9 arrependimentos que quase todas as pessoas admitem aos 70 anos

Com o passar dos anos, muitas vezes adquirimos uma nova perspetiva sobre a vida. É como se, de repente, o passado se tornasse claro, permitindo-nos observar as nossas escolhas e oportunidades perdidas com um olhar mais tranquilo. A medida que ganhamos sabedoria, percebemos o que poderíamos ter feito de modo diferente e aquilo que realmente gostaria de ter valorizado mais. Embora não possamos voltar no tempo para corrigir as nossas decisões, concentrar-nos nas experiências daqueles que já viveram muitas décadas pode revelar ensinamentos valiosos.

Diversas investigações e testemunhos de pessoas com 70 anos ou mais indicam uma tendência notável: a maioria expressa arrependimentos relacionados com as suas vidas. Entre eles, surgem com frequência nove arrependimentos, como lições universais que podemos considerar antes que seja tarde demais.

Estes arrependimentos não têm a intenção de nos desencorajar ou de tornar o futuro sombrio. Pelo contrário, representam fontes de **sabedoria** que nos permitem refletir sobre as nossas prioridades, reavaliar as nossas escolhas e, possivelmente, viver uma vida mais rica, consciente e satisfatória.

Nos parágrafos seguintes, exploraremos estes nove arrependimentos frequentemente partilhados pelos nossos mais velhos. A ideia é simples: aprender com a experiência deles para melhor orientar o nosso próprio caminho, aproveitar o presente e reduzir os arrependimentos futuros. Vamos, portanto, mergulhar nestes ensinamentos ricos e universais.

1. Não se perdoar

Imagens Pexels e Freepik

Um arrependimento comum entre os mais velhos é não se terem permitido o perdão pelas suas falhas passadas. Muitos passaram grande parte das suas vidas a remoer os próprios erros, a culpar-se e a preocupar-se com o que poderiam ter feito de forma diferente.

Aos 70 anos, percebem que esses arrependimentos foram desnecessários, desperdiçando tempo e energia a julgarem-se demasiado severamente. O **perdão a si mesmo** é um ato de coragem e liberdade, permitindo virar a página, aceitar o seu percurso e libertar-se de fardos psicológicos que impedem de desfrutar plenamente do **presente**.

2. Não procurar construir a própria felicidade

Se há uma lição a retirar desses arrependimentos, é que a felicidade não é algo que nos acontece por acaso; é algo que devemos criar. Muitas pessoas aguardam que tudo esteja perfeito para se permitirem ser felizes, acreditando que a felicidade virá quando conseguirem aquele emprego, encontrarem a pessoa certa ou comprarem a casa dos seus sonhos.

Contudo, aqueles que já viveram até aos setenta anos muitas vezes lamentam não terem compreendido mais cedo que a felicidade é uma **escolha**. Trata-se de procurar ativamente a alegria nos pequenos momentos, de expressar gratidão e de viver cada dia de forma plena.

Como disse o Dalai Lama Tenzin Gyatso:

A felicidade não é uma coisa pronta. Ela resulta das suas próprias ações.

Não se trata de um objetivo, mas sim de um modo de vida. Não a aguarde, vá criá-la!

3. Não dedicar tempo aos entes queridos

À medida que envelhecemos, é notável a transformação de valores. Os bens materiais perdem a sua atratividade, enquanto o que realmente conta é o tempo passado com os que amamos. Recordo uma conversa com o meu avô, que tinha mais de 70 anos, que me disse: «Lamento não ter passado tempo suficiente com aqueles que amava.» Durante os anos, ele estava tão absorvido no trabalho que a família muitas vezes ficava em segundo plano. Ao chegar à reforma, tinha muito tempo livre, mas muitos daqueles com quem gostaria de o partilhar já não estavam lá.

Os seus arrependimentos sublinharam a importância de cuidarmos das nossas relações. O que aprendemos é que dedicar tempo aos entes queridos é, de longe, o melhor investimento, pois, no final, são as nossas relações que realmente enriquecem as nossas vidas. O maior legado que podemos deixar aos nossos filhos é um pouco do nosso tempo todos os dias.

4. Não partilhar os sentimentos

A sociedade muitas vezes valoriza mais as ações do que as palavras. No entanto, a verdade é que, os sentimentos não expressos podem levar a um acúmulo de emoções não resolvidas, resultando em arrependimentos. Recordo-me de um tempo em que tinha sentimentos por alguém, mas não consegui expressá-los por medo. Com o passar dos anos, essa ambiguidade trouxe muitos arrependimentos. Por que não falei? Por que não arrisquei?

Este é um arrependimento frequentemente expressado por pessoas com mais de 70 anos, que desejariam ter sido mais abertas em relação aos seus sentimentos, seja em relação ao amor, à raiva, à tristeza ou à alegria. Os nossos sentimentos são importantes. Não tenhamos medo de os expressar. Afinal, quem sabe? Falar com o coração pode mudar o curso da sua vida, mas também a de alguém.

5. Contentar-se com menos do que se merece

Ao refletirem sobre as suas vidas, muitos expressam arrependimento por não terem aspirado a mais. De acordo com uma pesquisa, os arrependimentos mais frequentes entre os adultos, especialmente em relação à carreira, educação e relacionamentos, estão mais relacionados ao que não fizeram do que ao que fizeram, demonstrando a importância de **arriscar mais** na vida.

Ficar na sua zona de conforto ou contentar-se com a mediocridade por medo ou falta de ambição é um padrão comum. Relembram a falta de coragem para pedir um aumento, para se lançarem em novas relações ou para seguirem uma paixão que teria enriquecido os seus corações.

A lição que aprendemos com nossos mais velhos é clara: **não se contente com menos**. Aspirem ao que verdadeiramente desejam na vida e deixem de se subestimar. Vocês merecem a felicidade tanto quanto qualquer outra pessoa.

Como disse Oscar Wilde: sempre devemos mirar na lua, porque mesmo que não consigamos, aterraremos entre as estrelas.

6. Não arriscar e não sair da zona de conforto

Muitos de nós levam vidas estruturadas e planeadas ao detalhe. No entanto, um arrependimento comum aos 70 anos é não ter tomado mais riscos. Não digo que se deva agir de maneira imprudente, mas é essencial sair da zona de conforto ocasionalmente.

Talvez signifique dizer «sim» a uma oportunidade de trabalho que parece intimidante, mas que promete grandes recompensas. Ou realizar aquela viagem solo que sempre sonharam.

Os caminhos menos frequentados costumam levar a experiências mais enriquecedoras. A vida é curta, e vale a pena agarrar as oportunidades que surgem. Portanto, aprendamos com nossos mais velhos, arrisquemos, exploremos o desconhecido e vivamos com menos «e se».

Aquele que nunca arrisca nunca viverá plenamente.

7. Não aproveitar o momento presente

A maior parte de nós está apanhada na correria da vida. Estamos constantemente preocupados com o futuro, planejando os nossos próximos passos e sobrecarregados com o estresse do que ainda está por vir. Quando pensamos incessantemente no que nos aguarda, corremos o risco de esquecer a importância de **apreciar o momento presente**.

Este é um arrependimento recorrente entre as pessoas com 70 anos ou mais. Ao refletirem, lamentam não ter tirado o tempo necessário para saborear os momentos simples e preciosos da vida. Desejariam ter sido mais presentes no dia a dia. Aconselham: desacelere. Respire. Viva o **agora**.

Na jornada da vida, são esses pequenos momentos que podem proporcionar a maior alegria. Portanto, esteja atento a eles e valorize-os, pois um dia serão essas recordações que iremos guardar com emoção. Aprecie as pequenas coisas, pois um dia perceberá que eram as mais grandes.

8. Não se cuidar

Se há algo que se torna evidente com a idade, é a importância da nossa saúde. É surpreendente notar quantas pessoas com setenta anos lamentam não terem cuidado mais do seu corpo.

Falam sobre os anos em que negligenciaram a saúde, sem perceber as consequências que isso teria no futuro. Detalham como deixaram de lado os exames regulares, sucumbindo a hábitos prejudiciais e ignorando a atividade física por obrigações que pareciam mais urgentes.

As suas experiências servem de lembrete sobre a necessidade de respeitar e cuidar dos corpos que permitem que vivamos. Como disse um dia Jim Rohn:

Cuidem do seu corpo. É o único lugar onde têm de viver.

É fundamental mantermos a atividade, cuidarmos de nós mesmos e darmos espaço para descanso. Afinal, a nossa saúde é o pilar da nossa vida, o que nos permite apreciar todos os outros aspectos.

9. Não seguir os sonhos e paixões

Ao longo da vida, somos muitas vezes sobrecarregados por responsabilidades e compromissos, levando sonhos e paixões a serem deixados de lado. Ao chegarem aos 70, muitos lamentam por não terem seguido os seus interesses.

Seja aprender a tocar um instrumento, dançar, pintar ou escrever aquele livro há muito sonhado, estas paixões não realizadas tornam-se frequentemente fontes de arrependimento. As nossas paixões trazem **alegria**, satisfação e um sentimento de realização. Nunca é tarde para as seguir. Assim, vamos dar vida aos nossos sonhos esquecidos, um passo de cada vez.

Porque, quando a vida chega ao fim, não é o que fizemos que iremos lamentar, mas sim o que deixámos de fazer. Não permita que a sua paixão se torne parte desses lamentos.

A vida é demasiado curta para não fazermos aquilo que amamos.

Reflexões sobre o caminho percorrido

Um denominador comum emerge destas experiências partilhadas: o valor inegável do tempo. Uma citação frequentemente repetida diz:

« Não digam que não têm tempo suficiente. Têm exatamente o mesmo número de horas por dia que Helen Keller, Pasteur, Michelangelo, Madre Teresa, Leonardo da Vinci, Thomas Jefferson e Albert Einstein. »

É um pensamento que nos faz refletir, não é? O tempo é a única coisa que todos temos em comum; a forma como escolhemos usá-lo define a nossa trajetória de vida.

Talvez, então, a chave para minimizar arrependimentos futuros seja a consciencialização da importância do presente. Trata-se de valorizar os pequenos momentos, expressar os nossos sentimentos, priorizar a nossa saúde, seguir as nossas paixões, correr riscos e não se contentar com menos do que merece. Acima de tudo, deseja-se construir ativamente a própria felicidade.

À medida que seguimos pela sinuosa estrada da vida, estes valiosos ensinamentos dos nossos mais velhos podem servir como marcos essenciais. Que adotemos, portanto, estas lições, que evoluamos e vivamos cada novo dia com menos arrependimentos e muito mais **alegria**.



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