio não vem prescrever a priorização do sentido em detrimento da felicidade. Uma vida confortável e agradável não é um erro, tendo em conta que os investigadores também afirmaram que essa qualidade de vida contribui para a felicidade.

A questão é precisamente a distinção entre as duas. Uma escolha pode fracassar na busca da felicidade ao mesmo tempo que triunfa na atribuição de sentido, e os dois resultados não são equivalentes. Diante de um desafio, é fundamental questionar qual destas dimensões está mais em jogo.

Este artigo é apenas uma reflexão e não substitui um aconselhamento médico, psicológico ou profissional. As ideias discutidas apoiam-se em investigações publicadas e observações editoriais, sem equivalência a uma avaliação clínica. Para situações específicas, recomenda-se o contacto com um profissional qualificado.



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