10 escolhas de vida feitas na quarentena que podem causar profundos arrependimentos após os 65 anos

markdown

Recentemente, encontrei-me a discutir com um amigo de longa data que não via há anos. Ele revelou que sempre sonhou em viajar um ano pela Ásia, mas adiou esse projeto incessantemente. Agora, com 68 anos, sentado no pequeno bistrô que costumávamos frequentar, ele confessou com um sorriso triste: « Esperei sempre pelo momento certo… Agora, as minhas obrigações familiares e a minha saúde não me permitem partir por tanto tempo.»

Esta conversa desencadeou em mim profundas reflexões sobre as escolhas que fazemos durante a vida, especialmente na quarentena. Nessa fase, tendemos a tomar decisões que parecem razoáveis no momento, como priorizar a carreira, economizar ou permanecer na nossa zona de conforto. Contudo, anos mais tarde, algumas dessas escolhas podem se transformar em arrependimentos existenciais, revelando um padrão intrigante: certas decisões, aparentemente insignificantes à época, tendem a deixar uma marca indelével do que poderia ter sido.

1. Negligenciar a saúde pela comodidade

Imagens Freepik

« Começarei a fazer exercício no próximo mês. » Esta frase deve ser familiar. Na quarentena, ainda nos sentimos um pouco invencíveis. É verdade que subir escadas já nos cansa um bocado, mas ainda vamos sobrevivendo, certo?

Conheci uma vizinha, a Simone, que teve um pequeno enfarte aos 58 anos. Os médicos garantiram que foi um pequeno incidente, mas para ela, lá estirada na cama do hospital, foi um verdadeiro choque. Ela revelou como ignorou a sua saúde durante anos, adiando a prática de desporto e as caminhadas por «falta de tempo».

Desde então, a Simone acorda todos os dias às 6h30 para passear o seu cão, faça sol ou chuva. Muitas vezes se questiona sobre como teria sido a sua vida se tivesse começado a cuidar da saúde há vinte anos, quando ainda se sentia invencível.

O corpo não perdoa, e a conta chega a partir da sétima década, carregada de juros.

2. Adiar a felicidade

Está à espera de ser feliz? Espera pela reforma, que os filhos saiam de casa, ou que pague a casa?

Na quarentena, tornamo-nos especialistas na arte de adiar a felicidade. Faremos aquela viagem quando as coisas acalmarem. Vamos dedicar-nos a outro passatempo quando tivermos mais tempo.

Mas a alegria não é uma recompensa que espera no fim do caminho. Ela está acessível desde já, em pequenas doses, se a procurarmos.

As pessoas que conheço que são mais felizes após os 65 anos não são aquelas que esperaram para fazer o que quer que seja; são as que sempre souberam integrar o prazer no seu quotidiano.

Uma revisão sistemática revelou que os **regressos significativos** estão associados a uma menor satisfação de vida, o que destaca a importância de viver plenamente em vez de adiar tudo.

3. Priorizar o trabalho em detrimento das relações

Quantos jantares em família perdeu este mês por causa do trabalho?

Pelo que parece, na minha mente, trabalhar até tarde era uma forma de cuidar da minha família. Mais dinheiro significava melhores oportunidades para eles, não é verdade?

Erro. Aqueles momentos em que decidi ficar no escritório para terminar relatórios importantes? Os meus filhos não se lembram dos números ou dos relatórios que produzi nessas noites. **Eles apenas recordam a minha ausência.**

Uma amiga contou-me sobre um episódio semelhante: seu filho venceu um pequeno concurso na escola, mas ela não pôde estar presente na cerimónia de entrega de prémios porque estava numa reunião.

Anos mais tarde, ele disse-lhe simplesmente: « Mãe, procurei-te na multidão… mas não estavas lá. » A alegria daquele momento e o dinheiro conquistado com o trabalho pareciam de repente insignificantes comparados a aquele lugar vazio.

A sua carreira vai eventualmente terminar. As suas relações podem e devem persistir. Contudo, tantos de nós caímos na armadilha de pensar o contrário. Uma vasta estudo transcultural constatou que a **equilibrar trabalho e vida pessoal** está associado a uma maior satisfação de vida e menos ansiedade ou depressão em vários países analisados.

4. Recusar-se a perdoar

A mágoa é um fardo, e ela apenas aumenta com a idade. O membro da sua família que o magoou, o parceiro comercial que o traiu, o amigo que o desapontou – alimentar essa raiva pode parecer justificado, mas você é quem acaba por carregar o peso.

Conheci demasiadas pessoas mais velhas que continuam a reviver conflitos de há décadas. Enquanto a outra parte já virou a página, elas continuam a envenenar a mente na espera de uma mudança que **nunca chegará.**

O perdão não diz respeito ao outro; trata-se de libertar-se de um fardo que, com o tempo, apenas aumenta.

5. Fechar-se na zona de conforto

Quando é que o desejo de experimentar coisas novas se tornou tão assustador? Na quarentena, frequentemente já encontramos o nosso ritmo. Os mesmos restaurantes, os mesmos locais de férias, as mesmas rotinas de fim de semana. **É confortável e fácil.**

Um conhecido que se aposentou sempre falou em aprender a tocar um instrumento, mas nunca se inscreveu num curso. « Estou velho demais para começar agora », dizia ele aos 55 anos. Da última vez que soube dele, já com 65 anos, repetia a mesma frase.

Pessoalmente, conheci a minha esposa numa atividade à qual quase não fui, receando parecer ridículo. Já foi há muitos anos.

A sua zona de conforto é confortável por um motivo, mas **nada se desenvolve nela**, nem mesmo você.

6. Viver através dos filhos

Os sucessos dos seus filhos não são os seus. É difícil aceitá-lo, especialmente quando investimos tanto no sucesso deles.

Mas os pais que se identificam completamente com as conquistas dos filhos enfrentam frequentemente uma crise de identidade quando estes crescem e tomam seus próprios caminhos.

O que acontece quando eles ligam menos? Quando tomam decisões que você não teria tomado? Quando já não precisam de si da mesma maneira?

Se você não desenvolveu os seus próprios interesses e identidade, a vida na sexta década pode parecer surpreendentemente vazia, mesmo que tenha criado filhos bem-sucedidos.

7. Fugir de conversas difíceis

A partir dos 40 anos, tornamo-nos mestres na arte de manter a paz. É melhor não fazer ondas. Não aborde o assunto com o seu parceiro.

Não diga a um amigo que o comportamento dele o magoou. Evite ter aquela conversa honesta com os seus pais idosos sobre o futuro deles.

Mas os silêncios não desaparecem.

Acumulam-se como poeira nos cantos e, aos 70 anos, você se vê rodeado de arrependimentos, com relações que nunca atingiram a sua verdadeira profundidade.

Infelizmente, algumas pessoas já não estarão aqui para discutir estes temas.

8. Deixar cair as amizades

Quando foi a última vez que ligou para aquele amigo de longa data? Não uma mensagem, não um «gosto» nas redes sociais, mas uma verdadeira conversa?

Manter amizades na quarentena parece uma tarefa que se adiciona a uma lista interminável.

Assumimos que essas relações sempre estarão lá quando tivermos mais tempo. Mas a amizade é como um músculo que atrofia na falta de exercício.

Com 65 anos ou mais, muitos se veem rodeados de conhecidos, mas sem laços profundos. Fazer novas amizades torna-se exponencialmente mais difícil à medida que envelhecemos.

9. Ignorar a situação financeira

« Ai, vejo isso mais tarde. » Essas cinco palavras desencadearam provavelmente a maior angústia em relação à reforma. Entre os 40 e 50 anos, a reforma ainda parece tão distante que nos permitimos manter uma atitude vaga em relação a ela.

Aprendi, observando pessoas próximas a aposentarem-se, que aqueles que aceitaram desde o início a realidade da reforma, mesmo que os números fossem difíceis de lidar, acabaram tendo escolhas.

Os que não o fizeram, acabaram por trabalhar mais do que o seu corpo realmente desejava, ou viver uma vida muito mais restrita do que tinham imaginado.

Conversar sobre dinheiro é delicado. A pobreza entre os idosos é um cenário ainda pior.

10. Abandonar paixões e sonhos

Quantas vezes deixou de lado as suas paixões, «para mais tarde»? Na quarentena, frequentemente nos convencemos de que é o momento de nos concentrarmos no trabalho, na família ou nas obrigações. Mas esse adiamento contínuo acaba por criar um vazio.

Conheci muitas pessoas na casa dos 60 anos que me disseram que sempre sonharam em escrever um livro, viajar sozinhas ou iniciar um projeto, mas esperaram pelo «momento perfeito».

Agora, muitas já não têm a mesma energia, outras encontram-se com restrições que poderiam ter evitado se tivessem agido mais cedo.

Um estudo internacional realizado com pessoas acima dos 65 anos aponta que ter **passatempos regular** está ligado a um aumento da felicidade e a uma redução dos sintomas depressivos.

Não deixe que os seus sonhos se extinguam por inação. Mesmo pequenas ações, como dedicar uma hora por semana a tocar música, escrever ou aprender algo novo, podem transformar o seu dia e evitar que, em vinte anos, você lamente não ter começado mais cedo.

Reflexões Finais

A boa notícia? Se está a ler isto e já passou dos 40 anos, ainda há tempo para mudar o seu rumo. Mesmo aos 60 anos, não é tarde para modificar alguns destes hábitos. Os arrependimentos não são um destino; podem ser evitáveis.

Comece modestamente. Faça essa chamada. Dê aquele passeio. Inicie a conversa. Inscreva-se naquele curso. O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos. O segundo melhor momento é agora.



Scroll to Top