A vida é repleta de momentos que nos lembram que a idade nunca é uma barreira ao deslumbramento. Por vezes, basta um simples instante para nos apercebermos de que algumas pessoas parecem atravessar os anos com uma vitalidade e um charme que fascinam todos ao seu redor. Já reparou como certas pessoas, mesmo ao envelhecer, emanam uma energia que atrai naturalmente os outros? Recentemente, enquanto passeava num parque, avistei um homem na casa dos sessenta anos sentado num banco, a conversar com um grupo de estudantes que aproveitavam o sol.
A conversa centrou-se em viagens, fotografia e inovações tecnológicas, e todos pareciam cativados pelos seus relatos. O que me impressionou não foi o facto de ele tentar impressionar ou parecer «modernizado», mas sim a sua genuína curiosidade, que tornava as suas palavras fascinantes. Ele ouvia, fazia perguntas, partilhava a sua experiência e, sobretudo, mantinha-se aberto às ideias dos mais jovens.
Ao observar esta cena, pensei: “é exatamente o tipo de pessoa que eu gostaria de ser quando for mais velho”. Alguém que inspira os outros pela sua vivacidade, envolvimento e alegria de viver, ao ponto de os mais jovens se dizerem: “Gostaria de ser como ele quando tiver a sua idade”.
No entanto, tornar-se esse tipo de pessoa não é uma questão de sorte ou genética. É algo que se constrói através de hábitos, escolhas e uma atitude que cultivamos ao longo da vida. Trata-se de manter-se curioso, aberto, apaixonado e atento aos outros, mesmo com o passar dos anos.
Então, o que pode começar a fazer agora para tornar-se essa pessoa admirada aos 65 anos e mais? Aqui ficam algumas sugestões para explorar…
1. Mantenha-se aberto às experiências

A velhice não significa estagnar nas suas rotinas ou certezas. Os indivíduos que admiramos aos 65 anos e mais são frequentemente aqueles que continuam a explorar, a experimentar novas atividades e a adaptar-se às mudanças.
Seja a viajar por destinos desconhecidos, a descobrir novas paixões ou a rever opiniões sobre temas familiares, cada experiência enriquece a sua vitalidade.
Aceitar a mudança e lançar-se no desconhecido mostra aos outros que a idade não é um obstáculo, mas sim uma oportunidade de continuar a florescer. É essa abertura que inspira, atrai e deixa uma memória duradoura naqueles que o rodeiam.
2. Preserve o seu sentido de humor e espírito jovial
Quando decidimos que envelhecer significava ser sério a todo o momento? As pessoas mais cativantes na terceira idade são aquelas que ainda riem com facilidade, fazem piadas e não se levam demasiado a sério.
Isso não significa ser o tio inconveniente nos encontros de família, mas sim manter uma faísca de fantasia que torna a sua companhia desejável. Trata-se de saber rir de si mesmo, encontrar humor nas situações do dia a dia e não permitir que o peso dos anos o desanime.
3. Mantenha-se ativo e desafie o seu corpo

Compreendo. Aos 65 anos, os seus joelhos podem não responder como aos 25. Mas isso não significa que deva tornar-se sedentário.
As pessoas mais admiradas na terceira idade não são aquelas que se sentam numa cadeira a maior parte do tempo. Muito pelo contrário, são aqueles que procuram constantemente desafiar os seus limites físicos, de forma inteligente.
Não é necessário correr maratonas (a menos que o deseje), mas deve praticar uma atividade que o faça suar, respirar mais rápido e sentir-se vivo. Seja natação, caminhadas, ciclismo ou yoga, o essencial é encontrar o que lhe convém.
Lembre-se sempre de fazer uma consulta médica antes de começar uma nova atividade física, especialmente se não tiver praticado desporto recentemente.
Pessoalmente, corro regularmente e utilizo o desconforto físico como uma ferramenta de mindfulness. Aprendi que o desconforto não é o inimigo; a estagnação é que o é.
O objetivo não é competir com os mais jovens, mas sim preservar a vitalidade e energia que fazem com que as pessoas se esqueçam da sua real idade.
4. Cultive amizades diversificadas e intergeracionais
Se todos os seus amigos têm aproximadamente a mesma idade que você, é provável que esteja a falhar nesse aspeto.
Aqueles sexagenários que são alvo de admiração têm amigos de todas as idades. Eles socializam com pessoas de trinta, cinquenta e até com jovens de vinte anos.
Não se esforçam para parecer jovens; são simplesmente suficientemente interessantes para que a idade não tenha importância.
Isso exige esforço, como participar em eventos onde é provável que seja a pessoa mais velha. É necessário abrir-se a novas perspetivas e experiências, em vez de se dirigir automaticamente para aqueles que lhe são semelhantes.
5. Mantenha uma curiosidade genuína pelas novas gerações

Quer saber como se tornar rapidamente aquela pessoa azeda que todos evitam? Comece cada frase com “No meu tempo…” e recuse constantemente qualquer novidade como sendo inferior ao que era antes.
Os sexagenários que são admirados evitam dar sermões aos jovens sobre como as coisas deveriam ser. Eles fazem perguntas. Eles ouvem. E mostram um verdadeiro interesse em entender novos pontos de vista, mesmo que não concordem com todos.
Isso não significa que deve adorar tudo relacionado com a cultura moderna. Contudo, abordá-la com curiosidade em vez de julgamento altera completamente a experiência.
Pergunte aos seus netos qual é a sua música favorita e ouça com atenção. Tente entender por que se interessam por aquilo que amam.
Quando você se mantém curioso, algo mágico acontece. Os jovens começam a procurar a sua opinião, pois sabem que você estará disposto a ouvir a deles em primeiro lugar.
6. Use a tecnologia em vez de a resistir
Nada o envelhece mais rapidamente do que afirmar orgulhosamente que não entende nada de tecnologia e que não tem interesse em aprender.
Não precisa de ser um guru da informática, mas deve compreender os fundamentos do funcionamento do mundo moderno.
Sabe fazer chamadas de vídeo para os seus netos? Usa aplicações que facilitam a sua vida? Tem noções suficientes sobre a segurança online para se proteger?
Mais importante ainda, é capaz de ter conversas significativas sobre como a tecnologia está a moldar a sociedade? Pois, quer queiramos ou não, este é o mundo em que vivemos, e ignorá-lo apenas nos coloca na margem da sociedade.
7. Continue a aprender coisas novas

Lembra-se da época em que pensou que era demasiado velho para aprender algo novo aos 30 anos? Ou aos 40? Bem, isso era absurdo na altura e continua a ser aos 65 anos ou mais.
Assim que parar de aprender, começa a tornar-se obsoleto. E não estou a falar apenas de um curso de tricot (embora isso também seja interessante). Refiro-me a mergulhar em tópicos que desafiem a sua mente e o obriguem a pensar de maneira diferente.
Aprenda uma linguagem de programação. Estude tecnologia blockchain. Tente tocar um instrumento musical que nunca experimentou. Vá em frente, aprenda TikTok se isso o ajudar a compreender como se comunicam as novas gerações.
Atualmente, estou a explorar a improvisação no jazz, e acredite, é uma verdadeira lição de humildade. Cada vez que tento improvisar, percebo quão fácil é errar notas ou o ritmo. Às vezes, os meus acordes soam dissonantes, as minhas transições são desajeitadas e tenho de recomeçar repetidamente.
Mas cada pequena vitória, cada sequência harmoniosa que surge, é uma verdadeira conquista. E o mais importante, isso estimula a minha criatividade e capacidade de adaptação ao presente, pois a improvisação não perdoa a ausência de escuta e reação.
O essencial não é tornar-se um virtuoso, mas manter-se um eterno aprendiz, sempre curioso, sempre pronto a explorar o desconhecido com entusiasmo.
8. Viva intencionalmente, não por hábito
O mais triste no envelhecimento não é o declínio físico. É quando se deixa de viver verdadeiramente, contentando-se em seguir a corrente.
Acordar, ler o jornal, ver televisão, dormir, recomeçar. Isso não é viver; é aguardar pela morte.
As pessoas mais inspiradoras na terceira idade continuam a estabelecer metas, a planear projectos e a experimentar coisas novas.
Escolhem um uso cuidadoso do seu tempo, com quem o partilham e o que desejam alcançar.
Não se contentam em preencher o tempo; usam-no com propósito.
9. Continue a criar e a contribuir

A reforma não deve ser sinónimo de se isolar do mundo. As pessoas mais admiradas na terceira idade continuam a criar, construir e contribuir de forma significativa.
Pode já não estar a dirigir uma startup, mas pode apoiar jovens empreendedores. Pode não programar, mas pode ensinar outras pessoas ou contribuir para projectos de código aberto. Ou talvez já não dirija uma empresa, mas pode fazer voluntariado numa organização para causas que lhe são queridas.
A forma da contribuição é menos importante do que o ato em si. Quando continuamos a dar a nossa contribuição ao mundo aos 65 anos e mais, isso sobressai. Vemos alguém que não desistiu, que ainda acredita ter algo a oferecer.
10. Desenvolva uma consciência radical de si mesmo e promova o crescimento pessoal
Há uma verdade que a maioria das pessoas se recusa a admitir: os seus defeitos de personalidade não desaparecem com a idade. Ao contrário, tornam-se mais acentuados e difíceis de suportar.
Os sexagenários que todos admiram são aqueles que continuam a trabalhar em si mesmos. Estão cientes das suas fraquezas, pedem desculpa quando estão errados e esforçam-se para evoluir.
O ego não se aposenta aos 65 anos ou mais. Ao contrário, exige uma gestão mais consciente com a idade.
Aos 65 anos, a consciência de si mesmo significa reconhecer os seus momentos de teimosia, os seus erros e a necessidade de mudança. É não usar a sua idade como desculpa para comportamentos indesejáveis.
Palavras Finais

Há uma verdade que ninguém quer aceitar: tornar-se aquilo que todos admiram aos 65 anos e mais começa agora, independentemente da sua idade atual.
A cada vez que escolhe a curiosidade em vez do julgamento, o crescimento em vez da estagnação, o envolvimento em vez do isolamento, você está a construir a base do que será aos 65 anos.
Os idosos que admiramos não se tornaram interessantes da noite para o dia aos 65 anos. Eles mantiveram e cultivaram hábitos que permitem que se mantenham dinâmicos, relevantes e cativantes ao longo da vida.
Portanto, comece agora. Mantenha-se curioso. Continue a aprender. Aceite desafios físicos e mentais. Construa pontes em vez de paredes.
Porque um dia, se o fizer de forma adequada, você será essa pessoa de sessenta anos que pedala pelas estradas, inspirando as gerações mais jovens a pensar: “Espero ser assim quando for mais velho”.




