1ª Grande Corrida dos Vinhos de Estremoz

  • Local: Estremoz
  • Data: 5 de Maio de 2019
  • Cavaleiros: Francisco Cortes, Ana Batista, Manuel Telles Bastos, Marcos Bastinhas, Ana Rita e o praticante Manuel Oliveira
  • Forcados: Grupos de Forcados Amadores de Arronches, Monforte e Académicos de Elvas
  • Ganadaria: José Luís Vasconcellos e Souza d’AndradeRealizou-se este domingo a corrida de touros integrada na 33ª edição da FIAPE – Feira Internacional da Agropecuária de Estremoz. O calor fez-se sentir durante o dia e a empresa decidiu iniciar o espetáculo 30 minutos mais tarde, tendo-se iniciado as cortesias às 16h30, registando-se uma entrada de público de meia casa forte.

    Abriu praça o cavaleiro estremocense Francisco Cortes, perante um toiro com 452kg. Iniciou função com a correta cravagem de 2 ferros compridos, seguindo-se uma lide nos curtos com pouca ligação e alguns toques, perante um toiro com pouca transmissão, que em nada ajudou ao sucesso do cavaleiro que foi superando as dificuldades sem conseguir atingir um nível de triunfo.

    O 2º toiro, com 465kg, tinha mais cara que o seu irmão de camada e estava bem rematado, mas mostrou desde o início algumas limitações físicas. Para o lidar apresentou-se a cavaleira Ana Batista, que esteve correta, com uma lide ligada conseguiu desenhar boas sortes e cravar com correção. Faltou ao seu oponente aquela mobilidade e pata que é característica do encaste Tamarón, sendo que no final da lide rachou completamente em tábuas, dificultando muito a cravagem do ferro de palmo com que a cavaleira encerrou a lide.

    Para encerrar a 1ª parte da corrida entrou em praça o cavaleiro Manuel Telles Bastos, frente a um toiro de 445kg com mais mobilidade e mais encastado que os anteriores. A maior mobilidade do toiro, aliada à classe e toreria do cavaleiro da torrinha, proporcionaram os melhores momentos da tarde, numa lide com maior ligação e ritmo, com sortes bem desenhadas e ferros cravados de frente e ao estribo, mostrando o cavaleiro maturidade e conhecimento durante toda a lide.

    Após o intervalo, entrou em praça o cavaleiro Marcos Bastinhas de casaca negra, sob forte aplauso do público que muito o acarinhou. A primeira corrida da temporada, depois de já ter lidado o festival de Vila Franca, continuou envolta num sentimento especial, como certamente será toda a temporada, pela fatalidade sofrida pelo seu pai Joaquim Bastinhas e pelo enorme carinho que os aficionados tinham pelo seu pai e que têm pelo Marcos como foi bem visível durante esta tarde.

    O cavaleiro de Elvas veio decidido e foi receber o seu oponente à porta dos curros, mas logo aí começou a falta de sorte, pois o toiro saiu distraído e não permitiu ao Marcos conseguir o início de lide que procurava. O toiro continuou distraído e pouco colaborante, os ferros não resultaram com a emoção desejada e até um dos seus cavalos escorregou, caindo cavalo e cavaleiro com grande aparato. No final, nem o par de bandarilhas resultou à primeira, mas a lide terminou com um forte aplauso resultante da humildade demonstrada pelo cavaleiro, junto com o carinho enorme que o público tem por ele. Consciente de que nada correu bem, não quis dar volta, mas mais uma vez o público levantou-se e acarinhou-o de tal forma que teve que dar a volta de agradecimento.

    Apesar de hoje nada ter corrido bem, o Marcos é um cavaleiro com muito valor e determinação e ninguém tem dúvidas que esta temporada tão especial e marcante na sua vida vai ser triunfal.

    O 5º toiro, que calhou em sorte à cavaleira Ana Rita, foi o mais sério que saiu à arena nesta tarde. Com 495kg, bem rematado e a mostrar sentido desde o início da lide. A cavaleira andou alegre e valente, como é seu apanágio. Cravou os compridos com correção, mas o toiro foi ganhando complicações ao longo da lide, dificultando as reuniões e terminando a lide a defender-se muito fechado em tábuas. Após os curtos, a cavaleira saiu à arena com novo cavalo para terminar com dois violinos muito aplaudidos.

    A fechar a tarde, entrou em praça o cavaleiro praticante Manuel Oliveira para lidar um toiro burraco de 460kg. Perante um toiro com mais mobilidade que os anteriores, o cavaleiro sentiu algumas dificuldades na lide, estando bem nos compridos, mas mostrando mais fragilidades na colocação dos curtos, com algumas passagens em falso e dificuldades na reunião, sofrendo alguns toques e sortes menos conseguidas. Apesar de autorizada a volta de agradecimento pelo diretor Marco Gomes, o cavaleiro Manuel Oliveira acabou por não a dar.

    Em tarde de concurso de pegas, estiveram em disputa três grupos de forcados da região.

    Os Amadores de Arronches conseguiram uma tarde limpa, com duas pegas à primeira. A abrir praça, o forcado João Rosa, que esteve muito correcto, aguentando a investida de um toiro que arrancou de largo e conseguindo uma boa reunião. Encheu bem a cara ao toiro e o grupo fechou coeso. O 4º toiro foi pegado pelo forcado Luis Marques que se mostrou também muito sereno e confiante, pegando sem dificuldades à 1ª tentativa.

    Pelos Amadores de Monforte, pegaram João Maria Falcão à 1ª tentativa e Gonçalo Parreira à 3ª.

    João Falcato mostrou conhecimento e esteve muito bem frente ao toiro, mandou na investida, encheu a cara ao toiro e fechou-se muito bem, sendo bem ajudado pelo grupo. Já Gonçalo Pereira teve pela frente o maior e mais complicado toiro da tarde. O toiro custava em fixar-se, raspava muito e o forcado não conseguiu nunca mandar na investida. Na 1ª tentativa o toiro ensarilhou e não conseguiu reunir. Na 2ª tentativa pisou terrenos de compromisso e não se conseguiu sacar caindo antes de chegar aos 2os ajudas. Pegou à 3ª tentativa com uma reunião muito defeituosa, mas com uma primeira ajuda primorosa que o voltou a por na cara do toiro, fechando bem depois todo o grupo.

    Os Amadores Académicos de Elvas conseguiram o prémio para a melhor pega ao 3º toiro da tarde, pelo forcado Paulo Barradas, forcado experiente, que regressou em grande plano após longa paragem por lesão. Mostrou confiança no cite e muita garra numa reunião dura em que se fechou com decisão, aguentando a viagem até ao grupo. Dos 4 toiros pegados à 1ª tentativa, este foi aquele que teve mais poder e que deu por isso mais emoção na pega, tendo sido a escolha da melhor pega consensual em toda a praça.

    Para encerrar a tarde foi escolhido o jovem forcado Tomás Silva que só conseguiu consumar à 4ª tentativa. Notou-se a falta de experiência, mas o forcado esteve sempre valente e foi sempre crescendo. Na 1ª tentativa o toiro arrancou com pata assim que o forcado começou a citar, não conseguindo aguentar a investida, caindo na reunião junto a tábuas. A 2ª tentativa a esta pega foi um dos momentos de maior emoção desta tarde, tendo o forcado aguentado uma grande viagem, onde faltaram ajudar para concretizar. Acabou por fechar a pega apenas à 4ª tentativa a sesgo.

    A tarde ficou ainda muito marcada pelo luto da família Bastinhas, tendo todos os intervenientes e público mostrado muito carinho por eles, com muitos brindes de lides e pegas ao cavaleiro Marcos Bastinhas, a sua mãe Lena Nabeiro e ao seu irmão Ivan.

Artigos Similares

Destaques