50 anos de ramagens na ilha Terceira – Crónica da primeira Corrida da Feira de S. João 2023

Dia de S. João é sinónimo de Corrida grande em Angra do Heroísmo. Uma praça praticamente esgotada, como não se via há mais de 2 décadas, celebrou os 50 anos de história do Grupo de Forcados Amadores da Tertúlia Tauromáquica Terceirense. Em praça, com os homens da jaqueta da Tertúlia, estiveram António Telles, Tiago Pamplona e Francisco Palha, diante de um curro de Veiga Teixeira muito bem rematado.

O “Gallito” (nº775, 574Kg) foi-se parando no centro da arena defendendo-se e cortando-se nas reuniões. António Telles empregou-lhe uma lide de paciência e, fazendo uso de toda a sua maestria, mexeu-lhe com os terrenos e foi consentindo as investidas na colocação dos ferros. A destacar o 4º ferro curto a aguentar a investida áspera do toiro. A lide possível, mercê das condições do oponente. O segundo do seu lote (nº767, 522Kg) pedia que lhe pisassem os terrenos, indo a menos ao longo da lide, investindo pela certa e com arreões. Apesar das complicações apresentadas pelo toiro, o Mestre da Torrinha possibilitou o vislumbre de alguns momentos interessantes de toureio equestre.

Tiago Pamplona esteve em plano de triunfo. Com um lote de toiros cumpridores, conquistou a assistência da Monumental “Ilha Terceira”. O primeiro (nº798, 530Kg) carregava pouco na reunião, no entanto não comprometeu a contenda. O Marialva do Posto Santo recriou-se nas bregas, andando cingido numa lide de entrega que resultou e deixou vontade de perceber o que viria na sua segunda aparição. As espectativas não saíram goradas. O toiro (nº788, 565Kg) foi crescendo ao longo da lide, indo ao cite com ímpeto e nobreza. O Cavaleio entendeu-o e ajudou-o a crescer em termos de comportamento. Tirou partido das condições do hastado que tinha pela frente e rubricou a lide da tarde, com grande correcção na preparação e cravagem dos ferros.

Francisco Palha teve pela frente aquele que terá sido o lote menos luzidio. Com o seu primeiro (nº803, 566Kg), procurou ligar-se e interessar o toiro, no entanto não conseguiu dar-lhe a volta por completo. Não se livrou de alguns toques na montada com o desenrolar da função. O toiro foi-se degradando em comportamento, até se fixar em terrenos de tércios, saindo só pela certa e desligando-se em seguida. Fechou praça diante de um exemplar (nº 777, 597Kg) que mostrou bons modos, inicialmente, vindo depois a ficar cada vez mais curto nas viagens.  Lide esforçada, mas pouco inspirada quanto à escolha de terrenos.

Em ano dourado, o GFATTT saiu triunfador, com quatro pegas efectuadas à primeira e um desempenho muito coeso nas ajudas. Para inaugurar as celebrações, o Cabo João Pedro Ávila, fez as honras da casa. Após duas tentativas em que o grupo não ajudou da melhor forma e das quais saiu em maca, como um olho maltratado, decidiu dar o exemplo voltou de imediato consumando à terceira com ajudas carregadas. Carlos Vieira este muito bem na cara, arrancando uma grande pega com a preciosa ajuda do grupo. João Silva resolveu sem dificuldades e com ajudas um pouco carregadas. Tomás Ortins arrancou uma pega vistosa, estando o grupo em destaque nas ajudas. Francisco Matos esteve valente ao consumar uma grande pega. Bernardo Belerique fechou com uma boa pega à segunda, tendo para isso contribuído a excelente intervenção do primeiro ajuda Fernando Ferreira “Mangueira”. Nota para muitos forcados já retirados que integraram as formações para as pegas.

Dirigiu a corrida, com acerto, o Director Mário Martins, com assessoria do médico veterinário Vielmino Ventura. Abrilhantou (bem!) a Banda da Feira de S. João.

Artigos Similares

Destaques