Festival Taurino dos 85 Anos de Fundação dos Amadores de Vila Franca: Ricardo Belchior “Sevilha”

Ricardo Belchior, mais conhecido por “Sevilha”, outra referência dos Amadores de Vila Franca vai voltar a vestir-se de forcado e já prometeu entrada em praça neste dia simbólico.

 

5ª Parte – Épocas 1983 a 1991

Na época de 1983 surge como Cabo o Sr. João Dotti com o objetivo principal de manter o Grupo no elevado nível das épocas anteriores. Apesar de ser o mais jovem Cabo de sempre do Grupo, com os seus 20 anos, possuía, como se veio a comprovar, a maturidade suficiente para desempenhar o papel com inegável sucesso. Um conjunto de grandes forcados mais velhos, conjugado com uma “fornada” de novos valores a despontar, foram o suporte para esta tarefa. Nesse ano despede-se em Abiul o forcado João Villaverde que continuava na festa como bandarilheiro e mais tarde, também como ganadeiro. A empresa da Praça de Toiros do Campo Pequeno homenageou o Grupo com o descerrar de uma lápide comemorativa do cinquentenário da fundação do Grupo de Vila Franca. As 24 corridas e 78 toiros pegados nessa época com passagem por praças importantes como Alcochete, Vila Franca, Campo Pequeno, Moura, Nazaré, Moita do Ribatejo e Salvaterra de Magos provam que a força e o prestígio do Grupo de Vila Franca se mantinham intactos. No final do ano, a tertúlia “Os Almoçaristas” distinguiu o Grupo de Vila Franca de Xira como triunfador da temporada.

Na época seguinte, 1984, o Grupo volta a ser “puntero” com 28 corridas e 83 toiros pegados. Significativas as 6 presenças na “Palha Blanco”, 3 na Nazaré, 2 em Cascais e 1 no Campo Pequeno. Nesta época o Grupo foi galardoado pela “Casa do Forcado” de Vila Franca com o prémio de “Melhor Grupo na Palha Blanco”.

Em 1985 com o Cabo João Dotti a ter de se ausentar do país na 2ª metade da época, por motivos profissionais, o Grupo ficou temporariamente entregue ao forcado Rogério Antunes que com a ajuda de alguns elementos mais velhos leva “o barco a bom porto” até ao regresso do Cabo. O destaque maior desta época vai para a primeira e única presença no seu historial, na “Monumental de Las Ventas” em Madrid, no dia 16 de Junho. Nesta época o Grupo foi galardoado com o prémio da “Melhor Pega” da Feira Anual de Outubro em Vila Franca.

Se nas épocas anteriores o Grupo manteve um número significativo de atuações, o ano de 1986 foi a exceção à regra, visto que no final apenas contou com 16 corridas. Para tal contribuiu um litígio com a empresa que geria a “Palha Blanco”. Uma das facetas mais vincadas do Cabo João Dotti era o de marcar a posição e defender a dignidade do Forcado Amador e os interesses do Grupo de Vila Franca acima de tudo, pelo que houve algumas situações de conflito com empresas que não tratavam de modo adequado a figura do Forcado no geral e do Grupo de Vila Franca em particular.

Na época de 1987 o Grupo recuperou o ritmo de corridas das épocas anteriores. Atuou em 3 corridas nas Praças Francesas de Nimes, Lunel e St. Marie de la Mer, em 2 digressões, para além de praças mais a sul de Portugal, como Vila Real de St.º António, Beja, Vila Viçosa e Évora, onde o Grupo enfrentou o toiro mais pesado da sua história até á altura, um exemplar da Ganadaria Couto de Fornilhos que acusou na balança 715 kg. No “Coliseu Romano” de Nimes, com momentos de chuva torrencial, o Grupo de Vila Franca enfrentou um duro curro de 6 toiros com pleno sucesso. Na Moita do Ribatejo, Jorge Faria ganhou o prémio para a “Melhor Pega” da Feira Taurina da Moita tendo no final da época sido também galardoado com o prémio de “Melhor Forcado do Ano”.

Em 1988, no mês de Abril, o Grupo homenageou o único elemento fundador ainda vivo, Daniel Serafim. Uma exposição, um debate e um almoço constaram da efeméride. Em mais uma digressão a França, o Grupo voltou a St. Marie de la Mer e a Beaucaire com grande êxito em ambas as corridas. Em Agosto, no fim de semana de 6 e 7, o Grupo pegou 3 corridas, Abiul e Nazaré no sábado e um dura corrida de Coimbra Barbosa na Póvoa do Varzim, no domingo, numa corrida onde num dos toiros do Grupo de Santarém, alguns ajudas do Grupo de Vila Franca também saltaram instintivamente à praça, para ajudar o outro Grupo a consumar a pega desse dificílimo toiro que já lesionara vários forcados de Santarém nas tentativas de pega anteriores. A época não iria terminar sem a despedida do grande forcado Rogério Antunes, na Feira Anual de Outubro em Vila Franca, após pegar um toiro Ernesto de Castro. Nesta mesma feira de Outubro o Grupo obteve ainda o prémio para a “Melhor Pega” da Feira Anual. O Grupo foi ainda galardoado pela RTP com o prémio “João Moreira de Almeida” como Grupo triunfador da época e Carlos Teles “Caló” foi considerado o “Melhor Forcado” nesta temporada.

O ano de 1989 foi marcado pelo aparecimento da “peste equina” que condicionou bastante o transporte de cavalos pelo país o que se veio a manifestar no número de espetáculos e por inerência, no número de corridas do Grupo de Vila Franca. Numa corrida com toiros Mariana Passanha em Salvaterra de Magos, o primeiro toiro lesionou vários forcados e acabou por ser José Dotti à 11ª tentativa, com os forcados que ainda restavam, a resolver este complicado problema. Esta foi uma época muito dura, com corridas bastante difíceis, como em Cascais, Elvas e Coruche.

A época de 1990 também foi marcada pela fraca quantidade de atuações do Grupo de Vila Franca, em igual número do ano anterior, mas já por razões distintas. Nesta época surgiu um diferendo entre o Grupo de Vila Franca e a classe dos bandarilheiros que acabaram por vetar as corridas onde o Grupo atuasse o que originou a não contratação do Grupo em várias corridas. No concurso de ganadarias dessa época em Vila Franca de Xira, o Grupo obteve o troféu para a melhor pega do ano a um toiro Luis Passanha e despediu-se o Grande forcado Rafael Vicente “Trancas”. Em França mais duas grandes atuações, em Beziers onde se deu início a uma prolongada e salutar relação de amizade com a “Peña Taurina Emílio Oliva” e em Dax, onde numa corrida dura, a certa altura foi necessário ir buscar alguns forcados que estavam na enfermaria para ser assistidos, em estado menos grave, de modo a completar o número de forcados necessários para completar a formação que iria pegar. A questão que opunha o Grupo à classe dos bandarilheiros veio a ser resolvida após uma reunião entre o Cabo João Dotti e os representantes dos bandarilheiros, no Porto Alto já no início de 1991, ficando o problema sanado desde esse dia.

Veio a época de 1991 e as atuações voltaram a subir em número, tendo o Grupo atuado nessa época em 28 ocasiões voltando a ser “puntero”. Em Julho, houve mais uma digressão a França com excelentes atuações em Dax e Mont Marsan e uma outra a Espanha. Na Feira Anual de Outubro em Vila Franca de Xira, na Terça-Feira Noturna, João Dotti, pegou pela última vez de caras e entregou a função de Cabo ao Sr. Jorge Faria.

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