Há momentos em que “ficar no mundo da lua” é algo mais do que apenas sonhar acordado. Às vezes é dissociação, que é a capacidade de te retirares inconscientemente de uma dor ou ferimento real ou ameaçado. Pode ser assustador, mas é mais comum do que pensas.
Estar numa situação traumática, ou mesmo potencialmente traumática, pode desencadear uma cascata de memórias e sentimentos que levam à dissociação. Se isto te acontece, é útil saber como parar o processo. Aqui estão cinco ferramentas simples:
1 – Dá um abraço a ti próprio (com um só braço)
Isto reafirma que estás em segurança. A dissociação é frequentemente desenvolvida como uma forma de lidar com traumas inescapáveis onde não há outra opção. Para sobreviveres, aprendes a entorpecer-te perante o ataque emocional ou físico para que ele não te possa magoar, porque não o consegues sentir.
Deixas de estar no teu corpo. É a forma definitiva de garantir que ninguém te pode ferir. Mas lembra-te: quem dissocia muitas vezes não sabe que o está a fazer, o que significa que, por vezes, estão a proteger-se ativamente quando já não precisam de o fazer.
2 – Diz uma palavra calmante de duas sílabas
Dizer uma palavra suave de duas sílabas pode dar à tua mente algo em que pensar enquanto relaxas o corpo. Pode ser uma palavra neutra — como ja-ne-la ou ma-çã — desenhada para te ancorar de volta a ti próprio.
Fecha os olhos. Deixa a palavra saltitar na tua mente sem esforço durante um minuto ou menos. Investigações sobre o uso de mantras mostram que esta pode ser uma forma útil de mitigar stressores imediatos. A dissociação é por vezes glamorizada no cinema (como nos super-heróis), mas na vida real é um mecanismo de defesa inconsciente que surge de uma necessidade de proteção.
3 – Diz uma afirmação em voz alta enquanto acaricias um dos braços
Escolhe algo simples como: “Eu posso cuidar de mim”, “Estou em segurança” ou “Sou digno de cuidado”. Compreende que a dissociação pode ser ativada por sons (pessoas a discutir), toque, visões ou cheiros que remetam para desconforto ou trauma.
Se a tua dissociação começou na infância e continua até ao presente, ela é, na sua essência, uma forma de proteção. Pode manifestar-se como uma hipervigilância que te faz sentir quase como se tivesses um olho na nuca, permitindo-te detetar quem pode ser uma ameaça.
4 – Tenta uma meditação a caminhar
Uma técnica de enraizamento (“grounding”) fácil que podes fazer nas compras ou entre reuniões é usar o caminhar para meditar.
- Dá um passo com o pé esquerdo e diz para ti mesmo: “Estou em segurança.”
- Dá um passo com o pé direito e diz: “Estou em casa.” Repete enquanto caminhas, reafirmando que estás seguro dentro de ti próprio.
5 – Mastiga um cubo de gelo
O frio e o som da trituração podem trazer-te de volta ao presente num instante. Enquanto o fazes, nota os sinais comuns de dissociação, tais como:
- Sentires que estás a observar-te de fora (do teto ou de uma cadeira ao lado).
- Dificuldade em acompanhar o que é dito, como se as pessoas falassem uma língua estrangeira.
- Perda de tempo (não saber o que aconteceu durante um determinado período).




