E se “ser velho” não fosse apenas um estado de espírito? Um psicólogo de Harvard afirma que o pensamento pode rejuvenescer

E se a ideia de “ser velho” fosse, antes de mais, uma questão de mentalidade? O envelhecimento é frequentemente associado a uma perda gradual das capacidades físicas e mentais, levando muitos a encará-lo como um fenômeno estritamente biológico e irreversível. Em várias culturas, o envelhecimento é visto como um período de retirada, onde a energia e a vitalidade diminuem. Esta visão pode influenciar a forma como cada um antecipa o seu próprio envelhecimento e adota comportamentos ao longo do tempo. No entanto, essa percepção não é estática e pode evoluir com os conhecimentos científicos atuais.

Cada vez mais estudos em psicologia e neurociências sugerem que a nossa relação com a idade desempenha um papel importante na nossa experiência do envelhecimento. A noção de que envelhecer é apenas um destino inevitável está a ser reavaliada por diversos investigadores.

O envelhecimento é geralmente visto como um declínio inescapável. Normalmente, é apresentado como uma fase da vida que não podemos alterar. Contudo, estudos demonstram que envelhecer pode não ser algo que devemos apenas aceitar.

As investigações mostram que o nosso estado psicológico também desempenha um papel crucial. As crenças que temos sobre a idade podem, de facto, influenciar os nossos comportamentos e a nossa saúde. Os especialistas afirmam que permitir-se pensar e agir como uma pessoa mais jovem pode contribuir para o fortalecimento do bem-estar geral e para melhorar a auto perceção.

Uma atitude mental positiva pode, assim, influenciar como vivemos a nossa idade no dia a dia.

E se “ser velho” não fosse apenas uma questão de mentalidade? Um psicólogo de Harvard defende que a velhice é apenas uma questão de mentalidade

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Imagens Pexels

Embora esta ideia já tenha sido explorada em investigações anteriores, Ellen Langer, doutora em psicologia, consolidou essa teoria ao conduzir uma experiência em 1979 para testar a influência da mente sobre o corpo. Esta psicóloga de Harvard colocou um grupo de homens mais velhos num monastério que imitava uma casa de 1959.

Foi-lhes pedido que se comportassem como se estivessem realmente em 1959, com vinte anos a menos. Após apenas uma semana neste ambiente, os homens mostraram diferenças físicas e mentais significativas. Eles mantinham posturas mais eretas, revelando maior força e flexibilidade. A audição e a visão melhoraram, e os resultados nos testes de inteligência foram superiores. Pareciam mesmo mais jovens.

O conjunto de evidências indicava que o envelhecimento não é um fenômeno irreversível.

«Onde a mente vai, o corpo segue», afirmou Langer numa conferência recente.

«No final da minha estadia no monastério, jogava futebol, rugby touch, claro, mas futebol, com aqueles homens, alguns dos quais tinham deixado as suas bengalas. Não é o nosso estado físico que nos limita.» Outros estudos mais recentes também corroboram as conclusões da investigação de Langer.

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Investigação reforça a ideia que “ser velho” é apenas uma questão de mentalidade

O estudo de Langer provocou um aumento do interesse para a análise dos diversos fatores que influenciam o processo de envelhecimento. Apoiada nesta hipótese, uma investigação de 2018 publicada na Frontiers in Aging Neuroscience revelou que pessoas que se sentem mais jovens do que a sua idade biológica podem apresentar um cérebro que envelhece mais lentamente.

Pesquisadores analisaram a saúde cerebral de 68 adultos entre 59 e 84 anos utilizando imagens cerebrais e testes cognitivos.

Os participantes que se percebiam mais jovens do que a sua idade real obtiveram melhores resultados nos testes de memória e mostraram menos sintomas de problemas físicos e mentais.

Essas pessoas também apresentavam uma quantidade maior de matéria cinzenta em certas regiões do cérebro, uma característica mais comum entre os jovens.

A ligação entre mentalidade e bem-estar

Embora o cérebro não possa realmente rejuvenescer com a idade, estes estudos destacam uma ligação estreita entre sentir-se mais jovem e uma melhor saúde, bem como um aumento do bem-estar geral. Estes resultados sugerem que uma mentalidade positiva pode contribuir para que se sinta mais jovem e saudável, mesmo com o passar do tempo.

As suas limitações não são necessariamente dictadas pela sua idade. Tem uma probabilidade muito maior de viver uma vida mais longa e feliz se aproveitar cada momento e se não deixar ninguém dizer-lhe o que pode ou não pode fazer.

Conclusão sobre ser velho é apenas uma questão de mentalidade

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As investigações sugerem que o envelhecimento não se resume apenas ao tempo que passa, mas também à forma como é vivido e interpretado. A mentalidade, as crenças e a auto-perceção parecem desempenhar um papel crucial na forma como cada um vivencia esta fase da vida.

Sem desconsiderar as realidades biológicas do envelhecimento, esses estudos levam-nos a adoptar uma abordagem mais abrangente, onde o mental e o físico interagem constantemente.

Ao adotar uma atitude mais positiva e ao permanecer ativo, tanto nas suas ideias como no seu comportamento, seria possível influenciar, em parte, o seu bem-estar ao longo dos anos.

Assim, envelhecer não seria apenas uma questão de idade, mas também de olhar para si mesmo e para a vida.

Este artigo é apresentado apenas para informação e reflexão. Não constitui de forma alguma um parecer médico, psicológico ou profissional. As noções aqui discutidas baseiam-se em investigações publicadas, bem como em observações editoriais, e não resultam de uma avaliação clínica. Para a sua situação particular, recomenda-se consultar um profissional qualificado.

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